‘Perdeu o timing’: Cleitinho não disputará governo de Minas Gerais, diz presidente do Republicanos
Indefinição do senador frustrou o partido, que agora apoia Marcelo Aro ao governo

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) não será candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A informação foi confirmada à GloboNews pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (Republicanos-SP). Após o encerramento das articulações em torno do nome do senador, o partido oficializou apoio à candidatura do ex-secretário de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP).
Nota do Republicanos
Em nota assinada pelas executivas estadual e nacional, o Republicanos afirmou que trabalhou durante meses para viabilizar a candidatura de Cleitinho, mas que a decisão nunca foi formalizada pelo senador. (Confira a nota completa no final da matéria)
Segundo o comunicado, "a ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos — apesar das justificativas pessoais — representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis". O partido também declarou que aguardou uma definição clara do parlamentar, adiando decisões estratégicas para preservar a possibilidade da candidatura.
A nota acrescenta ainda que "o partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo". O Republicanos afirmou ainda que respeita a trajetória e o mandato de Cleitinho, mas ressaltou a necessidade de conduzir seu projeto político com responsabilidade e previsibilidade.
Convenção e indefinição
Cleitinho não participou da convenção estadual do Republicanos realizada no último sábado, 25, ocasião em que seu nome deveria ser aprovado pela legenda para disputar o Governo de Minas.
Mesmo após a ausência no evento, o senador passou a dar sinais de que poderia rever sua decisão. Na terça-feira, 28, após a divulgação de uma pesquisa Genial/Quaest que o colocava na liderança da disputa pelo governo estadual, Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial.
Na montagem, o senador aparece ao lado do pai e do irmão, Mateus Azevedo, que morreu na semana passada em decorrência de leucemia. Durante o vídeo, o irmão afirma: "Vá e faça o que precisa ser feito. Nosso pai e eu estamos sendo muito bem cuidados aqui em cima, estaremos orgulhosos de você. Seja forte e corajoso. Não olhe nem para a esquerda nem para a direita, siga em frente".
Repercussão política
A indefinição também impactou as articulações de outros partidos. O Partido Liberal (PL) aguardava a decisão de Cleitinho para definir o palanque do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República em Minas Gerais.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o senador "perdeu o timing" para disputar o governo.
"Cleitinho muda de ideia toda hora. Perdeu o timing até com o partido, com o Marcos Pereira. Ele é um bom senador. Mas para o Executivo vai ter dificuldade. O mineiro é educado, calmo. Cleitinho daquele jeito mais intenso não vai conseguir vencer no segundo turno", declarou.
Apoio a Marcelo Aro
Com a definição de que Cleitinho não disputará o governo estadual, o Republicanos oficializou apoio à candidatura de Marcelo Aro (PP). A decisão foi confirmada durante reunião realizada nesta terça-feira (28), com a participação de Aro, do senador Flávio Bolsonaro e de Marcos Pereira, por videoconferência.
Marcelo Aro seria candidato ao Senado na chapa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD). No entanto, a entrada do senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, no PSD inviabilizou esse cenário. Diante da mudança, o ex-secretário decidiu lançar candidatura ao Governo de Minas Gerais.
Nota completa
"O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.
Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos - apesar das justificativas pessoais - representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.
Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.
Republicanos de Minas Gerais
Executiva Estadual
Republicanos
Executiva Nacional"
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