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Alta do ICMS sobre combustíveis já tem data para entrar em vigor 

Por Redação Jornal Agora
Alta do ICMS sobre combustíveis já tem data para entrar em vigor 

Jorge Guimarães 

Com a chegada do fim de ano, o clima é de celebração e renovação de esperanças. No entanto, é importante lembrar que janeiro está logo ali e, com ele, vêm as tradicionais contas que costumam pesar no orçamento das famílias. Despesas escolares, como matrículas e compra de materiais, além de tributos obrigatórios como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), já fazem parte da lista de compromissos do início do ano. E em 2026 não vai parar pro aí.

Mais um

E a partir de 1º de janeiro, o consumidor ainda terá mais um fator de atenção é que entra em vigor no Brasil o reajuste, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidem sobre a gasolina, o diesel e o gás. 

— Diante desse cenário, o planejamento financeiro se torna fundamental. Evitar gastos por impulso no fim de ano, organizar as contas e se preparar para os compromissos de janeiro são atitudes essenciais para atravessar o início do ano com mais tranquilidade e equilíbrio, reduzindo o risco de apertos financeiros logo nos primeiros meses — analisa o economista Lazaro Ribeiro.

Valores

De acordo com os dados divulgados, a gasolina terá aumento de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57, o que representa uma alta de 6,8%. Já o diesel e o biodiesel sofrerão acréscimo de R$ 0,05 por litro, elevando a alíquota de R$ 1,12 para R$ 1,17, com reajuste de 4,4%.

O gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, também será impactado. A alíquota passará de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, uma variação de 5,7%. Na prática, isso significa um aumento aproximado de R$ 1,05 no botijão de 13 quilos, item essencial no orçamento das famílias brasileiras.

— Esses reajustes tendem a gerar reflexos em cadeia, afetando desde os custos de transporte até o preço final de produtos e serviços. E em um momento de orçamento apertado, especialmente no início do ano, o impacto reforça a importância do planejamento financeiro e da atenção redobrada aos gastos do dia a dia — reforça Ribeiro.

Impacto na economia 

Com os reajustes, o impacto tende a ser sentido de forma imediata no dia a dia do consumidor, especialmente no abastecimento dos veículos e nas despesas básicas relacionadas à mobilidade e alimentação. No entanto, os efeitos não se limitam às bombas de combustível. O encarecimento da gasolina e do diesel influencia diretamente os custos do transporte de cargas e de passageiros, elevando as despesas de empresas e prestadores de serviços.

Esse aumento acaba sendo repassado, ainda que de maneira gradual, aos preços de produtos e serviços que chegam ao consumidor final. Como o combustível é um insumo essencial em praticamente toda a cadeia produtiva, do campo à indústria e ao comércio, os reajustes contribuem para pressionar a inflação.

— O resultado é a redução do poder de compra da população, que passa a sentir o peso do aumento não apenas no transporte, mas também no supermercado, nas contas do dia a dia e no custo geral de vida — pontua o economista.

Preços

Em Divinópolis, levantamento realizado na última semana pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 14 pontos de venda do município, mostrou variações significativas nos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. De acordo com os dados, o preço médio da gasolina comum ficou em R$ 5,88, com o menor valor encontrado a R$ 5,70 e o maior , a R$ 6,29, evidenciando diferenças relevantes entre os postos.

No caso do óleo diesel S10, o mais utilizado, o preço médio apurado foi de R$ 5,91. O valor mais baixo registrado foi de R$ 5,77, enquanto o maior preço chegou a R$ 6,09, o que também reforça a importância da pesquisa por parte do consumidor antes de abastecer.

Já no gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, o preço médio ficou em R$ 97,09. O menor valor encontrado foi de R$ 79,99, enquanto o maior atingiu R$ 115,00. Vale lembrar que essa variação no preço do GLP depende, em grande parte, da forma de compra: quando adquirido diretamente no depósito, o valor costuma ser mais baixo do que o cobrado pelo caminhão de entrega. 

— O cenário reforça a necessidade de atenção e comparação de preços, especialmente em um período de orçamento mais apertado para as famílias — alerta o economista.

Consumidor

A chegada do aumento logo no início do ano, tem gerado preocupação e insatisfação entre consumidores, que já sentem o orçamento cada vez mais pressionado. Para muitos, o aumento vem em um momento delicado, marcado pelas despesas típicas do início do ano, como impostos, material escolar e contas acumuladas.

— Tudo acaba ficando mais caro. A gente abastece o carro e já sente no bolso, mas o pior é quando esse aumento começa a aparecer no preço dos alimentos e dos serviços — comenta o motorista de ônibus Hélio Faleiro.

Já o representante de laboratório farmacêutico, Rodrigo Silva, destaca que o reajuste pesa principalmente para quem depende do veículo para trabalhar. 

— Quem usa carro ou moto para ganhar o sustento não tem alternativa. O custo sobe e a renda continua a mesma — pondera. 

Há também preocupação com o efeito em cadeia. 

— Não é só a gasolina ou o diesel. O frete aumenta, o comércio repassa e no fim das contas é o consumidor que paga — avalia a dona de casa, Ebe Martins, que teme novas altas nos preços do supermercado. 

No caso do gás de cozinha, o sentimento é semelhante. 

— O gás é caro e essencial, porém essencial. Qualquer aumento faz diferença no orçamento da família — afirma.

— De modo geral, a percepção entre os consumidores é de que o reajuste do ICMS tende a reduzir ainda mais o poder de compra e exige maior controle financeiro. Para muitos, a expectativa é de que haja mais diálogo e medidas que minimizem os impactos sobre a população, especialmente para as famílias de renda mais baixa — finaliza o economista. 

Minaspetro

A reportagem entrou em contato com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), que, por meio de nota enviada por sua assessoria de comunicação, se pronunciou. 

— O Minaspetro lamenta que os combustíveis sejam, mais uma vez, fonte da sanha arrecadatória do Estado. O anúncio do Confaz de que a gasolina irá subir R$ 0,10 a partir de janeiro do ano que vem, reajuste acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), frustra a classe produtiva e os consumidores, que demandam uma carga tributária mais justa, especialmente em bens essenciais. Só na gasolina, consumidores e os empresários pagarão, entre impostos federais e estaduais, R$ 2,25 por litro. Recentemente, o sindicato lançou cinco medidas que de fato podem abaixar o preço dos combustíveis, como a correção volumétrica por temperatura e o autoabastecimento. Dentre as medidas estão também críticas à alta carga tributária (atualmente em 36% do custo final da gasolina) e a evasão fiscal.”

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