Ano começa já com alta nos preços da cesta básica

Jorge Guimarães
A alta nos preços da cesta básica tem sido motivo de preocupação para os consumidores de Divinópolis, que reclamam que já está afetando diretamente o orçamento familiar. Diversos itens essenciais, como tomate, café e pão francês registraram aumento significativo, dificultando o planejamento financeiro das famílias, especialmente as de baixa renda.
Divinópolis
E em janeiro não foi diferente, quando o custo médio da cesta básica de alimentos chegou a R$ 669,12, registrando um aumento de 1,18% em relação a dezembro de 2024, quando o valor foi de R$ 661,35. Os dados são da pesquisa do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (NEPES), da Faculdade Una Divinópolis
Anual
Na comparação entre janeiro de 2024 e o mesmo mês de 2025, a alta foi ainda mais expressiva, alcançando 10,4%. Já no acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, o custo da cesta básica subiu 8,2%.
O levantamento do NEPES acompanha mensalmente a variação dos preços dos itens essenciais da alimentação, permitindo uma análise do impacto da inflação no orçamento das famílias divinopolitanas.
— Os resultados reforçam a necessidade de planejamento financeiro para enfrentar a alta dos preços e manter o poder de compra dos consumidores — aponta o economista Lazaro Ribeiro.
Altas
Cinco produtos da cesta registraram altos preços e influenciaram o aumento geral dos custos para os consumidores. Os principais reajustes foram observados na banana-prata (41,55%), café em pó (13,84%), tomate (7,60%), pão francês (2,14%) e manteiga (1,64%).
Baixas
De acordo com o organizador da pesquisa e professor da Faculdade Una Divinópolis, Wagner Almeida, o preço da carne bovina apresentou uma leve queda em relação a dezembro de 2024. O levantamento, que analisou os cortes de chã de dentro e de fora, apontou uma redução de -1,65% no preço médio do quilo da carne, item que representa o maior peso na composição da cesta básica de alimentos, com 40,7%.
Além da carne, outros sete produtos essenciais também registraram redução nos preços. A batata-inglesa teve a maior queda, com -25,13%, seguida pelo óleo de soja (-8,35%), leite integral (-8,15%), farinha de trigo (-5,97%), feijão carioquinha (-5,21%), arroz (-1,95%) e açúcar (-
— Os dados refletem um cenário positivo para os consumidores, que podem encontrar uma solução no orçamento doméstico com a redução dos custos de alguns itens básicos. A pesquisa reforça a importância do monitoramento dos preços e da busca por opções mais acessíveis na hora das compras — analisa o economista.
Pesquisa
A pesquisa de preços desta edição foi realizada entre os dias 23 e 29 de janeiro em sete supermercados de Divinópolis, todos equipados com açougue, padaria e hortifruti. O levantamento focou na cesta básica de Alimentos, composta por 13 itens essenciais para a alimentação e bem-estar de um trabalhador adulto ao longo de um mês. O conjunto de alimentos reúne produtos com quantidades balanceadas de nutrientes necessários à manutenção da saúde, garantindo uma alimentação equilibrada.
— O estudo permite acompanhar a variação dos preços no município, oferecendo aos consumidores informações relevantes para o planejamento da economia doméstica — pontua Lazaro.
Salário mínimo
Com o reajuste de 7,5% no salário mínimo, em vigor desde janeiro de 2025, o comprometimento da renda líquida do trabalhador para a compra da cesta básica apresentou uma redução de nível. Enquanto em dezembro de 2024, com o salário mínimo de R$ 1.412,00, era necessário destinar 50,6% do rendimento líquido para adquirir os produtos essenciais, em janeiro, essa fatia caiu para 47,7%.
A mudança reflete o impacto direto do aumento do piso nacional sobre o poder de compra dos trabalhadores.
— Após o desconto de 7,5% referente à contribuição líquida previdenciária, o rendimento passou a ser maior, proporcionando um pequeno alívio para os consumidores. Mesmo com essa melhoria, o custo da alimentação básica ainda representa uma parcela significativa da renda, reforçando a necessidade de políticas que garantam maior estabilidade nos países — finalizou Ribeiro.
Alternativas
A escalada dos preços tem impactado diretamente os hábitos de compra dos consumidores, que cada vez mais buscam alternativas para equilibrar o orçamento. Itens que antes faziam parte do consumo diário, como cortes de carne de melhor qualidade, agora são vistos como luxo e, muitas vezes, substituídos por opções mais acessíveis, como carnes processadas, ovos ou até alternativas vegetarianas. Para muitas famílias, especialmente de baixa e média renda, essa mudança não é apenas uma escolha, mas uma necessidade.
O reflexo desse cenário também é visto na substituição de produtos frescos, como frutas e vegetais, por alimentos industrializados e com maior validade. Além disso, itens de higiene e limpeza de marcas tradicionais têm sido preteridos em favor de outras menos conhecidas.
— O que a gente nota é que há uma mudança de hábito entre os consumidores. Muitos optando por produtos de menor custo para manter o poder de compra. Isso vale para alimentos, itens de higiene e limpeza, entre outros — destaca Sérgio Antônio de Oliveira, gerente de supermercado.
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