Divinópolis aplica 31 mil doses contra a dengue desde 2024
Município contabiliza 19,9 mil primeiras doses e 11,4 mil segundas; no Brasil, mais de 3 milhões de adolescentes ainda precisam completar a imunização

Divinópolis aplicou 31.316 doses da vacina contra a dengue entre maio de 2024 e 27 de outubro de 2026. Desse total, 19.907 foram primeiras doses e 11.409 corresponderam à segunda aplicação. A diferença de 8.498 doses entre as etapas do esquema vacinal evidencia o desafio de ampliar a cobertura e garantir que o público contemplado pela campanha retorne às unidades de saúde para concluir a imunização.
Preocupação
Os números locais refletem uma dificuldade que também preocupa as autoridades sanitárias em nível nacional. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Agência Brasil, mais de 3 milhões de adolescentes brasileiros que receberam a primeira dose ainda precisam completar o esquema vacinal. Em todo o país, mais de 11,8 milhões de doses haviam sido aplicadas, sendo aproximadamente 7,6 milhões de primeiras doses e 4,2 milhões de segundas aplicações.
O cenário reforça a importância de estratégias para ampliar a adesão à vacinação, especialmente diante da proximidade do período mais quente e chuvoso do ano, quando as condições climáticas podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Em Divinópolis, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) tem intensificado as ações para alcançar pessoas que ainda não retornaram para receber a segunda dose.
A diferença entre as aplicações, entretanto, não significa necessariamente que todos os usuários que receberam a primeira dose abandonaram a vacinação. Isso porque o intervalo recomendado entre as duas aplicações é de 90 dias. Parte das pessoas contabilizadas na primeira etapa pode, portanto, ainda estar dentro do prazo previsto para completar o esquema.
Diferença
Considerando os números divulgados pela Semusa, as primeiras aplicações representam aproximadamente 63,6% do total de doses em Divinópolis no período analisado. As segundas correspondem a cerca de 36,4%. A diferença entre os dois quantitativos é um indicador da necessidade de acompanhar o retorno dos vacinados, embora não permita, isoladamente, determinar quantas pessoas estão com o esquema atrasado.
Isso ocorre porque os dados apresentados contabilizam doses aplicadas, e não necessariamente pessoas que deixaram de completar a imunização. Para identificar a proporção exata de usuários com a vacinação incompleta, seria necessário considerar a data da primeira aplicação de cada pessoa e verificar se o prazo para a segunda dose já venceu.
De acordo com a Semusa, houve maior procura pela vacina no início da campanha, quando a aplicação estava concentrada nas unidades de saúde. Naquele momento, ainda não eram realizadas ações extramuros, como as iniciativas em escolas e os atendimentos itinerantes.
A ampliação das estratégias de vacinação busca facilitar o acesso do público e estimular o retorno de quem recebeu apenas a primeira dose. A secretaria vem intensificando a busca ativa, com atividades em instituições de ensino e atendimentos pelo Vacimóvel.
Cenário nacional
No Brasil, a dificuldade para concluir o esquema vacinal também aparece nos números apresentados pelo Ministério da Saúde. Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, mais de 3 milhões de adolescentes que receberam a primeira dose ainda precisam tomar a segunda. Além disso, quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios permaneciam sem utilização, segundo os dados apresentados durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro.
A estratégia nacional de vacinação com o imunizante utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem como público prioritário crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A escolha dessa faixa etária levou em consideração critérios epidemiológicos, a disponibilidade de doses e a necessidade de priorizar grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.
Em Divinópolis, a estratégia municipal foi ampliada em outubro e passou a contemplar crianças a partir dos 4 anos, conforme informações divulgadas pela Semusa. A ampliação permite alcançar um público maior, mas também exige organização das ações e acompanhamento da aplicação das doses para que os beneficiários completem o esquema recomendado.
Vacinação e prevenção
A vacina é uma das ferramentas de enfrentamento à dengue, mas não substitui os cuidados para eliminar os criadouros do mosquito. A retirada de recipientes que acumulam água, a limpeza de quintais e calhas e a manutenção de caixas-d'água fechadas continuam entre as principais medidas para reduzir a proliferação do Aedes aegypti.
A preocupação aumenta com a aproximação do verão, quando as temperaturas elevadas e as chuvas podem favorecer a reprodução do mosquito. A possibilidade de uma temporada mais intensa, associada à previsão de influência do fenômeno El Niño, também reforça a necessidade de manter a vigilância e as ações preventivas.
Em Divinópolis, a Semusa aposta na busca ativa e na diversificação dos pontos de vacinação para ampliar a cobertura. A orientação é que as pessoas que já receberam a primeira dose procurem uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal e confirmar quando devem receber a segunda aplicação.
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