Calendário de vacinação infantil é prejudicado por fake news: "Não vamos atingir as metas"

A desinformação comprometeu a cobertura da vacinação infantil, tanto da covid-19 quanto das demais doenças. A conclusão é do secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Fábio Baccheretti, que concedeu coletiva nesta sexta-feira, 24. De acordo com o chefe da pasta, as afirmações falsas, sem qualquer base científica, deixaram os pais inseguros quanto à imunização dos filhos.
— A gente nunca atingiu meta de vacinação fácil, mesmo antes da covid, mas as fake news cresceram com a covid. Existem os grupos antivacinas e, hoje, com rede social, isso se dissemina muito rápido; é muito difícil combater isso no dia a dia — destacou.
O secretário explicou que, historicamente, “o brasileiro sempre foi favorável à vacinação, e o mineiro da mesma forma”. No entanto, desde janeiro do ano passado, quando as primeiras doses contra a covid passaram a ser distribuídas, a vacina se tornou tema principal de discussão no dia a dia dos cidadãos.
— Se a vacina se destacou, as pessoas vão ou defendê-las ou desprezá-las. E foi o que aconteceu.
O resultado foi a desconfiança não apenas sobre a eficácia e segurança dos imunizantes contra o coronavírus, mas, em efeito dominó, recaiu também sobre a proteção contra outras doenças.
— O calendário vacinal infantil, todo ele, foi prejudicado por causa de fake news, porque se alguém fala mal de uma vacina está falando mal de qualquer vacina — citou.
Com isso, Minas Gerais não deve alcançar as metas ideais de proteção contras as vacinas contempladas no calendário infantil.
— Não tenho dúvida de que a gente não vai atingir essas metas, muito provavelmente pelas fake news
O apelo é pela “boa informação”, conscientizando os pais sobre a necessidade do estímulo à proteção epidemiológica nas crianças.
— (...) tivemos vários óbitos em crianças, mas nenhuma criança morreu pela vacina: o que mata é a doença, não é a vacina. Eu conheço colegas, técnicos, que não levaram seus filhos com medo da vacinação. Muita gente tem medo da vacina, mas temos que ter medo da doença — frisou. — Nosso papel é contradizer as fakes news, dizer que as vacinas são seguras, esse é um ponto muito importante: pais com medo de vacinar os filhos. Nosso papel é esse, desfazer essas notícias.
O secretário também reforçou que, “se todas as crianças estivessem vacinadas, a gente praticamente não teria internações e óbitos por de covid neste grupo”. Neste mês, a aplicação da segunda dose em crianças saltou de 35% para 45%. Em 1ª dose, a cobertura é de aproximadamente 70%.
— É comum quando há o aumento de casos, pois os pais percebem a necessidade, mas ainda restam muitas crianças para tomar as vacinas. (...) As pessoas vivem pelo medo.
Novas doses pediátricas da Pfizer já foram solicitadas ao governo federal, que iniciou o processo de distribuição.
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