Um herói da atualidade

A coluna de hoje é inteiramente dedicada a um homem santo, um verdadeiro herói da atualidade.
O papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, foi muito mais que um líder religioso, foi um exemplo vivo de humildade, compaixão e coragem.
Seu legado ultrapassou fronteiras, inspirando até os não religiosos. Cristãos, judeus, muçulmanos, ateus e agnósticos reconheceram em seus gestos a grandeza de alguém que viveu para amar e lutar por um mundo mais justo.
Trouxe o registro de alguns destaques do papado que revolucionou a Igreja Católica com misericórdia, despojamento e inclusão.
Em 13 de março de 2013, o mundo conheceu o 266º papa, o primeiro latino-americano e jesuíta a ocupar o trono de Pedro. Aos 76 anos, o argentino Bergoglio tornou-se Papa Francisco, marcando seu pontificado pela simplicidade, proximidade com os fiéis e humanidade.

Quatro meses após sua eleição, escolheu o Brasil para sua primeira viagem apostólica, na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. O papa dos pobres pisava em solo brasileiro — país de fé viva e desafios sociais imensos.

Desde o início, mostrou que seu papado seria diferente. Recusou luxos: anéis de ouro, vestes suntuosas, sapatos vermelhos. Manteve seus sapatos pretos e preferiu viver na Casa Santa Marta, não nos apartamentos papais. “Não consigo viver sozinho”, disse. Escolheu estar entre as pessoas, não isolado pelo poder.

Pediu ser chamado apenas de “Bispo de Roma” e, após sua morte, desejou um caixão simples de madeira, com os sapatos que sempre usou — como um homem comum. Viveu assim até o fim: um gigante na fé, com os pés no chão. No Domingo de Páscoa, horas antes de partir, usou suas últimas forças para abençoar o mundo. Da sacada do Vaticano, fez um último apelo pela paz, pedindo o fim das guerras, a libertação dos oprimidos e a união dos povos. Sua voz, enfraquecida, ainda trazia esperança. Sua despedida foi um ato de amor.

Enfrentou com firmeza os males internos da Igreja: incluiu a pedofilia como crime no Código de Direito Canônico, combateu a corrupção no Vaticano, e abriu debates corajosos sobre celibato e diaconato feminino. Foi o papa da misericórdia e da justiça. Denunciou o racismo como pecado, ao se posicionar sobre a morte de George Floyd. E, durante a pandemia, a imagem de Francisco, sozinho na Praça de São Pedro, abençoando o mundo sob a chuva, tornou-se símbolo eterno de esperança.

Seu humor era leve e constante — dizia rezar por ele, pois era essencial à sanidade. E, em sua humildade, temia que seu sucessor não mantivesse o caminho de inclusão e compaixão. Como São Francisco de Assis, cujo nome escolheu, também ouviu um chamado. O santo, ao escutar “Francisco, vai e repara a minha casa”, entendeu que não era só reconstruir uma capela, mas iniciar uma reforma espiritual da Igreja. Assim foi com o papa Francisco: acreditou estar apenas transformando o Vaticano, mas, com seu despojamento, tocou o mundo.

Sou grata por ter vivido no tempo de Jorge Mario Bergoglio, por ter testemunhado seu papado — um santo em vida. Quantas vezes quis vê-lo, nem que fosse da janelinha da Praça São Pedro. Mas o destino não quis assim. Ele partiu para a Casa do Pai, para a Graça Eterna. Deixou um mundo mais justo, mais compassivo, mais próximo do amor que tanto pregou.
O papa Francisco vive. E viverá para sempre nos corações que tocou. Seu legado é eterno!

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