Walking tours: cidades além do óbvio

Renata Rachid

Quem me conhece sabe o quanto gosto de viajar. E uma das coisas que mais me encantam nas viagens é perceber que não são apenas os destinos que mudam. Com o tempo, muda também a nossa maneira de conhecê-los.
Nesta última temporada pela Europa, incorporei aos meus roteiros uma experiência que me conquistou: os free walking tours, passeios guiados feitos a pé que já são uma tendência em cidades do mundo inteiro.
A proposta é simples, democrática e muito interessante. Você faz a reserva pela internet, encontra o guia no ponto combinado e, durante algumas horas, percorre a cidade ouvindo histórias, conhecendo curiosidades e descobrindo detalhes que provavelmente passariam despercebidos. Não há um valor fixo previamente estabelecido e, ao final, cada participante contribui com o guia de acordo com a experiência.
E há algo que, para mim, torna esses passeios ainda mais especiais: conhecer uma cidade através dos olhos de quem realmente a conhece. Os guias são, muitas vezes, moradores locais ou pessoas que vivem ali há bastante tempo e desenvolveram uma relação profunda com aquele lugar. Não mostram apenas monumentos. Contam histórias, apontam detalhes, dividem curiosidades e nos ajudam a compreender um pouco da cultura e da vida cotidiana da cidade.
Há ainda um outro ganho: as pessoas. Como os tours normalmente são feitos em grupo, viajantes de diferentes lugares acabam caminhando juntos durante algumas horas. Conversas surgem naturalmente, experiências são trocadas e, não raramente, novas amizades começam ali, no meio de uma praça ou caminhando por alguma rua desconhecida.
Fiz alguns desses passeios durante a viagem e posso dizer que foi uma escolha muito acertada. Caminhar muda a nossa relação com uma cidade. Deixamos de simplesmente passar pelos lugares para começar a compreendê-los.
Hoje existem plataformas conhecidas, como Civitatis e GuruWalk, com opções em inúmeros destinos e, muitas vezes, também em português. E a experiência já está presente no Brasil, com free walking tours em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Paraty, entre outros destinos.
Minha dica é procurar um walking tour logo nos primeiros dias da viagem. Além de ser uma excelente introdução à cidade, você termina o passeio com novas histórias, boas dicas e, quem sabe, novos amigos.
Depois dessa experiência, eles certamente passam a fazer parte dos meus próximos roteiros. Porque viajar também é isso: conhecer lugares, descobrir histórias e encontrar pessoas pelo caminho.
MAPA DO SOL KM2


No dia 8 de agosto, a Kilômetro Quadrado, marca divinopolitana com mais de 30 anos de história na moda, apresentou Mapa do Sol, sua coleção Verão 26/27, inspirada na mulher contemporânea que vive em movimento e busca aliar elegância, conforto e versatilidade.
Com o conceito “Sua jornada, seu mapa, seu sol”, a coleção fala de caminhos, encontros e novas descobertas. Modelagens confortáveis, tecidos leves, cores luminosas e estampas que remetem ao verão brasileiro dão forma a peças pensadas para acompanhar os diferentes momentos do dia, unindo beleza, praticidade e sofisticação.
Mapa do Sol traduz a essência da Kilômetro Quadrado e celebra a autenticidade, a liberdade e a leveza de um novo verão.
Mapa do Sol. O verão passa por aqui. E você também precisa passar para conhecer de perto a nova coleção da Kilômetro Quadrado.
📍 Rua Pernambuco, 654 – Divinópolis/MG
📱 WhatsApp: (37) 3212-0279
📸 Instagram: @kilometroquadrado
RECEITINHA

Já voltamos a rotina, mas alguns sabores da viagem de férias ainda continuam por aqui.
A receita de hoje é de um dos grandes clássicos da cozinha italiana: a carbonara. Feita com poucos ingredientes, ela parece sofisticada, mas não é difícil de executar quando seguimos alguns cuidados importantes.
Neste final de semana, meu marido resolveu testar a receita e brilhou. O prato ficou uma delícia, cremoso e com a massa no ponto.
Um detalhe interessante está justamente na massa. Na Itália, é muito comum encontrarmos massas feitas com sêmola de trigo duro, a semola di grano duro, que proporciona uma textura mais firme e favorece aquele delicioso ponto al dente e a permeabilidade do molho. Mas é perfeitamente possível reproduzir a receita com boas massas encontradas no Brasil, inclusive italianas. A Barilla, facilmente encontrada por aqui, é uma ótima opção.
🍝 CARBONARA CLÁSSICA ITALIANA
Para 2 pessoas
Você vai precisar de:
200 g de espaguete
100 g de guanciale
2 gemas + 1 ovo inteiro
50 g de pecorino romano ralado
Pimenta-do-reino moída na hora
Sal para a água do cozimento
Como fazer:
Cozinhe o espaguete em água fervente com sal até ficar al dente. Antes de escorrer, reserve uma xícara da água do cozimento.
Enquanto a massa cozinha, corte o guanciale em pequenos pedaços e leve à frigideira, em fogo médio, até ficar dourado e liberar sua própria gordura. Não é necessário acrescentar azeite ou óleo.
Em uma tigela, misture as gemas, o ovo inteiro, o pecorino e uma generosa quantidade de pimenta-do-reino.
Junte a massa ainda quente ao guanciale e misture. Desligue o fogo e só então acrescente a mistura de ovos e queijo, mexendo rapidamente. Adicione um pouco da água do cozimento, aos poucos, até obter aquele creme sedoso e brilhante que envolve toda a massa.
O segredo: o calor da própria massa é que cozinha delicadamente os ovos e cria a cremosidade. Por isso, nada de colocar a mistura de ovos diretamente sobre o fogo.
E atenção à tradição italiana: carbonara não leva creme de leite, alho nem cebola. São poucos ingredientes, mas o resultado é espetacular.
Sirva imediatamente, finalize com pecorino e pimenta-do-reino e… buon appetito!
Reflexão por Manoel Brandão

Da série: Humanismo para o Século XXI
A maçã da discórdia
Os gregos compreenderam, como poucos povos da Antiguidade, que os maiores conflitos da humanidade não nascem apenas das armas, mas das paixões. Por isso, transformaram os sentimentos humanos em deuses e deusas. Entre eles estava Éris, a deusa da discórdia, cuja simples presença bastava para romper a harmonia e semear a divisão.
Conta a mitologia que Éris não foi convidada para o casamento de Peleu e Tétis, celebração destinada a reunir deuses e mortais em perfeita concórdia. Ofendida, compareceu mesmo assim. Não levou um presente. Levou uma provocação.
Lançou sobre a mesa do banquete uma maçã de ouro com uma breve inscrição:
“À mais bela.”
Bastou isso.
Uma simples frase despertou vaidades, alimentou rivalidades e dividiu aqueles que, até então, celebravam juntos. Da disputa entre Hera, Atena e Afrodite nasceu o julgamento de Páris e, com ele, a longa cadeia de acontecimentos que culminaria na Guerra de Troia.
Os antigos pareciam advertir as gerações futuras de que as maiores tragédias raramente começam com exércitos. Costumam nascer de uma palavra impensada, de uma provocação cuidadosamente lançada, de uma mentira repetida ou de uma vaidade incapaz de reconhecer os próprios limites.
Essa narrativa permanece surpreendentemente atual. Em todas as épocas, a emoção frequentemente se sobrepõe à razão; versões competem com os fatos; a persuasão, não raro, substitui a busca sincera pela verdade. A história muda de cenário, mas a natureza humana continua enfrentando os mesmos desafios.
Não por acaso, uma antiga máxima afirma que, “na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Antes que o primeiro tiro seja disparado, narrativas já disputam espaço. Cada lado procura conquistar não apenas territórios, mas também consciências.
A mentira pode prevalecer por algum tempo; a verdade, embora muitas vezes silenciosa e paciente, acaba encontrando o seu caminho. A história demonstra que paixões podem obscurecer os fatos por um período, mas dificilmente conseguem apagá-los de forma definitiva.
O cidadão verdadeiramente livre não é aquele que acredita sem questionar, nem aquele que rejeita automaticamente tudo o que vem do lado oposto. Livre é quem cultiva a prudência, confronta informações, reconhece a complexidade dos fatos e conserva a humildade intelectual de rever as próprias convicções quando a realidade assim o exige.
Talvez essa seja, afinal, a maior lição da maçã de Éris: quase nunca é o objeto que desencadeia a tragédia, mas a incapacidade humana de dominar o orgulho, a vaidade e a paixão. Quando a razão cede lugar ao ressentimento, a discórdia encontra terreno fértil. E, muitas vezes, basta uma única palavra para incendiar uma família, uma comunidade, uma nação ou até uma civilização.
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