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Saúde

95% dos profissionais de enfermagem já sofreram algum tipo de agressão em MG

95% dos profissionais de enfermagem já sofreram algum tipo de agressão em MG

Da Redação 

Uma pesquisa divulgada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais mostrou que 95% dos profissionais da categoria já vivenciaram algum tipo de agressão durante o exercício da função.

O levantamento, feito por meio de questionários online, apontou que a maior parte das ocorrências envolve assédio moral (45%) e ofensas verbais (40%). A violência física foi mencionada em 9% das respostas, enquanto 3% relataram episódios de assédio sexual, número que, segundo especialistas, tende a ser maior devido à subnotificação. Como mais de 80% dos trabalhadores da enfermagem são mulheres, a vulnerabilidade se acentua.

Testemunhos de agressões

Os números foram debatidos em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada nesta quarta-feira, 17. Durante a reunião, trabalhadores e entidades relataram casos recentes que ilustram a realidade apontada pela pesquisa.

Entre os relatos, chamou atenção a situação de uma médica de Belo Horizonte que, em agosto, recusou-se a reproduzir um relatório de autismo feito por outro colega. A negativa resultou em uma série de pressões, lideradas inclusive por representantes comunitários, que chegaram a organizar um encontro no posto de saúde com presença de vereadores e integrantes da prefeitura. Diante da hostilidade, a médica sofreu uma parada cardíaca e segue hospitalizada.

Outro testemunho foi da enfermeira Najila Passos, que relatou ter sido vítima de injúria racial em março. Segundo ela, uma paciente a chamou de “urubu preto” diante de outras pessoas. O enfermeiro Marco Antônio Vieira citou ainda o caso de Juiz de Fora, onde uma médica foi atingida por uma pedra na cabeça durante atendimento.

Divinópolis

Em Divinópolis, uma mulher de 52 anos agrediu enfermeiras e funcionárias da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Nações, em junho deste ano.

De acordo com a Polícia Militar, a paciente havia sido atendida na unidade e, em seguida, encaminhada pelo Samu à UPA da cidade. Horas depois, retornou exaltada ao posto e desferiu tapas e empurrões contra duas servidoras. Uma técnica de enfermagem tentou contê-la, mas a situação se agravou e a agressora fugiu para a rua, simulando desmaio.

As profissionais relataram que não se tratava de um episódio isolado. A mesma mulher já havia ameaçado funcionários anteriormente, chegando a arremessar uma pedra contra o prédio da unidade. Conduzida posteriormente à delegacia, sua defesa informou que ela possui transtornos psicológicos e psiquiátricos.

Em nota oficial, a Prefeitura de Divinópolis repudiou o ataque, destacou que reforçou a segurança da unidade e informou que medidas legais estão em andamento.

Casos 

A audiência da ALMG também revelou números oficiais do Estado. Segundo o deputado Lucas Lasmar (Rede), em 2024 foram registradas 972 ocorrências de violência em unidades de saúde públicas mineiras. Apenas até setembro de 2025, já são 980 registros — superando o total do ano anterior.

Para lidar com o cenário, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais estruturou um plano com 29 medidas voltadas à valorização dos trabalhadores. De acordo com a superintendente Renata Lopes Xavier, 16 dessas iniciativas tratam especificamente da segurança no ambiente de trabalho.

As ações envolvem acolhimento das vítimas, incentivo ao diálogo entre usuários e equipes e a realização de atividades educativas voltadas à população. A Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) também destacou que possui fluxo de atendimento para profissionais agredidos e que mantém campanhas de humanização para reduzir conflitos.

Apesar das propostas apresentadas, alguns participantes da audiência chamaram atenção para problemas estruturais. Representantes da sociedade civil classificaram a transferência da gestão de hospitais para organizações sociais como uma forma de “violência institucional”, alegando falta de diálogo e queda na qualidade dos serviços.

Já o deputado Arlen Santiago (Avante) criticou o governo federal por atrasos nos repasses destinados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o que, segundo ele, sobrecarrega estados e municípios e impacta diretamente a remuneração dos trabalhadores.

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