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Economia

Volta às aulas já movimenta o comércio em Divinópolis

Volta às aulas já movimenta o comércio em Divinópolis

Jorge Guimarães

O início de um novo ano marca também um período de reorganização no orçamento das famílias, especialmente para quem tem filhos em idade escolar. 

Com a aproximação do ano letivo, a compra do material volta a pesar no bolso do consumidor, especialmente diante dos recentes aumentos de preços registrados no setor.

Acima da inflação

De acordo com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), os preços dos materiais escolares tiveram uma alta média de 4,85%, percentual superior à inflação acumulada no período, que ficou em 4,46%. O reajuste reforça a percepção dos consumidores de que itens básicos, como lápis, canetas, mochilas e estojos, estão mais caros.

Entre os fatores que explicam a elevação estão o aumento dos custos de produção, logística e matérias-primas, além da reposição de estoques pelas papelarias após o período de festas. Produtos importados e itens licenciados (com personagens) continuam sendo os mais impactados, apresentando reajustes acima da média.

Variação por itens

Os dados do IBGE revelam um comportamento desigual entre os produtos nos últimos 12 meses. Enquanto alguns subiram significativamente, outros apresentaram leve recuo:

  • Livro didático: Foi o item que mais pesou, com alta acumulada de 5,67%, refletindo os custos de produção gráfica e logística;
  • Artigos de papelaria: Lápis, borrachas e colas tiveram elevação média de 3,81%;
  • Cadernos: Na contramão, registraram redução de 1,09% nos preços, queda atribuída à maior concorrência e promoções para atrair clientes;

Detalhes

Segundo o empresário Wantuir José dos Santos, que possui três lojas em Divinópolis, o comércio tem se esforçado para equilibrar os custos. 

— Alguns produtos realmente subiram, mas em itens como cadernos, muitos lojistas seguraram os preços e apostam em promoções para facilitar a compra — afirma. 

Wantuir destaca que a pesquisa de preços continua sendo fundamental: 

— Quem planeja e compra com calma consegue economizar — completa.

Estratégias de economia

A dona de casa Patrícia Almeida, mãe de dois alunos, conta que comparar preços virou regra. 

— Pesquisei em várias papelarias e na internet. A diferença entre uma loja e outra é grande — relata.

Outra alternativa é a compra coletiva. O pai do aluno Marcos Vinícius Ferreira utiliza grupos de WhatsApp da escola para negociar descontos em volume direto com os fornecedores. Já a estudante Laura Mendes aposta na reutilização.

— Mochila, estojo e cadernos que sobraram eu continuo usando. O importante é estar organizada para estudar — pontua.

Orientações 

O Procon Municipal de Divinópolis alerta que a legislação de defesa do consumidor estabelece limites claros sobre o que pode ser exigido. As instituições de ensino não podem exigir:

  • Materiais de uso coletivo: Papel higiênico, copos descartáveis, álcool, produtos de limpeza ou itens administrativos (toners, papel de escritório, etc.);
  • Marcas específicas: Salvo em casos de livros didáticos adotados, a escola não pode impor marcas;
  • Taxas extras: Valores destinados à manutenção da instituição.

O órgão orienta que os pais verifiquem se a lista é compatível com a proposta pedagógica e a faixa etária do aluno. Caso identifiquem irregularidades, os responsáveis devem formalizar a denúncia apresentando a lista e o contrato escolar. 

O Procon reforça que o consumidor não deve arcar com custos que são de responsabilidade da escola.

Foto: Jorge Guimarães 

Legenda: Consumidores já estão em busca dos materiais escolares em Divinópolis

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