Café e pão francês lideram alta nos preços dos alimentos

Jorge Guimarães
O café da manhã está pesando mais no bolso dos brasileiros nos últimos meses. Quem tem o hábito de passar na padaria, pela manhã, para um lanche rápido, com um pão na chapa, ou prefere comprar os itens no supermercado para preparar já percebeu que os preços subiram nos últimos meses, especialmente o do café.
Motivos
O preço do quilo do pão registrou nos últimos meses um segundo aumento de 10%, dados da do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação. O reajuste reflete a elevação dos custos operacionais do setor, incluindo insumos e mão de obra, fatores que impactam diretamente no valor final repassado.
Já o cafezinho tradicional, indispensável no dia a dia dos brasileiros, também teve seu preço alterado, impulsionado pela alta de 33% no quilo do café moído, segundo dados do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE). O aumento na matéria-prima deve-se às oscilações do mercado, às variações climáticas e aos custos logísticos, que pressionaram toda a cadeia produtiva.
Preços
O café é uma paixão nacional e faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Seja em casa, no trabalho ou em uma lanchonete, a bebida é uma disponibilidade garantida no dia a dia. No entanto, os consumidores estão sentindo no bolso o impacto do aumento dos preços. Em alguns estabelecimentos, o café teve reajustes significativos.
Para aqueles que têm o hábito de tomar café logo pela manhã antes do trabalho, uma diferença nos preços já se tornou evidente. O comerciante Gustavo Almeida relata como a variação no valor da bebida tem afetado sua rotina.
— Eu sempre tomo café em uma quitanda perto de casa. Lá, antes do trabalho, ao lado dos amigos, o cafezinho e o pão de queijo formam as melhores companhias. Mas, só que o bolso já está sentindo. Até novembro, o café saia a R$ 1,50, mas desde dezembro foi para R$ 2,00. Enquanto isso, nas minhas idas ao Centro da cidade, o valor em alguns lugares os preços já chegam a R$ 2,50 — disse.
Os reajustes refletem a pressão dos custos no setor e podem impactar o bolso dos consumidores, principalmente aqueles que mantêm o hábito diário de tomar café.
O empresário do ramo de panificação, Kelmert Bueno, contou os desafios enfrentados para manter os preços acessíveis ao longo de 2024.
— Segurei os preços até onde deu, praticamente passei o ano todo trabalhando com o mesmo preço. Mas em dezembro tive que reajustar em R$ 0,50, passando de R$ 1,50 para R$ 2,00 — explicou.
Ele destacou que, apesar do aumento, ainda consegue manter os valores resultantes em alguns produtos, como as quitandas, mas alerta que isso pode não durar por muito tempo.
— O setor de panificação tem sido impactado por sucessivos aumentos nos custos de produção, como insumos, energia e transporte, resultando na necessidade de reajustes para equilibrar as contas. Mas, sigamos em frente apesar dos desafios do dia a dia — finalizou o empresário.
Supermercados
A reportagem percorreu na manhã de ontem três redes de supermercados distintas e constatou, mais uma vez, que pesquisar preços antes de fazer as compras pode representar uma economia significativa para os consumidores. Nos supermercados, o café em pó registrou uma inflação de 43,41%, valor bem acima da média dos alimentos. E, de acordo com projeções, o preço pode continuar subindo entre 20% e 25% nos próximos meses. Já o pãozinho de sal teve alta equivalente a 7%.
Um dos exemplos mais evidentes foi o preço do quilo do pão de sal. Em duas das lojas de supermercados era comercializado por R$ 13,98, sendo que em uma terceira loja a diferença ficou nos centavos, R$ 13,78.
O café moído, outro item bastante consumido no dia a dia, também apresentou variações consideráveis. O pacote de 500 gramas foi encontrado por valores entre R$ 26,50 e R$ 29,90 em um dos supermercados, dependendo da marca e tipo. Já em outro estabelecimento, o consumidor preço varia entre R$ 18,98 e R$ 29,89, também dependendo da marca e tipo. E numa terceira loja houve diferença de centavos. A pesquisa foi feita com o pacote de cafés tradicionais, não dos tipos goumerts e outros, que começavam com preços acima dos R$ 30.
— O café foi um dos itens que mais teve alta no decorrer de 2024. Para se ter uma ideia, tivemos na loja, um café, pacote de 500 gramas, que passou de R$ 14 para R$ 27 registrando uma alta de 92% em três meses. Pior é que a previsão é de mais altas para os próximos meses — revelou o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira.
Safra 2025
A produção total estimada para a safra de café beneficiada no Brasil em 2025 é de 51,8 milhões de sacas, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira, 28, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa uma redução de 4,4% em relação à safra anterior, refletindo fatores climáticos e as oscilações naturais do ciclo bienal da cultura cafeeira.
Apesar da queda, o Brasil segue como o maior produtor e exportador mundial de café, com destaque para as variedades arábica e conilon. A Conab apontou que a redução ocorre principalmente na produção do café arábica, que está em ano teve baixa produtividade dentro do ciclo bienal da cultura. Já o conilon deve apresentar leve crescimento, impulsionado pelo investimento em tecnologia e melhores práticas.
A estimativa da Conab serve como referência para o setor cafeeiro, impactando diretamente o mercado interno e as exportações. A expectativa agora é acompanhar as próximas revisões ao longo do ano para avaliar eventuais ajustes na produção.
Mercado
Perante os números, o mercado do café segue pressionado por novos aumentos, diante da valorização do grão na Bolsa de Nova York. A tendência de alta é impulsionada por preocupações com a produção da safra 2025/2026, que já apresenta sinais duvidosos.
— Para os consumidores, isso pode significar um impacto direto no custo final do café, no varejo. Já para os produtores, o cenário pode representar uma oportunidade, mas também exige cautela diante da instabilidade do mercado — detalha o supermercadista e também proprietário de uma torrefação Gilson Teodoro do Amaral.
Impacto
Em um cenário de inflação elevada, com diversos itens de consumo também sofrendo reajustes, o impacto tende a ser ainda mais significativo, especialmente para as classes de menor renda.
— Para esses consumidores, qualquer aumento no custo de produtos básicos pode comprometer ainda mais o orçamento mensal, levando à necessidade de substituições ou cortes em outras despesas essenciais. Esse cenário reforça a importância do planejamento financeiro e da busca por alternativas para amenizar os efeitos da alta nos preços — finaliza o empresário.
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