Preços dos medicamentos serão reajustados partir de segunda-feira

Jorge Guimarães
Os preços dos medicamentos em todo o país terão um reajuste de até 5,06% a partir da próxima segunda-feira. O percentual, que funciona como um teto para as farmácias, foi aprovado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão responsável por estabelecer os limites para a correção dos valores no setor farmacêutico.
Fatores
O reajuste anual é baseado em fatores como a inflação acumulada, custos de produção e a variação cambial. Apesar da autorização, as farmácias e drogarias não são obrigadas a aplicar o aumento imediatamente, o que pode resultar em variações de preços conforme as estratégias comerciais de cada estabelecimento.
Diante da mudança, especialistas orientam os consumidores a pesquisarem preços e buscar alternativas como medicamentos genéricos, que costumam ter valores mais acessíveis.
— Pesquisar é a arma do consumidor, pois programas de descontos oferecidos por laboratórios e farmácias podem ajudar a minimizar o impacto do reajuste para a população — avalia o economista Leandro Maia.
Oficializar
O reajuste de até 5,06% nos preços dos medicamentos ainda precisa ser oficializado com a publicação da resolução no Diário Oficial da União. Para que isso ocorra, falta apenas a assinatura do conselho de ministros responsável pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão que estabelece os limites para a correção dos valores no setor farmacêutico.
A expectativa é que a medida entre em vigor na próxima segunda-feira, permitindo que as farmácias ajustem os preços dentro do percentual máximo definido. No entanto, a aplicação do reajuste pode variar entre farmácias e drogarias, já que a adoção dos novos valores não é obrigatória de imediato.
Preços praticados
O reajuste autorizado pela Cmed, não significa um aumento automático. O percentual estabelecido funciona como um teto, e as empresas têm liberdade para aplicar o índice total ou optar por um reajuste menor, conforme suas estratégias comerciais.
Desta forma, os valores dos medicamentos podem variar entre farmácias e drogarias, dependendo de fatores como concorrência, demanda e políticas de preços de cada estabelecimento.
— De acordo com cada estabelecimento, levando em conta a sua reposição de estoques e das estratégias comerciais, o aumento a ser praticado pode demorar alguns dias — avaliou o gerente de uma farmácia, Hyago Saldanha.
Aumento
Os medicamentos desempenham um papel essencial no bem-estar e na qualidade de vida da população. No entanto, o acesso a esses produtos a preços razoáveis tem se tornado um desafio crescente. O farmacêutico André Luiz Vasconcelos alerta para os impactos do aumento constante dos preços, que representa uma barreira significativa, especialmente para aqueles com recursos financeiros limitados.
— Os medicamentos são elementos fundamentais para o bem-estar e a saúde da população, sendo essencial a acessibilidade a preços razoáveis. No entanto, o constante aumento dos preços dos remédios representa uma barreira significativa para muitos — avalia Vasconcelos.
Além da dificuldade financeira imposta aos pacientes, o profissional também expressa outra preocupação: os riscos que a alta nos valores pode trazer para a saúde pública.
— O aumento dos preços dos medicamentos pode ter impactos adversos na saúde pública, incentivando a automedicação, que é prejudicial à saúde, ou até mesmo a interrupção do tratamento devido à dificuldade de arcar com os custos. Isso pode resultar em consequências graves para a saúde — pontua.
Acessibilidade
O acesso a medicamentos a preços justos é um dos pilares fundamentais para a promoção da saúde pública. No entanto, tem dificultado esse acesso, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população. Diante desse cenário, o farmacêutico destaca a necessidade de medidas que garantam valores mais acessíveis, incluindo políticas de controle de preços, incentivos à produção local e investimentos contínuos no setor da saúde.
— Portanto, é necessário que sejam tomadas ações concretas para garantir que os medicamentos permaneçam acessíveis e que o direito à saúde seja protegido para todos os membros da sociedade. A saúde não deve ser um luxo, mas, sim, um direito fundamental a ser preservado e protegido a todo custo — finaliza Vasconcelos.
Pesquisas
Diante do aumento muitos consumidores têm buscado alternativas para reduzir os custos e garantir a continuidade de seus tratamentos. A aposentada Maria Aparecida Alves é um exemplo dessa realidade. Diagnosticada com uma doença rara, há seis anos ela depende de uma série de remédios para manter sua saúde e qualidade de vida.
A principal estratégia encontrada por ela para minimizar os gastos é a pesquisa de preços em diferentes drogarias.
— Os valores variam muito de uma farmácia para outra. Antes de comprar, eu pesquiso bastante, comparo os preços e, muitas vezes, consigo economizar um pouco — relata.
A busca por alternativas acessíveis reflete a dificuldade enfrentada por muitos.
— Já estou calejada de pesquisar preços e peço até o desconto dado pelo laboratório e, caso não consiga, tento em outra drogaria. Por exemplo, eu tomo um anticoagulante que custa, em média, sem esse aumento, em torno de R$ 360 a cartela com 28 comprimidos. Fazendo minhas pesquisas, já consegui comprar até por R$ 319, que já é uma ótima diferença. Eu gasto, em média, R$ 650 mensais, e já vou começar as minhas ligações para ver onde está mais barato — conta.
Procon
Aumentos maiores do que o estabelecido devem ser denunciados à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) através do site gov.br/anvisa.
O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) também deve ser acionado. Em Divinópolis, o órgão funciona na avenida Getúlio Vargas, número 121, anexo ao Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC).
No programa Farmácia Popular, remédios para hipertensão, diabetes ou asma ficam disponíveis de graça nas redes credenciadas do “Aqui tem Farmácia Popular”. O programa também oferece outros remédios com preços até 90% mais baixos. Basta ir a uma farmácia credenciada, apresentar a identidade e a receita, que não necessita ser de um médico do Sistema Único de Saúde (SUS).
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