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Cidades

Anti-inflamatórios não-esteroides aumentam risco de trombose e infarto

Por Portal Agora

Flávio Flora

O risco de ataque cardíaco pode aumentar com o uso de diclofenaco e ibuprofeno, medicamentos muito utilizados contra dores e inflamações e facilmente comprados sem necessidade de receita médica. Esta é a conclusão do mais novo estudo coordenado pelo professor-pesquisador Gunnar Gislason, da Universidade de Copenhague (Dinamarca).

Segundo a pesquisa, publicada no European Heart Journal, todos os anti-inflamatórios não esteroides (Aines) existentes no mercado elevam o risco de problemas cardíacos.

Graves riscos Comprovados

O artigo expõe os efeitos adversos dessas substâncias, que elevam o risco dos usuários sofrer uma parada cardíaca: diclofenaco (em 51%) e ibuprofeno (em 31%). Os resultados confirmam o que outras pesquisas anteriores concluíram: o uso de antiinflamatórios não esteroides (Aines) aumenta a chance de infarto, sendo grave risco para aqueles que já têm alguma doença cardiovascular, como a hipertensão.

Os pesquisadores alertam para o fato de que esses remédios estão expostos nas prateleiras e balcões das farmácias, e podem ser adquiridos sem orientação médica nenhuma.

— Permitir que esses medicamentos sejam adquiridos sem receita médica e sem qualquer conselho ou restrição envia uma mensagem ao público de que eles são seguros, quando não são — afirma o professor Gunnar Gislason.

Problemas cardiovasculares

Os colaboradores do pesquisador dinamarquês estudaram dados de pessoas que sofreram infarto na Dinamarca entre os anos de 2001 e 2010. Cerca de 29 mil casos ocorreram fora do hospital, dentre eles, 3,3 mil vítimas tinham tomado algum Aine, ao menos 30 dias antes da ocorrência do problema.

O estudo mostrou ainda que o ibuprofeno, tomado por 51% dos que usaram algum tipo de Aine, elevou o risco de parada cardíaca em 31%. O mais perigoso, o diclofenaco, que elevou o risco em 51%, foi ingerido por 22% dos pacientes. O naproxeno seria o Aine mais seguro quando ingerido em doses de até 500 mg.

Efeitos adversos

Um estudo de Andrea Arfè e colaboradores (2011), da Universidade de Milão (Itália), publicado no British Medical Journal, depois de avaliar evidências, também alerta para o aumento do risco de insuficiência cardíaca associados aos Aines.

— Nosso estudo reforça a evidência de efeitos cardiovasculares adversos dos Aines e confirma que eles devem ser levados a sério e usados apenas após a consulta de profissional de saúde — conclui a pesquisadora, destacando que, no caso do ibuprofeno, o limite máximo de uso seguro é de 1.200 mg por dia.

O efeito colateral dos Aines é descrito como agregação das plaquetas no sangue, o que pode levar a coágulos, além de estreitar as artérias e aumentar a retenção de líquidos e a pressão arterial.

Usar com cautela

Nas bulas do ibuprofeno e diclofenaco vendidos no Brasil há o alerta de que os medicamentos devem ser administrados com cautela a pacientes com histórico de problemas cardíacos. Alertam para a necessidade de cuidados e acompanhamento médico para esses pacientes ao ingerirem os medicamentos, além de restringirem a quantidade.

A reportagem apurou que, no Brasil, estão no mercado 24 marcas de remédios com Ibuprofeno e 106 de diclofenaco. Os medicamentos estão disponíveis em gotas ou em comprimidos com dosagens que variam de 50 mg a 600 mg. 

Vendidos sem prescrição

O próprio fabricante informa, no caso do ibuprofeno, que doses elevadas, acima de 2.400 mg por dia (ou dois comprimidos de 600 mg a cada 12 horas) "pode estar associada a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos (trombose) com infarto do miocárdio ou derrame".

Na bula do diclofenaco, a fabricante diz que o medicamento não é recomendado para quem tem doenças cardiovasculares, como "pressão arterial alta não controlada, insuficiência cardíaca congestiva, doença isquêmica cardíaca ou doença arterial periférica".

No Brasil, não há necessidade de prescrição médica para a compra desses medicamentos ou de qualquer outro antiinflamatório não esteroide. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamenta a venda de medicamentos, já provocada, ainda não se manifestou sobre a venda indiscriminada no Brasil.

 

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