‘Todos desinformam o eleitor’, diz especialista sobre debate dos candidatos ao governo de MG
Alexandre Kalil, Cleitinho Azevedo, Flávio Roscoe, Gabriel, Mateus Simões e Patrus Ananias participaram do encontro

Os ataques pessoais, as acusações envolvendo aliados políticos e as divergências sobre a administração estadual marcaram o debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, promovido pela TV Globo, na noite desta terça-feira, 29. Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD) e Patrus Ananias (PT) discutiram temas como segurança pública, dívida estadual e serviços públicos.
Para o advogado especialista em Direito Público, Jarbas Lacerda, os confrontos deixaram as propostas concretas em segundo plano. Segundo ele, os ataques pessoais demonstram uma estratégia de desgaste dos adversários e dificultam a comparação entre os projetos apresentados.
— O debate é um instrumento de vital importância para o eleitor e o aperfeiçoamento da democracia, permitindo que o eleitor conheça melhor os candidatos, suas propostas e possa decidir sua escolha no processo eleitoral — afirma.
Entretanto, o especialista avalia que a falta de propostas e a repetição de promessas genéricas podem aumentar a frustração do eleitorado.
Cleitinho x Simões
Um dos confrontos mais intensos ocorreu entre Cleitinho Azevedo e Mateus Simões, durante uma discussão sobre segurança pública. O candidato do Republicanos acusou o governador de ter perdido a confiança dos servidores estaduais e afirmou que profissionais das forças de segurança estariam fazendo campanha contra o governo.
Cleitinho também criticou a postura de Simões e afirmou que o adversário estaria repetindo propostas de sua campanha, como o monitoramento das divisas mineiras para combater o crime organizado, por meio do chamado “Escudo Mineiro”.
— O Mateus sempre fala que eu não tenho proposta, ele está tão viciado em mim que eu acho que ele acorda pensando em mim e dorme pensando em mim — provocou.
Para Jarbas Lacerda, o embate representa uma tentativa de desqualificar os concorrentes.
— É uma clara tentativa de desqualificar o concorrente e uma tentativa de convencer o eleitor a decidir seu voto na ideia de que o concorrente não tem qualificação para o cargo — avalia.
Acusações
Outro momento de destaque ocorreu quando Mateus Simões acusou o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), aliado de Cleitinho, de oferecer R$ 10 milhões em propina para facilitar um contrato com a Prodemge. O governador afirmou que denunciou o caso na época, mas não detalhou a quem encaminhou a denúncia. Nenhuma prova foi apresentada durante o debate.
Jarbas ressaltou as acusações graves apresentadas durante o debate.
— Merece atenção os fatos graves que foram tratados, inclusive com notícia de crimes, o que inclusive deve gerar apuração pelos órgãos públicos — destacou.
Gestão de Pimentel
Patrus Ananias também foi um dos principais alvos dos adversários, que cobraram explicações sobre a gestão de Fernando Pimentel (PT), entre 2015 e 2018. Questionado por Cleitinho, o petista demonstrou incômodo com a associação.
— Eu não estou aqui como advogado do Pimentel — disse.
O candidato declarou que responde por sua própria trajetória e que não daria atenção a provocações. Mateus Simões, por sua vez, acusou Patrus de evitar questionamentos sobre o governo anterior. Gabriel Azevedo também cobrou explicações sobre a Escola Plural, projeto implantado durante a gestão de Patrus na Prefeitura de Belo Horizonte.
Já Flávio Roscoe questionou a capacidade do petista de administrar a dívida estadual, estimada em cerca de R$ 200 bilhões, e citou os atrasos de pagamentos registrados durante o governo Pimentel.
Influência na decisão do eleitor
Na avaliação de Lacerda, a polarização ideológica também foi utilizada pelos candidatos como estratégia para conquistar apoio, apesar das críticas à própria polarização. O advogado observa, contudo, que parte do eleitorado considera fatores como afinidade regional e vínculos locais na escolha dos representantes.
— Quando o candidato consegue se impor no debate, mostrando educação, equilíbrio e conhecimento dos temas propostos, mesmo sem apresentar grandes ideias e propostas, gera no eleitor uma sensação de que ele pode estar ‘melhor preparado’ para governar — concluiu.
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