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Política

A política não espera

Por Jornal Agora· 3 min de leitura
A política não espera

Na política, o tempo costuma ser tão importante quanto os votos. Quem demora demais para tomar uma decisão frequentemente descobre que outros decidiram por ele. Foi exatamente essa impressão que ficou após a surpreendente nota divulgada pelo Republicanos na manhã desta quarta-feira, anunciando que o partido não lançará a candidatura do senador Cleitinho ao Governo de Minas. O episódio expõe uma máxima conhecida dos bastidores: a indefinição prolongada acaba se transformando em definição — ainda que não seja aquela desejada pelo principal interessado. O desfecho pegou de surpresa até mesmo aliados próximos e o próximo senador, que revelou ter sido pego de surpresa. Na tarde anterior, lideranças como os irmãos Eduardo Azevedo (PL) e Gleidson Azevedo (Republicanos) ainda asseguravam que a candidatura estava de pé. Horas depois, o próprio Cleitinho publicou um vídeo indicando que disputaria o Palácio Tiradentes. No entanto, a nota oficial do seu partido mudou completamente o cenário. O senador afirmou com exclusividade ao Agora ter sido informado da decisão ao mesmo tempo que a população, por meio da imprensa, e insiste que continua acreditando na possibilidade de disputar a eleição. Politicamente, porém, o comunicado do partido transmite a impressão de que a paciência se esgotou.

Aro ganha força

É difícil ignorar que o senador pode ter pago um preço elevado pela demora em definir seu futuro eleitoral. Enquanto aguardava uma decisão, Republicanos e legendas aliadas conviviam com a impossibilidade de concluir suas chapas, organizar estratégias e planejar a campanha. Em um calendário eleitoral rígido, poucos partidos conseguem sustentar por muito tempo uma espera sem prazo. No fim, a indefinição deixou de ser apenas uma característica do processo para se tornar o fator determinante do próprio resultado. As consequências vão muito além do Republicanos. A sinalização de que o PL já iniciou conversas com Marcelo Aro (PP) para apoiar sua candidatura ao governo estadual mostra que o tabuleiro começou a se reorganizar rapidamente. Em política, espaços vazios raramente permanecem desocupados por muito tempo. Se um projeto perde força, outro imediatamente passa a ocupar seu lugar.

Totalmente contraditório 

Ao afirmar que Cleitinho não é mais o nome do Republicanos para a disputa da principal cadeira do Executivo do Estado, o seu presidente Euclydes Pettersen vai totalmente na contramão do que disse em seu discurso no dia da convenção na Assembleia Legislativa. Relembrou a morte de Matheus Azevedo — inclusive esteve no velório com os irmãos e familiares  — e afirmou que esperaria pela decisão do senador até o dia 5 de agosto, último dia para o fechamento da ata. Do dia para noite,  muda o posicionamento do nada? Pergunta que não quer calar: o que aconteceu? 

Quem ganha

Há também vencedores indiretos nesse novo desenho. Um deles é o deputado federal Domingos Sávio (PL), pré-candidato ao Senado. A pesquisa Quaest (MG-034/90/2026) divulgada nesta semana mostra Marcelo Aro à frente de Domingos Sávio em todos os cenários para o Senado. Caso Aro migre definitivamente para a disputa pelo Governo de Minas, a eleição para as duas vagas ao Senado ganha uma configuração completamente diferente, aproximando Domingos Sávio de uma das cadeiras que estarão em disputa em outubro.

Quem perde

Por outro lado, quem mais perde com a nova configuração parece ser o governador Mateus Simões (PSD). Desde o início de sua articulação política, seu objetivo era consolidar uma candidatura única da centro-direita em torno de seu nome, cenário que necessariamente passava pela ausência de Cleitinho na disputa. A ironia é que esse cenário começa, de fato, a se concretizar, mas não em benefício do governador. Em vez de herdar naturalmente esse espaço, Simões vê surgir um novo polo competitivo em torno de Marcelo Aro, agora fortalecido pela possibilidade de receber o apoio do PL, maior partido da direita no Congresso. Mesmo ocupando o cargo de governador e dispondo da estrutura administrativa do Estado, Simões continua encontrando dificuldades para transformar a máquina pública em capital eleitoral e ampliar seu desempenho nas pesquisas. Se essa tendência se confirmar, alcançar o segundo turno poderá representar um desafio muito maior do que se imaginava há poucos meses.


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