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Tarifaço de Trump derruba em mais de 50% as exportações de Minas 

Tarifaço de Trump derruba em mais de 50% as exportações de Minas 

Jorge Guimarães 

Em apenas um mês, o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump contra o Brasil já trouxe efeitos significativos para a economia mineira. Segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) na última sexta-feira, as exportações do estado para os Estados Unidos registraram queda de 50,4%. 

Recuo

A situação preocupa o setor produtivo, que vê a possibilidade de agravamento do cenário nos próximos meses. A Fiemg avalia que, além da perda imediata de receita, a medida norte-americana pode comprometer a competitividade de empresas mineiras em um dos seus principais mercados, abrindo espaço para concorrentes internacionais. 

— A expectativa, agora, é de intensificação do diálogo entre o setor produtivo e o governo brasileiro em busca de alternativas para reduzir os impactos e diversificar destinos de exportação — avalia o economista Lazaro Ribeiro.

Centro-Oeste

Na região Centro-Oeste, em meio às incertezas sobre a adoção de novas medidas no comércio internacional, as empresas vêm se readaptando à nova realidade e buscando alternativas para manter sua competitividade. Segundo o presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste, Eduardo Soares, algumas companhias conseguiram antecipar embarques antes da entrada em vigor das tarifas norte-americanas, o que contribuiu para resultados ainda positivos em determinados setores.

— Se você olhar somente para o Centro-Oeste, nós temos algumas empresas que, antes da entrada das tarifas norte-americanas, tentaram exportar o máximo possível. Assim, estes números ainda contaram para um bom resultado. É claro que, após isso, os dados mais recentes mostram que as indústrias estão buscando diversificação em relação a países — analisa Soares.

O dirigente reforça que o movimento de abertura de novos mercados tem sido essencial para reduzir os efeitos das barreiras impostas pelos Estados Unidos, garantindo que a produção regional mantenha ritmo e continue gerando empregos e renda.

Papel fundamental 

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) tem desempenhado um papel fundamental neste momento de instabilidade no comércio internacional, especialmente para as empresas da região. A entidade tem atuado na identificação de produtos e mercados que possam absorver a produção local, ajudando as indústrias a encontrarem novas oportunidades de exportação.

— Então é importante este trabalho neste momento, ainda mais dentro deste cenário de incertezas, com mais promessas de novas retaliações. Mas, apesar de todo este clima, as empresas estão se readaptando para essa nova realidade, buscando sempre novos mercados em função de seus produtos — pontua o presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste.

Ele ressalta que, embora os resultados mais expressivos devam aparecer no médio prazo, algumas companhias já conseguem encontrar alternativas mais imediatas em países com processos de negociação mais simples. No entanto, a mudança repentina de parceiros comerciais exige grande esforço e estratégia.

— A curto prazo, só mesmo aquelas empresas que encontrarem países com uma maneira mais tranquila de realizar suas negociações. Mesmo assim, é um trabalho mais difícil, pois, se você já tem um padrão de exportação para um determinado país e, de uma hora para outra, precisa buscar outras soluções, isso demanda muita perspicácia da empresa. É um trabalho que tem que ser feito rapidamente, para a empresa não perder o ritmo, e principalmente não perder faturamento, evitando também dispensa de pessoal — esclarece Soares.

Segundo ele, a Fiemg tem dado suporte às indústrias dentro de seu papel institucional, oferecendo caminhos para novas alternativas de negociação e ajudando a preservar a competitividade e a sustentabilidade das empresas da região.

Minas Gerais 

As exportações no Estado sofreram forte impacto após a entrada em vigor do tarifaço. De acordo com os dados, o valor embarcado caiu de US$ 431,67 milhões em julho para US$ 213,94 milhões em agosto, mês em que a tarifa de 50% começou a valer, no dia 6. Entre os setores mais prejudicados está o café, que registrou retração de 17% nas vendas. Outro destaque negativo foi o ferro-gusa, mesmo excluído do aumento tarifário, mas que teve seus embarques despencando 73,6%.

Uma exceção nesse cenário de retração foi o setor de equipamentos elétricos. As exportações de transformadores, conversores estáticos e bobinas de reatância ou indução para os EUA cresceram 316,2%. No entanto, a Fiemg alerta que se trata de um movimento atípico e não de um crescimento sustentável do setor. A federação explica que o aumento foi resultado de uma brecha na regulamentação norte-americana: a Ordem Executiva do tarifaço, publicada pela Casa Branca em 30 de julho, permitiu que mercadorias embarcadas antes de 6 de agosto fossem taxadas com a alíquota anterior, desde que chegassem ao destino até 5 de outubro.

Segundo a entidade, os próximos meses tendem a refletir de forma mais clara os efeitos das barreiras impostas, reforçando a necessidade de diversificação de mercados para reduzir os riscos às exportações mineiras.

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