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Saúde

Por que cada minuto  importa no atendimento ao paciente

Por Redação Jornal Agora · Redação· 4 min de leitura
Por que cada minuto  importa no atendimento ao paciente

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das emergências médicas em que o tempo tem papel fundamental. Quando falamos dessa doença, falamos também da oportunidade de preservar funções neurológicas, reduzir incapacidades e oferecer ao paciente melhores possibilidades de recuperação. Por isso, reconhecer rapidamente os sinais, estabelecer o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado são etapas essenciais da assistência.

Na nossa vivência no São João de Deus Complexo de Saúde, aprendemos que oferecer um atendimento ágil e seguro ao paciente com AVC depende não apenas do conhecimento técnico dos profissionais, mas também da organização dos processos e, principalmente, da integração entre as equipes. Não basta que cada profissional execute bem sua função individualmente. É necessário que todos trabalhem de forma coordenada, com objetivos comuns e fluxos bem definidos.

O atendimento começa, muitas vezes, antes mesmo da chegada do paciente ao hospital. A comunicação antecipada com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) permite que nossa equipe se prepare para receber o paciente, conheça previamente as informações clínicas disponíveis e organize as etapas iniciais da assistência. A partir daí, a atuação integrada entre a Sala Vermelha, a equipe médica, a radiologia, o laboratório, a farmácia e os demais profissionais envolvidos permite antecipar procedimentos, priorizar exames e reduzir esperas que podem comprometer a oportunidade de tratamento.

É com essa compreensão que trabalhamos no aprimoramento dos nossos fluxos assistenciais. A priorização da tomografia computadorizada de crânio, a organização da equipe e dos exames laboratoriais e a disponibilização de um kit específico para trombólise são exemplos de medidas que ajudam a tornar o atendimento mais ágil e previsível. São mudanças que, muitas vezes, não dependem da incorporação de tecnologias complexas, mas de planejamento, comunicação e compromisso coletivo com a qualidade da assistência.

Os resultados que acompanhamos demonstram a importância desse trabalho contínuo. Entre 2024 e setembro de 2026, conseguimos reduzir o tempo médio entre a chegada do paciente e a realização da tomografia de 33 para 11 minutos. No mesmo período de aprimoramento dos processos, o tempo médio entre a chegada ao hospital e o início da trombólise passou de 66 minutos, em 2024, para 46 minutos, em 2026. Esses resultados refletem a evolução de um processo construído com a participação de diferentes profissionais e setores, e não o esforço isolado de uma única equipe.

É importante lembrar que o AVC não se manifesta sempre da mesma maneira. Alterações súbitas na fala, desvio da boca, perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, alterações visuais e dificuldades para caminhar ou manter o equilíbrio são sinais de alerta. Diante de qualquer suspeita, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente e acionar o Samu pelo telefone 192. Não se deve esperar que os sintomas desapareçam nem tentar conduzir o tratamento em casa. Sempre que possível, é importante informar o horário em que os sintomas começaram ou quando a pessoa foi vista bem pela última vez.

Também precisamos reforçar a importância da prevenção. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e algumas doenças cardíacas estão entre os fatores que aumentam o risco de AVC. O acompanhamento médico regular, o controle adequado das doenças crônicas e a adoção de hábitos saudáveis são medidas fundamentais para reduzir esse risco.

Como médico intensivista e coordenador da Sala Vermelha, acredito que uma das principais lições dessa experiência é que a qualidade do atendimento começa muito antes da definição de uma conduta individual. Ela nasce da capacidade de organizar o serviço, integrar conhecimentos, estabelecer prioridades e garantir que cada profissional saiba como agir no momento certo. Em uma emergência tempo-dependente, diminuir atrasos evitáveis significa oferecer ao paciente uma oportunidade melhor de receber o tratamento indicado.

É esse compromisso com a melhoria contínua que deve orientar nosso trabalho. No Dia Mundial do AVC, precisamos ampliar a conscientização da população, mas também valorizar a organização dos serviços de saúde e o trabalho das equipes que atuam diariamente para oferecer assistência qualificada. Afinal, quando conseguimos unir conhecimento, agilidade e trabalho em equipe, estamos contribuindo para aquilo que realmente importa: preservar vidas, reduzir sequelas e mudar histórias.

Daniel Soares é médico formado pela Universidade de Itaúna, com especialização em Medicina Intensiva pelo São João de Deus Complexo de Saúde, credenciada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), e pós-graduação em Neurointensivismo pelo Hospital Sírio-Libanês. Atua na assistência a pacientes críticos desde 2016 e é coordenador médico da Sala Vermelha e das intercorrências do São João de Deus Complexo de Saúde, em Divinópolis, com atuação voltada à organização dos fluxos assistenciais e à qualificação do atendimento às emergências médicas.


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