Após 36 anos, Minas volta a eleger uma mulher para o Senado
Marília Campos faz história ao conquistar uma das duas vagas destinadas ao estado nas eleições deste domingo

Minas Gerais volta a ter uma mulher eleita para representar o estado no Senado Federal após 36 anos. Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, foi eleita neste domingo, 4, para uma das duas vagas em disputa nas eleições de 2026. Com o resultado, ela se torna a primeira mulher eleita senadora por Minas desde Júnia Marise, que ocupou uma cadeira na Casa entre 1991 e 1999.
Marília recebeu 3.982.263 votos, o equivalente a 19,43% dos votos válidos, e ficou em segundo lugar na disputa. Domingos Sávio (PL) conquistou a outra vaga, com 24,22%. Carlos Viana (PSD), que buscava a reeleição, terminou em terceiro, com 17,47%.
A eleição encerra um período de mais de três décadas sem que uma mulher fosse escolhida diretamente pelo eleitorado mineiro para ocupar uma das três cadeiras do estado no Senado. A última havia sido Júnia Marise, eleita em 1990. Desde então, Minas Gerais não havia elegido outra mulher para o cargo.
Trajetória
Natural de Ouro Branco, na região Central de Minas, Marília Aparecida Campos tem 65 anos e é formada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A trajetória política começou ainda na década de 1980, quando participou do movimento estudantil e da organização sindical. Ela também participou da fundação do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na região de Uberlândia.
Antes de chegar ao Senado, Marília exerceu diferentes cargos eletivos. Foi vereadora de Contagem a partir de 2001 e, em 2004, tornou-se a primeira mulher eleita prefeita do município. Ela voltou a comandar a cidade em outros três mandatos, nas eleições de 2008, 2020 e 2024. Também exerceu dois mandatos como deputada estadual em Minas Gerais.
Para disputar o Senado em 2026, Marília deixou a Prefeitura de Contagem. A candidatura colocou fim a um ciclo de atuação no Executivo municipal e abriu uma nova etapa de sua trajetória política, agora no Congresso Nacional.
Disputa acirrada
Durante a campanha, Marília apareceu entre os nomes mais competitivos nas pesquisas de intenção de voto. Na pesquisa Quaest divulgada em 29 de setembro, ela tinha 13%, contra 14% de Domingos Sávio e 12% de Carlos Viana e Aécio Neves. Como a margem de erro era de três pontos percentuais, os principais candidatos estavam tecnicamente empatados.
Às vésperas da votação, outro levantamento, do Datafolha, divulgado em 3 de outubro, apontava Marília com 21% dos votos válidos, seguida por Carlos Viana, com 19%, e Domingos Sávio, com 17%. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
Com a confirmação do resultado, Marília assume um mandato de oito anos e passa a integrar a bancada mineira no Senado a partir da próxima legislatura. A eleição também coloca novamente uma mulher entre os representantes escolhidos diretamente pelo eleitorado de Minas para a Casa, 36 anos depois da eleição de Júnia Marise.
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