Violência contra a mulher não dá trégua em Minas Gerais

Ana Luisa Freitas
Em menos de 48 horas Minas Gerais volta a acender um alerta vermelho no combate à violência contra a mulher. O número de feminicídios em 2025, bateu recorde no Brasil, foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O resultado supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então. Já em 2026, nos cinco primeiros meses, acumula 148 vítimas do crime, entre os consumados e tentados.
Embora Belo Horizonte concentre o maior número de registros, municípios do interior não ficam para trás e também acumulam casos de extrema gravidade. Em Divinópolis, as circunstâncias não são diferentes, a maior parte dos crimes ocorre dentro do ambiente doméstico e é praticada por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Em menos de 24 horas
Mais uma vez, a capital mineira registrou casos de violência que chamaram a atenção. O mais chocante foi da capitão da Polícia Militar, Michele Leão Azevedo dada como morta na noite desta segunda-feira, 20, após ser levada ao Hospital Odilon Behrens. O companheiro dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, foi preso em flagrante por suspeita do crime. Segundo a equipe médica, Michele já chegou à unidade sem vida e apresentava múltiplas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas e marcas compatíveis com agressões. Em depoimento, ele disse ainda que Michele sofreu uma queda da escada, recusou atendimento médico e foi colocada para descansar. Horas depois, segundo sua versão, ela não respondia aos estímulos e foi levada ao hospital.
O boletim de ocorrência também informa que, no hospital, o militar foi flagrado descartando uma caixa metálica com comprimidos semelhantes a ecstasy, que foram apreendidos para perícia. Durante a investigação, peritos recolheram um cabo de madeira quebrado, roupas de cama e o veículo utilizado para transportar a vítima, além do celular do sargento. O caso é investigado pela Polícia Civil, e o corpo da militar foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para exame de necropsia.
Segunda mulher
Outro caso que chocou foi de Stifanie Ribeiro Firmino Silva, 35 anos, encontrada morta em um apartamento na tarde desta segunda-feira, 20, no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte. Segundo as primeiras informações da Polícia Militar, o companheiro da vítima foi visto saindo do condomínio com duas malas e é o principal suspeito.
Ainda de acordo com a corporação, os vizinhos começaram a perceber que a mulher estava desaparecida desde a última quarta-feira, 15. Segundo relatos, ela teria levado o namorado ao apartamento havia alguns dias. Ele foi visto, nesta segunda, saindo do imóvel. Os vizinhos chegaram a ir até a porta do apartamento e perceberam um odor forte. A polícia foi acionada e encontrou o corpo da vítima debaixo de uma coberta.
Segundo a Polícia Civil, a perícia e o rabecão compareceram ao local, e o corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para passar por perícia.
Divinópolis
A principal cidade do Centro-Oeste de Minas, também não foge à regra. Em junho último, um caso chocou a cidade. Uma mulher de 47 anos, portadora de deficiência auditiva, era mantida em cárcere privado pelo companheiro de 44 anos. De acordo com informações da PC foram oito dias de tortura, ela era agredida fisicamente e queimada com cigarros, além de apresentar sinais de violência por todo o corpo. E o mais chocante: ele tentou matá-la a facadas.
Com a ajuda de um dos vizinhos, por meio de denúncias, ela foi resgatada e levada ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), da prefeitura. O suspeito que é um coveiro em um dos cemitérios da cidade, teve o flagrante confirmado e foi levado ao Presídio Floramar, onde permanece.
Segurança
Além de retratar a dimensão da violência contra a mulher, os dados levantados pelas forças de segurança orientam a criação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à prevenção, ao acolhimento das vítimas e ao combate à violência de gênero.
Em Minas Gerais, o sistema de monitoramento reúne registros das polícias Civil e Militar, contemplando tanto mulheres cisgênero quanto mulheres trans, conforme a identidade de gênero informada nos boletins de ocorrência. As informações também permitem identificar a relação entre a vítima e o agressor, evidenciando que a maior parte dos casos envolve companheiros, ex-companheiros ou familiares.
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