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Economia

Preço do café dispara nas gôndolas 

Por Redação Jornal Agora
Preço do café dispara nas gôndolas 

Da Redação

Comprar café nos últimos meses tem sido um desafio para os brasileiros. O preço da bebida, essencial no dia a dia de muitas famílias, disparou, e algumas marcas e tipos já ultrapassaram os R$ 60 por quilo. Com isso, tanto o tradicional quanto o gourmet estão pesando mais no bolso dos consumidores, que buscam alternativas para manter o hábito sem comprometer o orçamento.

Motivos

O preço da bebida mais amada do Brasil, registrou uma alta significativa em 2024, resultado de uma combinação de fatores que impactaram diretamente a produção e a movimentação do grão. Entre os principais motivos, as condições climáticas adversas  tiveram um papel central, com estiagens e chuvas excessivas prejudicando os trabalhos e reduzindo a oferta do produto.

Além disso, a crescente demanda global intensificou a pressão sobre os preços, impulsionada, sobretudo, pela entrada da China como um novo e promissor mercado consumidor. O aumento no consumo internacional fez com que a busca pelo grão se tornasse ainda mais competitiva, refletindo no encarecimento do produto.

Outro fator determinante foi o volume recorde de exportações brasileiras em 2024. O Brasil, maior produtor mundial de café, aproveitou a valorização do grão e direcionou grande parte da produção ao mercado externo, o que também contribuiu para a elevação dos preços. 

O alto custo de produção também tem sido um fator determinante para os produtores rurais, que precisam buscar alternativas para manter a produtividade e a qualidade das culturas. Além disso, a elevação nos preços dos insumos, como fertilizantes e combustíveis, pressionou ainda mais os custos de produção, exigindo planejamento e estratégias para minimizar impactos. 

Gôndolas 

Nas gôndolas de uma loja de rede de supermercados em Divinópolis, os preços variam entre R$ 18,98 e R$ 27,98, o pó de café tradicional de 500 gramas. Já os gourmets chegam a casa dos R$ 44,90 e batendo os R$ 63,90, como no caso do expresso Prima Qualita Gourmet. E olha que os  dois últimos preços ainda estão em promoção.

Nos supermercados, o café em pó registrou uma inflação de 43,41%, valor bem acima da média dos alimentos. E, de acordo com projeções, o preço pode continuar subindo entre 20% e 25% nos próximos meses.

— O café foi um dos itens que mais teve alta no decorrer de 2024. Para se ter uma ideia, tivemos na loja, um café, pacote de 500 gramas, que passou de R$ 14 para R$ 27 registrando uma alta de 92% em três meses. Pior é que a previsão é de mais altas para os próximos meses — revelou o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira.

Preços

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) monitora as vendas no varejo, por meio de 3 milhões de notas fiscais coletadas mensalmente em checkouts de todo o Brasil. Mediante os fatos, verificou-se que o preço médio dos cafés especiais sofreu um aumento de 9,80%, no decorrer de 2024. Já a categoria de cafés gourmets, registrou um aumento de 16,17%. O preço da categoria superiores também sofreu aumento (34,38%). O mesmo aconteceu com os tradicionais e extra fortes, que tiveram aumento de 39,36%. Os em cápsula também registraram um aumento nos preços (2,07%). E continuando com os dados da Abic, nos últimos quatro anos, a matéria-prima aumentou 224%, e o café no varejo, 110%.

A variação de preço ao consumidor do café torrado e moído foi de 37,4%,  no último ano, um aumento maior, por exemplo, que a média da cesta básica (2,7%). 

Consumo 

Os números, também segundo a Abic, apontam que o consumo da bebida no Brasil entre novembro de 2023 e outubro de 2024 registrou um aumento de 1,11% em relação ao período anterior, considerando dados de novembro de 2022 a outubro de 2023. O volume representa 40,4% da safra de 2024, que foi de 54,21 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Brasil segue como o maior consumidor dos cafés nacionais. No período anterior, o volume no Brasil representou 39,4% da safra, que foi de 55,07 milhões de sacas, ainda levando em conta os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Mercado

Perante os números, o mercado do café segue pressionado por novos aumentos, diante da valorização do grão na Bolsa de Nova York. A tendência de alta é impulsionada por preocupações com a produção da safra 2025/2026, que já apresenta sinais duvidosos.

— Para os consumidores, isso pode significar um impacto direto no custo final do café, no varejo. Já para os produtores, o cenário pode representar uma oportunidade, mas também exige cautela diante da instabilidade do mercado — detalha o supermercadista e também proprietário de uma torrefação Gilson Teodoro do Amaral.

Especialistas apontam que a oferta pode seguir pressionada nos próximos ciclos, com variações sazonais e desafios logísticos influenciando os valores. 

— Assim, os consumidores devem se preparar para um cenário de preços firmes no varejo, enquanto os produtores avaliam estratégias para manter a rentabilidade e lidar com os custos  —  avaliou o economista Lazaro Ribeiro.

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