‘Não vão me parar’: Republicanos descarta Cleitinho; senador diz ter sido pego de surpresa
Diretório nacional do partido disse que decisão se deve exclusivamente à indecisão de parlamentar

A nota divulgada pelo Republicanos na manhã desta quarta-feira, 29, encerrou, ao menos dentro da legenda, a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. No comunicado, que causou grande repercussão, o partido afirma que trabalhou durante meses para viabilizar a candidatura, mas sustenta que o parlamentar nunca formalizou a decisão de concorrer. Pouco depois da divulgação, Cleitinho afirmou, em resposta exclusiva ao Agora, que foi pego de surpresa e que soube da decisão pelos veículos de comunicação de Belo Horizonte, ao mesmo tempo que a população.
Segundo o senador, ele e Eduardo Falcão, até então apontado como seu vice na chapa, ainda buscavam até o fechamento desta página, informações e esclarecimentos sobre a decisão anunciada pelo Republicanos. Algumas horas após a declaração, Cleitinho publicou nas redes sociais uma foto segurando a bandeira de Minas Gerais acompanhada da frase "não vão me parar".
Justificativa do partido
Na nota assinada pelas executivas estadual e nacional, o Republicanos afirma que aguardou durante meses uma definição do senador sobre a disputa pelo Palácio Tiradentes. Segundo a legenda, diversas decisões estratégicas foram adiadas para preservar a possibilidade da candidatura.
O comunicado afirma que a ausência de Cleitinho na convenção estadual realizada no último sábado, 25, representou "um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis". O partido também declarou que "o que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo", acrescentando que respeita a trajetória do senador, mas precisava dar previsibilidade ao projeto político.
O Agora conversou com o Diretório Nacional do Republicanos, por meio de sua assessoria de comunicação, e foi informado de que a decisão foi tomada em conjunto com o Diretório Estadual de Minas Gerais e se deve exclusivamente à indecisão de Cleitinho.
A assessoria informou ainda que a formação da chapa para o Governo de Minas envolve outros partidos, que cobravam um posicionamento da legenda, principalmente em razão da proximidade do início da propaganda eleitoral.
Com a definição, o Republicanos oficializou apoio ao ex-secretário de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP).
Reverter decisão
De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, pessoas ligadas ao Cleitinho informaram que ele vem tentando contato com o presidente nacional do partido, o deputado federal Marcos Pereira (SP), para tentar contornar a situação da sua candidatura, mas ele não estaria atendendo suas ligações.
O parlamentar também teria procurado o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em busca de novas articulações. No entanto, até o fechamento desta reportagem, por volta das 17h30, não havia conseguido avançar nas tratativas.
Regras eleitorais
A decisão anunciada pelo Republicanos também tem impacto em razão das regras da legislação eleitoral. Embora senadores possam mudar de partido sem depender da janela partidária, a lei determina que o candidato esteja filiado à legenda pela qual pretende disputar a eleição até seis meses antes do pleito. Para as eleições de 2026, esse prazo terminou em 4 de abril.
Nesse cenário, uma eventual candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas teria de ocorrer pelo Republicanos, partido ao qual estava filiado na data-limite estabelecida pela Justiça Eleitoral. A legislação brasileira também não permite candidaturas avulsas, exigindo que todo candidato esteja filiado a um partido político e tenha o registro da candidatura feito pela própria legenda.
Mudança de cenário
A decisão anunciada pelo Republicanos ocorreu poucas horas depois de uma sequência de fatos que indicavam um cenário diferente.
Até a noite de terça-feira, 28, Cleitinho era tratado como pré-candidato ao Governo de Minas. No mesmo dia, a pesquisa Genial/Quaest colocou o senador na liderança em todos os cenários testados para a disputa estadual.
No principal cenário de primeiro turno, Cleitinho aparece com 35% das intenções de voto, à frente de Alexandre Kalil (12%), Patrus Ananias (10%) e Mateus Simões (6%). O levantamento também mostrou que, sem o senador na disputa, Kalil assumiria a liderança, enquanto o percentual de indecisos subiria para 27%.
Após a divulgação da pesquisa, Cleitinho reforçou os sinais de que estaria na disputa. O senador publicou nas redes sociais uma imagem com a frase "Entre para a tropa do Cleitinho governador" e escreveu na legenda: "Líder absoluto! A tropa tá formada”!
No fim do mesmo dia, publicou um vídeo produzido com Inteligência Artificial em que aparece ao lado do pai e do irmão, Matheus Azevedo, falecido há pouco mais de uma semana em decorrência de leucemia. Na gravação, Matheus aparece com a bandeira de Minas Gerais.
— Vá e faça o que precisa ser feito. Nosso pai e eu estamos sendo muito bem cuidados aqui em cima, estaremos orgulhosos de você. Seja forte e corajoso. Não olhe nem para a esquerda nem para a direita, siga em frente. O povo te espera —disse no vídeo.
A expectativa de candidatura vinha sendo alimentada desde o período das convenções partidárias.
No sábado, 25, Cleitinho não participou da convenção estadual do Republicanos por estar de luto pela morte do irmão. Na ocasião, o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, afirmou que o partido respeitava o momento vivido pelo senador e que não faria pressão para antecipar o anúncio de sua pré-candidatura.
Já durante a convenção do Partido Liberal, realizada na segunda-feira, 27, lideranças da legenda demonstraram, ao Agora, confiança de que Cleitinho confirmaria a candidatura. Domingos Sávio afirmou torcer para que o senador disputasse o governo. Eduardo Azevedo declarou que havia conversado com o irmão e que ele garantiria a candidatura. Nikolas Ferreira também disse que o PL aguardava apenas a decisão do senador para definir sua estratégia eleitoral.
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