Após sancionar, Galileu defende lei do nepotismo

Pollyanna Martins
O prefeito de Divinópolis, Galileu Teixeira Machado (MDB), divulgou nota em que defende o projeto de lei 043/2018, que afrouxa a proibição do nepotismo na Administração Municipal.
A norma retirou apenas a “quaisquer” do artigo, que passou a vigorar com a seguinte redação: “Fica vedada a nomeação de parentes para cargos em comissão, seja de recrutamento amplo ou restrito, e para funções de confiança, na estrutura da Administração Direta e Indireta do Município de Divinópolis, em relação às seguintes autoridades”.
Com a retirada da palavra “quaisquer” do texto, a lei abre exceções para a contratação de parentes dos vereadores, do vice-prefeito, do procurador-geral, do controlador-geral, de assessores e do prefeito, para os cargos de secretário municipal ou similares. O projeto de lei, aprovado na reunião ordinária do dia 3 de abril, é de autoria dos vereadores Rodrigo Kaboja (PSD), Adair Otaviano de Oliveira (MDB), Ademir Silva (PSD), César Tarzan (PP), Josafá Anderson (PPS), Nego do Buriti (PEN), Renato Ferreira (PSDB) e Zé Luiz da Farmácia (PMN).?
O projeto foi sancionado por Galileu, nesta quarta-feira, 11, e passou a ser a Lei Municipal 8.425/2018. Em nota, divulgada pela assessoria de imprensa, o prefeito destaca que a lei é de autoria da Câmara e que a norma adapta a legislação municipal a um entendimento legal em prática estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante 13.
O prefeito criticou o fato de o Agora ter publicado a matéria “Galileu sanciona lei que favorece nepotismo”. Alegou que sancionar leis é um ato cotidiano do Poder Executivo.
— Qualquer tentativa de retomar e polemizar essa discussão apenas pelo fato de a lei ter sido sancionada, ato cotidiano para dar legalidade a qualquer lei, gera um entendimento errôneo dos fatos — afirmou.
Conforme argumentou o chefe do Executivo, a publicação “acabou fomentando a utilização indevida do assunto por parte de pessoas com interesses não comprometidos com a verdade”. Na nota, Galileu argumentou que qualquer tentativa de alegar que a Lei Municipal 8.425/2018 não adéqua a legislação municipal à Súmula Vinculante 13, deve ser tratada como mera intenção de deturpar os fatos com propósitos políticos ou escusos.
— Por fim, resta destacar que a Administração respeita os entendimentos e as convicções dos vereadores na apreciação dessa pauta, uma vez que eles agiram de forma legítima e de acordo com suas convicções, fazendo valer o que está previsto na Súmula Vinculante número 13, do STF — conclui.
A Câmara Municipal também divulgou nota para defender a lei.
Nota da Prefeitura
“Divinópolis, 13 de abril de 2018 - A Administração Municipal reafirma seu compromisso republicano e de total respeito à interdependência entre os Poderes. Assim, sobre a aprovação da lei de autoria da Câmara Municipal que adapta a legislação municipal a um entendimento legal em prática estabelecido pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF), destaca tratar-se de matéria já apreciada pelos vereadores e apresentada à sociedade por meio da imprensa.
Qualquer tentativa de retomar e polemizar essa discussão apenas pelo fato de tal encaminhamento ter sido sancionado pelo prefeito, ato cotidiano para dar legalidade a qualquer lei, gera um entendimento errôneo dos fatos. Convictos de não ter sido essa a intenção com a veiculação da matéria por se tratar de um jornal respaldado pela sua história de seriedade, tal publicação acabou fomentando a utilização indevida do assunto por parte de pessoas com interesses não comprometidos com a verdade.
Como forma de restabelecer a realidade dos fatos e na esperança de que isso se dê de forma definitiva, é preciso destacar que o projeto sancionado, de autoria da Câmara Municipal, apenas ajusta a legislação municipal ao que já está definido pela instância máxima do Poder Judiciário brasileiro. Qualquer tentativa de alegar o contrário deve ser tratada como mera intenção de deturpar os fatos com propósitos políticos ou escusos.
Por fim, resta destacar que a Administração respeita os entendimentos e as convicções dos vereadores na apreciação dessa pauta, uma vez que eles agiram de forma legítima e de acordo com suas convicções, fazendo valer o que está previsto na Súmula Vinculante número 13, do STF.”
Nota da Redação
A sanção do projeto, em si, merece ser notícia. É fato novo e relevante, ao contrário do que tenta fazer crer a nota da Prefeitura. O projeto é de autoria de vereadores. Portanto, o prefeito, diante do clamor popular, poderia tê-lo vetado. Mas o chefe do Executivo é livre e tem autonomia para agir mesmo contra a opinião pública. Da mesma forma, é livre e autônomo também o jornal para noticiar o ato público que entender relevante para seus leitores.
Porém, não precisaria da notícia para gerar polêmica. O fato, em si, é polêmico. A Prefeitura insiste em argumentar que meramente adaptou-se a lei à súmula. O que ela não diz é que não precisava fazer isso. O Município poderia muito bem ser exemplo na proibição do nepotismo e continuar sendo mais rígido nas nomeações do que a jurisprudência permite. No entanto, o prefeito e parte dos vereadores optaram pelo caminho de afrouxar a lei municipal.
Na mesma semana da sanção, Galileu enviou projeto de lei para exigir curso de engenharia e arquitetura para fiscais de obra. Nenhuma jurisprudência ou lei superior manda fazer isso. Mas a Prefeitura o fez para exigir mais qualificação dos fiscais.
Já com relação ao nepotismo, o prefeito prefere afrouxar a lei e abrir a porteira para nomeação de parentes nos cargos de secretários municipais. Não por acaso, mesmo antes de a lei municipal ter sido aprovada, o próprio Galileu nomeou uma filha, Cláudia Abreu Machado, como secretária de Obras.
Como já dito, o jornal apenas noticiou fato público relevante. Agora, quem deita na cama não deve reclamar da fama.
Nota da Câmara
“A Câmara Municipal de Divinópolis ao votar o projeto de Lei Ordinária PLCM 043/2018 que passou a ser Lei Municipal 8.425/2018 alterando a redação do art. 1º da Lei 6.706 de 31 de janeiro de 2008 esclarece que:
- O nepotismo continua proibido em Divinópolis.
- A legislação aprovada não permitiu o nepotismo.
- O Supremo Tribunal Federal editou em 2008 a Súmula Vinculante nº 13 que veda expressamente a nomeação de parentes até o 3º grau para ocupar cargos em comissão ou cargos de confiança na estrutura administrativa de todos os poderes. A redação dessa Súmula acabou sendo refletida nas legislações dos estados e dos municípios, o que não foi diferente em Divinópolis que também aprovou a sua legislação municipal para referendar o que está expresso na Súmula 13 que proíbe o nepotismo.
- A nova lei aprovada nesta legislatura adequou a legislação municipal aos mesmo texto da Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal que mantém a proibição ao nepotismo.
- Nenhum vereador que aprovou a matéria defendeu o nepotismo. Todos são contra a prática nefasta do nepotismo.
- Quando se fala da vedação à nomeação de parentes até determinado limite para ocupar cargos em comissão na estrutura administrativa tem-se que, a nomeação, pelo simples fato de demonstração do vínculo de parentesco, viola princípios que regem a administração pública, entre eles o princípio da impessoalidade e da moralidade administrativa.
- A lei de Divinópolis continuará proibindo o nepotismo e permitindo que exclusivamente o Chefe do Executivo nomeie os cargos de primeiro escalão dentro dos limites de técnica, competência e confiança que o cargo de primeiro escalão permite, segundo a Constituição Federal Brasileira e o entendimento do STF.
- A alteração na lei coloca o município de Divinópolis na mesma linha de entendimento do STF em relação a vedação dessa prática que é tão nefasta.”
Leia também
Galileu quer inaugurar hospital até o final do mandato, diz secretário de Saúde
Aprovada exigência de formação superior para fiscais de obras
Pais de crianças de projeto social apontam atraso no vale-transporte
Prefeitura de Divinópolis gastará R$ 800 mil em jazigos
Prefeitura pode ser a obrigada a divulgar cronograma de obras
Vereador Renato Ferreira é internado novamente
Mais recentes
Do nosso arquivo
Vereador Washington Moreira cobra explicações sobre fila de espera para colonoscopia no SUS
Câmara aprova projeto de Matheus Dias que cria programa de reinserção para dependentes químicos
Senadores cobram ministro por respostas a fraudes contra aposentados do INSS
Governo de Minas e multinacional firmam acordo de R$ 100 milhões
Veja tudo o que publicamos em abril de 2018
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




