Acordo cancela greve dos servidores e suspende projeto da Previdência da Câmara

Jonny Reisle
Após dias de forte tensão política, ameaças de paralisação geral e embates públicos entre servidores municipais e Prefeitura de Divinópolis, uma reunião realizada nesta quinta-feira, 28, resultou em um acordo que suspendeu temporariamente a greve marcada para começar nesta sexta-feira, 29, e também suspendeu, momentaneamente, o Projeto de Lei Complementar nº 008/2026, que propõe a reforma da Previdência dos servidores municipais por meio de mudanças no Diviprev.
Tramitação
O encontro reuniu representantes do Executivo, do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram), do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal de Divinópolis (Sintemd) e vereadores da base governista.
A reunião ocorreu após uma semana marcada por assembleias, protestos, ocupações da Câmara Municipal e uma audiência pública tumultuada, que terminou sem consenso e em meio a acusações, gritos e interrupções.
Estipulações
O acordo firmado estabelece um novo prazo para negociação da proposta previdenciária. Até o dia 20 de junho, os sindicatos deverão apresentar sugestões de alterações no texto original encaminhado pela Prefeitura. Entre os dias 20 e 30 de junho, Executivo e representantes sindicais irão discutir as propostas apresentadas. A previsão é que, ao final das tratativas, seja elaborado um substitutivo ao projeto atual ou até mesmo um novo texto para tramitação na Câmara Municipal.
Com isso, o movimento foi suspenso e os serviços públicos municipais devem voltar à normalidade já na próxima semana. A expectativa é de retomada das atividades nas escolas municipais, unidades administrativas e demais setores da Prefeitura, que vinham sendo diretamente impactados pela mobilização crescente das categorias.
Acordo após protestos
A prefeita Janete Aparecida (Avante), afirmou que a reunião desta quinta foi resultado de um compromisso assumido ainda durante a audiência pública realizada na terça-feira. Segundo ela, mesmo diante do clima de confronto registrado no encontro anterior, o Executivo manteve a disposição para o diálogo.
— Hoje nós tivemos uma reunião muito tranquila, onde pudemos nos fazer ouvir e ouvimos o sindicato. O diálogo comigo sempre esteve aberto — declarou.
Negociações
Janete explicou que os sindicatos inicialmente solicitaram um prazo de 120 dias para discutir o projeto, mas, após negociação com vereadores da base, chegou-se a um consenso para que as tratativas ocorram até o fim de junho. Segundo a prefeita, apesar da abertura para mudanças no texto, o município não pode abrir mão de pontos considerados essenciais para evitar um colapso financeiro do Diviprev.
— Vai haver mudanças e mudanças sérias, porque tem coisas que não têm como tirar. Se tirar, é quebrar o Diviprev, quebrar a Prefeitura e deixar o governo insustentável — afirmou.
A chefe do Executivo também negou que o recuo represente uma vitória de qualquer um dos lados envolvidos na crise e classificou o acordo como resultado do “bom senso” entre sindicatos, vereadores e Prefeitura.
— Não houve vitória. Isso chama bom senso. Bom senso do sindicato, bom senso dos vereadores e bom senso da Prefeitura para fazer o melhor para todos — disse.
Recado
Durante a coletiva concedida após a reunião, Janete também fez um apelo direto aos servidores municipais e reconheceu o desgaste provocado pela condução da reforma nos últimos dias. Segundo ela, em nenhum momento houve intenção de prejudicar os trabalhadores do funcionalismo.
— Se algum servidor entendeu que eu queria fazer isso de sacanagem, de maldade, eu peço perdão, porque não foi. Eu estou tentando salvar o Diviprev e garantir que o salário de todo mundo continue em dia — afirmou.
Limite ultrapassado
A prefeita ainda voltou a comentar os episódios registrados durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal, quando foi alvo de ataques pessoais e críticas relacionadas à sua trajetória de vida. Em tom emocionado, ela disse ter se sentido profundamente atingida pelas ofensas.
— O problema não foram os gritos ou palavras de ordem. Isso faz parte da democracia. O problema foram os ataques pessoais, os xingamentos e a violência de gênero — declarou.
Vereadores concordaram
O presidente da Câmara Municipal, vereador Israel da Farmácia, afirmou que o projeto já estava próximo de ser votado e que, sem uma manifestação formal do Executivo, a tramitação seguiria normalmente nas comissões da Casa. Segundo ele, a construção do acordo permitiu ampliar o prazo para discussão e aperfeiçoamento do texto.
— Que bom que houve esse acordo. O Sintram e o Sintemd estão preparando propostas para melhorar o projeto e impactar menos a vida dos servidores — declarou.
Israel também ressaltou que o Legislativo vinha acompanhando de perto os estudos atuariais apresentados pela Prefeitura e pelo Diviprev, motivo pelo qual parte dos vereadores defendia a necessidade da reforma previdenciária.
— O projeto poderia entrar em votação já na próxima semana. Agora teremos mais tempo para amadurecer o debate e ouvir todos os lados — pontuou.
Sintram se pronuncia
Do lado sindical, o clima também foi de cautela e defesa do diálogo. O presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, afirmou que a suspensão da greve foi condicionada à abertura efetiva de negociação por parte da Prefeitura.
— Conseguimos um prazo de 30 dias para debater melhor esse projeto, fazer emendas, supressões e construir propostas. O motivo da negociação foi justamente suspender o movimento paredista — afirmou.
Marco Aurélio destacou ainda que os sindicatos pretendem aprofundar a análise técnica do projeto para apresentar sugestões que reduzam os impactos sobre os servidores sem comprometer o equilíbrio previdenciário do município.
— Nós vamos estudar o projeto ponto a ponto, junto com profissionais da área, para construir uma proposta séria e responsável — disse.
Debate necessário
Já o presidente do Sintemd, Rodrigo Rodrigues, destacou que o momento exige responsabilidade tanto do poder público quanto das entidades representativas dos servidores. Segundo ele, a negociação não significa o encerramento das críticas ao projeto original, mas sim uma oportunidade de aprofundar os estudos técnicos sobre os impactos da reforma.
— O diálogo é o melhor caminho. Nós sempre estivemos dispostos a negociar aquilo que for um problema para a sociedade. Nós não abrimos mão da dignidade humana. As regras precisam levar em conta a qualidade de vida do trabalhador que está lá na ponta — ressaltou.
Projeção
O dirigente sindical também adiantou alguns dos temas que deverão estar no centro das discussões nas próximas semanas, entre eles o chamado “pedágio” das regras de transição, o cálculo previdenciário e o adicional de permanência.
— Nós vamos apresentar propostas mais equilibradas para o pedágio, para as alíquotas e também para o cálculo que está sendo feito. Tudo isso será debatido com a categoria — afirmou.
Entre os principais pontos que devem ser discutidos nas próximas semanas estão justamente o aumento da idade mínima para aposentadoria, as novas alíquotas previdenciárias, o cálculo dos benefícios e a contribuição de aposentados que recebem acima de determinados valores. Os sindicatos também defendem mudanças nas regras relacionadas à transição para servidores que estão próximos da aposentadoria.
Projeto retirado
A proposta original apresentada pela Prefeitura prevê alterações profundas no sistema previdenciário municipal. Entre elas estão o aumento da idade mínima para aposentadoria, mudanças nas regras de cálculo dos benefícios e a ampliação das contribuições previdenciárias para determinadas faixas salariais. O Executivo argumenta que a reforma é necessária diante do déficit atuarial do Diviprev, estimado em cerca de R$ 2,6 bilhões.
A crise em torno do projeto atingiu seu ponto máximo na audiência pública realizada na última terça-feira, marcada por forte presença de servidores municipais no plenário da Câmara. O encontro foi interrompido diversas vezes por manifestações, palavras de ordem e críticas direcionadas à prefeita Janete Aparecida e vereadores da base governista.
Cenas dos próximos capítulos
Mesmo diante do clima de tensão registrado nos últimos dias, tanto Prefeitura quanto sindicatos afirmaram que o objetivo agora é construir um texto que preserve o equilíbrio financeiro do Diviprev sem ampliar excessivamente os impactos sobre os servidores municipais.
Leia também
Ainda não
Câmara aprova PEC do fim da escala 6x1 em dois turnos; confira o momento do anúncio do resultado
Extremamente corajosa
Com 12 mil adolescentes internados no Brasil, Câmara discute redução da maioridade penal
Governo federal anuncia crédito e plano de exportação para fortalecer audiovisual
Cavalo encontrado desacordado em via pública é recolhido pela Prefeitura de Divinópolis
Mais recentes
Do nosso arquivo
Governo de Minas inicia campanha ‘Agosto Dourado’ para incentivar amamentação
Prefeitura avalia imóveis para mudança do Serviço do Luto
Vereador Flávio Marra destina R$130 mil para suplementos alimentares de pacientes com câncer e crianças com doenças raras
Cleitinho nega convite a ex-presidente da Câmara
Veja tudo o que publicamos em maio de 2026
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




