Candidato nega ter pedido vídeo manipulado a empresa

Da Redação
O candidato a vereador de Divinópolis, Ricardo Andrade (Solidariedade), é acusado de solicitar a produção de um vídeo falso utilizando inteligência artificial. A denúncia é do diretor do Grupo Elo Consultoria, Felipe Gabriel, ao Ministério Público (MPMG). Ricardo nega a acusação.
Denúncia
O depoimento ao qual o Agora teve acesso é de 9 de setembro, quando o denunciante compareceu à 8ª Promotoria de Justiça. Nele, Gabriel, sócio de um grupo que presta serviços de ciência política, atuou na campanha do candidato a vereador. Segundo relatou à Justiça, no dia 4 de setembro, foi questionado pelo candidato se ele produziria vídeos falsos com cunho político. Ricardo teria relatado que a candidata a prefeita Laiz Soares (PSD) estava a interessada na produção de um vídeo falso, com o uso de inteligência artificial, "de um homem supostamente desferindo um tapa em Laiz Soares, enquanto utilizava um adesivo do candidato Gleidson Azevedo (Novo)”. O denunciante respondeu que a produção de tal conteúdo era inadequada. Relatou, ainda, jamais ter conversado com Laiz ou assessores da candidata.
A insistência de Ricardo no tema o levou a romper o contrato de prestação de serviço e a procurar a defesa do prefeito para relatar o caso.
Negou ter recebido ameaças.
Posicionamento
Ao Agora, o sócio da empresa disse ver a postura com “grande pesar”.
— Apesar de termos encerrado duas filiais na cidade de Divinópolis e de termos decidido, como norma, que uma das empresas do nosso grupo, a Elo Consultoria Política, não atuará mais na cidade, após a reforma em uma de nossas sedes, a empresa continuará suas operações, exceto na área política devido ao caso e por acharmos a política de Divinópolis muito "suja", poucos estão preocupados com as causas sociais — informou.
Rebateu, ainda, as alegações de fake news.
— Creio que houve uma falta de cordialidade e respeito por parte do candidato ao desqualificar as acusações como infundadas. Estamos com este caso em trâmite no Ministério Público e temos um processo no Tribunal Superior Eleitoral relacionado a uma doação que não foi realizada por mim, mas que, inexplicavelmente, consta sob meu nome. Além disso, estamos com ações judiciais por falsidade de identidade, usurpação de identidade e falsidade ideológica — apontou.
Por fim, voltou a lamentar o caso.
— Sinto-me entristecido e decepcionado com a situação atual da política. Para finalizar, permitam-me parafrasear Bertolt Brecht: “Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?” — concluiu.
À reportagem, ele enviou algumas das provas juntadas à denúncia. Dentre elas, dois áudios. Em um deles, o sócio da empresa tenta dissuadir o candidato.
— É uma ideia muito ruim para o seu nome. (...) Não compensa, não. Você tem um trabalho feito na comunidade — afirma.
Defesa
Ao Agora, Ricardo negou as acusações. Segundo ele, trata-se de “covardia” e “perseguição”.
— Não fiquei surpreso, a gente sabe que o jogo é sujo — afirmou.
Ricardo registrou, na manhã de ontem, acompanhado de seu advogado, um boletim de ocorrência, bem como uma representação contra o denunciante. Contou, ainda, ter ido à sede da Polícia Federal, uma vez que o Ministério Público teria remetido a denúncia ao órgão, porém foi informado não ter nenhuma ação em trâmite com seu nome.
Para o candidato, as devidas providências revelarão, em tempo oportuno, a “covardia” da qual é vítima.
— Temos que acabar com essa perseguição — conclui.
Candidata
Procurada, a assessoria de Laiz informou não ter conhecimento da denúncia.
— Não fomos citados sobre nada — comunicou.
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