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Antes de começar sua reforma, leia isto

Por Bruno
Antes de começar sua reforma, leia isto

Sempre que temos a intenção de fazer uma reforma, seja em um apartamento ou em uma casa, vem junto o sonho de melhorar o local onde moramos, de construir um lar com todas aquelas características que, para cada um de nós ou para nossa família, fazem mais sentido. Mas, junto dessa decisão e da realização desse sonho, vem também toda uma logística a ser levada em consideração, que não é nada simples.

Todo o processo da obra é basicamente dividido em duas partes: o planejamento e a execução. Muitas vezes — e isso ainda é muito comum aqui no Brasil — o planejamento não recebe a devida atenção. Temos a característica de dar muita importância à execução, que é quando o proprietário consegue ver seu sonho sendo concretizado. Mas é de extrema importância falar sobre como a fase de planejamento pode mudar completamente e impactar positivamente o cenário da execução.

Ǫuando falamos de planejamento, estamos nos referindo ao planejamento financeiro, ou seja, quanto estou disposto a gastar em todo o processo da obra, e ao próprio projeto arquitetônico da reforma. Dentro desse planejamento financeiro, basicamente temos os gastos com mão de obra, materiais a serem utilizados e honorários do arquiteto. Dentre os três itens citados acima, os custos dos dois primeiros (mão de obra e materiais) geralmente não são questionados pelo proprietário. Já a contratação do arquiteto é sempre uma questão a ser avaliada e, com isso, surgem algumas perguntas: “Será que preciso mesmo contratar um arquiteto? Será que devo arcar com esse custo adicional? É apenas uma pequena reforma; acho que consigo explicar ao pedreiro o que tenho em mente”. É aí que mora o perigo.

Primeiramente, convido o leitor a enxergar essa situação por outra perspectiva. Ǫuando se contrata um arquiteto, não se está gastando, mas sim investindo em seu sonho. Isso porque as chances de uma obra realizada sem os serviços de um arquiteto apresentar retrabalhos e não seguir um cronograma são muito grandes, e isso impactará diretamente o custo final, gerando gastos desnecessários.

Resumindo, posso afirmar, com base em minha experiência como arquiteta e docente de Arquitetura, que o arquiteto é o profissional capacitado para criar um projeto arquitetônico personalizado e auxiliá-lo durante todo o processo da obra.

Sempre costumo dizer aos meus clientes e alunos: a obra é uma caixinha de surpresas. Toda obra, de uma forma ou de outra, terá alguma intercorrência. Isso porque existem situações que fogem ao nosso controle. Por exemplo, em um caso hipotético, um projeto prevê a retirada de uma alvenaria de vedação para integrar dois ambientes. Ǫuando a demolição dessa parede começa, descobre-se um pilar em seu interior que, de forma alguma, pode ser removido, por se tratar de um elemento estrutural responsável por sustentar cargas. Nesse caso, o arquiteto terá que revisar o projeto junto ao cliente e propor uma nova solução para o espaço.

O que se deve entender é que imprevistos acontecerão ao longo da obra. Entretanto, quando há planejamento e um bom projeto de Arquitetura de Interiores, essas surpresas são minimizadas e existe maior controle sobre situações como a citada acima, pois o arquiteto, durante sua formação, é “treinado” para solucionar problemas.

Outra questão que também deve ser levada em consideração é que o arquiteto responde tecnicamente pela qualidade de seu projeto. Ele é o profissional que possui conhecimento não apenas para tornar os espaços belos e agradáveis, mas também para criar ambientes tecnicamente funcionais. Essa versatilidade de conhecimentos se deve ao fato de que o curso de Arquitetura possui em seu currículo disciplinas voltadas para questões de harmonia e criatividade, mas também contempla áreas como conforto ambiental das edificações e sistemas construtivos que compõem o edifício (estrutural, hidráulico, cobertura, entre outros).

Se ainda não convenci o leitor que chegou até aqui de que contratar um arquiteto é uma escolha acertada, talvez eu consiga convencê-lo agora. De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), a parcela do investimento total da obra destinada aos honorários do arquiteto em uma reforma varia entre 8% e 15%, dependendo da complexidade do projeto. Esse valor, quando comparado aos gastos com materiais e mão de obra, é relativamente menor, sem falar na redução de despesas decorrentes de erros que frequentemente acontecem quando o profissional de arquitetura não está envolvido no processo da obra.

A jornada de uma reforma é, muitas vezes, estressante, mas um bom arquiteto poderá auxiliá-lo a passar por esse processo com muito mais segurança, tranquilidade e previsibilidade.

Giovana Mileib Ramires, bacharel em arquitetura e urbanismo, especialista em Revitalização Urbana e Arquitetônica (UFMG), mestre em Arquitetura (Arquitetura de Museus - UFRJ), Doutora em Arquitetura (Representação Gráfica - UFRJ) e pesquisadora do Grupo “Educação do Olhar”. Docente UNA Divinópolis

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