Carregando clima…
Política

Urnas contrariam pesquisas, e Flávio termina primeiro turno à frente de Lula

Segundo turno será realizado em 25 de outubro; Minas Gerais muda de lado em relação à disputa de 2022

Por Redação Jornal Agora · Redação· 6 min de leitura
Urnas contrariam pesquisas, e Flávio termina primeiro turno à frente de Lula

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Com a totalização dos votos, o candidato do PL terminou a primeira etapa na liderança, com 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões, ou 45,16%. A nova votação está marcada para 25 de outubro.

Ao todo, o primeiro turno teve 158,7 milhões de eleitores aptos, dos quais cerca de 125,2 milhões compareceram às urnas. A abstenção chegou a 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores. Foram registrados ainda 2,3 milhões de votos brancos e 3,6 milhões de votos nulos para presidente.

A diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. O terceiro colocado foi o Escritor Augusto Cury (Avante), com 2,89% dos votos válidos. Na sequência ficaram Renan Santos (Missão), com 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%. Os demais candidatos tiveram menos de 0,3% cada.

Pesquisas

O desempenho de Flávio Bolsonaro ficou acima do projetado pela maior parte dos principais institutos na reta final do primeiro turno. Datafolha, AtlasIntel, Quaest, Meio/Ideia e Real Time Big Data indicavam Lula numericamente à frente ou em situação de empate técnico antes da votação.

No último levantamento do Datafolha, divulgado em 3 de outubro, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio. Na Quaest, também divulgada no sábado, o petista tinha 46%, enquanto o candidato do PL registrava 45%. Já o AtlasIntel apontava Lula com 47% e Flávio com 44,1%. O Real Time Big Data indicava 46% para Lula e 41% para Flávio, enquanto o Meio/Ideia mostrava 39,4% para o petista e 38,4% para o senador nas intenções de votos totais.

Os números também mostram que a diferença entre as pesquisas e o resultado das urnas não significa que todos os levantamentos tenham apresentado exatamente o mesmo cenário. Na véspera da votação, nove pesquisas haviam sido divulgadas, e Lula aparecia numericamente à frente em cinco, enquanto Flávio liderava em três. Em cinco levantamentos, os dois estavam dentro da margem de erro.

A avaliação do advogado especialista em Direito Público Jarbas Lacerda é de que o comportamento do eleitorado não foi captado integralmente pelos levantamentos e que existem diversos pontos a serem considerados.

— A abstenção recorde mostra o desinteresse de um grupo considerável dos eleitores em relação ao processo eleitoral, mais de trinta milhões de pessoas deixaram de votar. A falta de propostas claras, objetivas e compreensíveis também impactou neste cenário, contribuindo para o desinteresse do eleitor — destacou.

Para Lacerda, uma das razões está relacionada ao universo considerado pelas pesquisas. O advogado afirma que os levantamentos, em alguns casos, trabalham com uma parcela pequena da sociedade e que isso pode ter contribuído para a diferença entre as projeções e a apuração. 

— As pesquisas indicaram um cenário inverso daquele projetado. A simulação estatística das pesquisas não vem repercutindo o desempenho dos candidatos e o comportamento do eleitor.  O "erro" a meu ver está vinculado ao universo abrangido nas pesquisas, que por vezes considera uma parcela muito pequena da sociedade, bem como, deixa evidente que as pesquisas não possuem mais a influência que exerciam nas eleições anteriores — afirmou

Outro ponto destacado, foi a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) que também esteve presente no contexto eleitoral. 

— A crise no STF certamente influenciou no contexto eleitoral, visto que um dos principais argumentos eleitorais dos candidatos da direita foi com relação ao impeachment de ministros da Suprema Corte citados em escândalos, mesmo com o citado envolvimento de ministros do STF indicados pela direita — concluiu. 

Mapa nacional

A distribuição territorial dos votos manteve diferenças regionais entre os dois candidatos. Flávio Bolsonaro venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula ficou à frente em 12 estados. O petista concentrou sua vantagem principalmente no Nordeste, enquanto o candidato do PL venceu em estados das demais regiões.

Em relação a 2022, três estados mudaram de candidato vencedor. Tocantins e Minas Gerais, que haviam dado a maioria dos votos a Lula quatro anos antes, passaram a registrar vantagem para Flávio Bolsonaro. No Amapá, ocorreu o movimento inverso: o estado, que havia sido vencido por Jair Bolsonaro em 2022, passou a dar a maioria dos votos a Lula.

Minas Gerais

Minas Gerais teve papel importante no resultado nacional. O estado, que havia sido vencido por Lula no primeiro turno de 2022, passou a registrar maioria para Flávio Bolsonaro em 2026.

Com a apuração concluída, Flávio recebeu 48,26% dos votos válidos em Minas, com 5.772.882 votos. Lula ficou com 43,31%, totalizando 5.181.065 votos. Augusto Cury apareceu em terceiro, com 3,42%.

O comparecimento no estado foi de 77,18%, enquanto a abstenção chegou a 22,82%. Em 2022, o índice de eleitores que não compareceram às urnas havia sido de 22,29%, uma diferença de 0,53 ponto percentual.

A votação presidencial em Minas ocorre paralelamente a uma mudança importante no cenário político estadual. Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador no primeiro turno, com 55,4% dos votos válidos, enquanto Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT) foram eleitos para as duas vagas ao Senado.

Após a confirmação do segundo turno presidencial, Cleitinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro. A manifestação foi feita em Divinópolis, onde o governador eleito comemorou o resultado. 

Divinópolis

Em Divinópolis, Flávio Bolsonaro também terminou o primeiro turno na liderança. Com 100% das urnas apuradas, o candidato do PL recebeu 71.478 votos, correspondentes a 53,99% dos votos válidos. Lula ficou em segundo, com 49.403 votos e 37,31%.

O resultado municipal foi superior à vantagem registrada no cenário nacional. Enquanto Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% no país, alcançou 53,99% em Divinópolis. Lula, por sua vez, obteve 45,16% nacionalmente e 37,31% no município.

Augusto Cury teve 4.568 votos em Divinópolis, ou 3,45% dos válidos. Renan Santos registrou 3.219 votos, equivalente a 2,43%, enquanto Ronaldo Caiado teve 2.214 votos, ou 1,67%. Romeu Zema recebeu 1.277 votos, correspondente a 0,96%.

A cidade também foi o local onde Cleitinho acompanhou a apuração e comemorou a eleição para o governo de Minas. O resultado presidencial, portanto, acompanhou a predominância do campo político que elegeu o novo governador no município.

Segundo turno

Antes do primeiro turno, as pesquisas que simulavam uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro já indicavam um cenário de equilíbrio. O Datafolha divulgado em 3 de outubro mostrava Lula com 48% e Flávio com 45% em um eventual segundo turno, ambos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A votação definitiva, porém, ainda não ocorreu. O segundo turno será realizado em 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e Lula voltarão a disputar os votos dos eleitores. Os votos obtidos no primeiro turno não são transferidos para a segunda etapa: a definição do presidente dependerá exclusivamente da nova votação.


Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em outubro de 2026

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…