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Política

Após ser descartado pelo Republicanos, Cleitinho reage e diz: "Vou ser candidato" 

Gleidson diz que pode desistir da candidatura a deputado  federal caso o impasse não seja resolvido

Por Jornal Agora· 6 min de leitura
Após ser descartado pelo Republicanos, Cleitinho reage e diz: "Vou ser candidato" 

A tentativa de reverter a decisão do Republicanos dominou a agenda política mineira nesta quarta, 29. Após ser surpreendido pela nota divulgada pelo partido, informando que ele não seria mais o candidato da legenda ao Governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) convocou, de última hora, uma coletiva de imprensa na Praça do Santuário, em Divinópolis. Durante o encontro, realizado na noite de quarta-feira, o parlamentar afirmou que será candidato, contestou a justificativa apresentada pela sigla, explicou os motivos que o levaram a adiar o anúncio e afirmou acreditar que a decisão ainda poderá ser revista.

Até o fechamento desta matéria, na tarde desta quinta-feira, 30, por volta das 16h, não havia novas movimentações públicas nem por parte de Cleitinho nem do Republicanos sobre o caso.

Surpresa e repercussão

A coletiva foi convocada poucas horas depois de o Republicanos divulgar uma nota informando que o senador havia "perdido o timing" para confirmar sua candidatura ao Palácio Tiradentes. No comunicado, o partido afirmou que aguardou durante meses uma definição do parlamentar, adiou decisões estratégicas e concluiu que não havia mais condições de manter o projeto político, oficializando apoio ao ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP).

Pouco depois da divulgação da nota, Cleitinho afirmou, em resposta exclusiva ao Agora, que foi pego de surpresa e que tomou conhecimento da decisão pelos veículos de comunicação de Belo Horizonte, assim como a população. O senador informou ainda que buscava esclarecimentos junto à direção da legenda.

Antes mesmo da coletiva, ele publicou nas redes sociais uma fotografia segurando a bandeira de Minas Gerais acompanhada da frase "Não vão me parar", sinalizando que pretendia continuar tentando viabilizar sua candidatura.

Coletiva

Durante a coletiva, Cleitinho afirmou não concordar com a justificativa apresentada pelo Republicanos de que teria perdido o momento adequado para lançar a candidatura.

— A primeira coisa que eu queria falar da nota do Republicanos é que eu não concordo com a questão do “timing” — declarou.

O senador explicou que havia informado anteriormente que anunciaria sua candidatura após a Copa do Mundo. Entretanto, segundo ele, o agravamento do estado de saúde e, posteriormente, a morte do irmão Matheus Azevedo alteraram completamente seus planos.

Cleitinho relatou que não havia condições emocionais de participar da convenção estadual do Republicanos, realizada no último sábado, nem de lançar uma candidatura poucos dias após o sepultamento do irmão.

— Como é que eu vou lançar uma candidatura? Que clima que eu tenho para fazer uma coisa dessa? — afirmou.

Ainda segundo o senador, a situação familiar também exigiu atenção dos irmãos devido ao estado emocional da mãe. Ele disse que explicou esse contexto ao partido e reiterou que compreende a necessidade da legenda de organizar suas alianças.

— Eu entendo também essa questão do partido. O partido precisa coligar, o partido precisa fazer articulações. (...) Mas como é legítimo também, eu passava por essa dor — destacou.

Cleitinho revelou ainda que encaminhou uma mensagem ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, justificando sua ausência na convenção estadual e chegou a pedir desculpas caso sua situação pessoal tenha prejudicado o planejamento partidário.

— Se essa questão minha, que foi pessoal, incomodou o partido, eu peço desculpa — ressaltou.

Mesmo assim, demonstrou confiança de que a situação poderá ser revertida. Segundo ele, dificilmente um partido abriria mão de um candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto.

— Qual partido vai querer perder um candidato, como eu, que está liderando com 40% de intenção? — disse.

Durante a coletiva, o Agora questionou Cleitinho sobre a declaração feita pelo presidente estadual do PL, Euclydes Pettersen, durante as convenções partidárias, de que aguardaria sua definição até o dia 5 de agosto, quando se encerra o prazo para fechamento das atas.

O senador afirmou não compreender o que ocorreu entre terça e quarta-feira e disse que ainda busca uma conversa com Marcos Pereira.

— Eu não sei o que aconteceu de ontem para hoje. (...) Eu tenho certeza que eles vão entender isso e vão me dar a chance de ser candidato a governador — destacou.

Após o encerramento da coletiva, em entrevista exclusiva ao Agora, Cleitinho afirmou que será candidato a Governador e voltou a demonstrar confiança de que conseguirá conversar com o presidente nacional da legenda.

— Amanhã ele vai atender, eu vou dar um abraço nele e ele vai falar que eu sou candidato — afirmou.

Outro momento de destaque ocorreu quando Cleitinho respondeu às críticas de que estaria evitando disputar o Governo de Minas.

— “Cleitinho está com medo de vir candidato”, eu não sou vocês, seus canalhas —pontuou.

Aliados

O ex-prefeito de Patos de Minas e apontado como vice na chapa, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), participou da parte final da coletiva e reafirmou seu apoio ao senador.

Segundo Falcão, deixou a Prefeitura de Patos de Minas e a presidência da Associação Mineira de Municípios para integrar o projeto político liderado por Cleitinho.

—Estou com ele até o final. A gente tem que olhar para frente (...) e resolver os problemas do Estado — disse.

Em entrevista ao Agora, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) afirmou que o partido já havia sido informado sobre a intenção de Cleitinho de disputar o Governo de Minas.

Segundo ele, o senador comunicou oficialmente ao presidente nacional do Republicanos, no último domingo, 26, que seria candidato e pediu prazo em razão do momento de luto vivido pela família.

— O prazo que ele tinha pedido para o partido está dentro do prazo, ainda, que é 5 de agosto — destacou.

Eduardo disse esperar que a direção nacional reveja a nota publicada e destacou que pesquisas recentes apontam Cleitinho na liderança da disputa estadual.

Também ao Agora, o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos), afirmou acreditar que a decisão do Republicanos decorre de uma falha de comunicação. Segundo ele, tanto lideranças do Republicanos quanto do PL já tinham conhecimento de que Cleitinho seria candidato.

— Todos foram pegos de surpresa. Eu acredito e espero que seja por falta de comunicação — afirmou.

Questionado se acredita que Marcos Pereira poderá rever a decisão, respondeu:

— Espero que sim. Não tem nenhum tipo de desculpa para poder falar que “perdeu o timng” — concluiu. 

Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta quinta-feira, 30, Gleidson disse que pensa em desistir da candidatura a deputado federal devido ao impasse entre o Republicanos e Cleitinho Azevedo. Ele afirmou que cogita deixar a política e pediu que a população pressione a direção nacional da legenda para rever a decisão. 

— Estou pensando em largar a política — afirmou

Cenário político

Enquanto Cleitinho buscava reverter a situação dentro do Republicanos, as articulações políticas continuaram em Belo Horizonte.

O governador Mateus Simões (PSD) reuniu-se  na manhã desta quinta-feira, 30, com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB) e, posteriormente, com o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP), que confirmou sua candidatura ao Governo de Minas.

Segundo informações do portal O Fator, a candidatura de Aro passou a reunir apoio de um grupo formado por integrantes do PL, Republicanos, União Brasil-PP e PRD-Solidariedade, movimento que ganhou força diante da indefinição envolvendo Cleitinho.

As reuniões também marcaram o rompimento político entre Mateus Simões e Marcelo Aro. Com isso, o governador deverá exonerar indicados ligados ao grupo de Aro da estrutura do Governo de Minas.

Mesmo diante desse avanço das articulações envolvendo outras forças políticas, Cleitinho afirmou acreditar que ainda conseguirá reverter a decisão do Republicanos e permanecer como candidato ao Governo de Minas. Até o fechamento desta reportagem, porém, não havia confirmação de qualquer reunião entre o senador e a direção nacional do partido, nem manifestação oficial indicando mudança no posicionamento divulgado pela legenda.



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