Central de Vacinas irá receber mais de 4 mil doses contra febre amarela

Rafael Camargos
A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) irá receber, na próxima semana, um reforço na imunização contra a febre amarela em Divinópolis. O setor epidemiologia aguarda mais 4 mil doses do Ministério da Saúde. Atualmente, o município está com um estoque de 2 mil vacinas. A?região registrou epidemia em 2001, quando foram confirmados 32 casos e 16 mortes. Até o momento, em Minas Gerais, foram notificados 23 casos suspeitos. Destes, 16 são casos prováveis de febre amarela, 23 casos suspeitos e 14 evoluíram para a morte (porém ainda não há confirmação da causa das mortes). Nos últimos cinco dias, foram registradas 110 suspeitas da doença. O governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), em visita a Teófilo Otoni, ontem, 13, exigiu prioridade no diagnóstico, já que Minas está em alerta.
Prevenção
Segundo o epidemiologista da Semusa, Osmundo Santana Filho, o alerta foi divulgado em Divinópolis por conta das epidemias registradas em algumas regiões do estado neste mês, como no Vale do Rio Doce e adjacências.
— O alerta foi feito ao profissional da saúde e à população, porque Minas Gerais passou a registrar neste mês uma epidemia da doença. Temos contabilizados mais de 100 casos no estado.
Osmundo continua dizendo que, há 16 anos, não havia uma epidemia tão forte em Minas e que a doença chamou atenção novamente no Centro-Oeste devido à mortalidade de macacos na região de Tapiraí.
— Em 2001, o Centro- Oeste registrou uma epidemia com 32 casos confirmados e 16 mortes. Isso evidenciou a circulação vírus amarílico na região. Isso fez com que reforçássemos o nosso entendimento sobre a doença, além do recente aumento na taxa de mortalidade de macacos em Tapiraí — esclarece o epidemiologista.
Mesmo com muitas notificações, a Cidade do Divino não tem casos notificados e, se a população se vacinar, as chances caem ainda mais.
— A prevenção e o controle são as melhores saídas. Existe a vacina e ela não tem imunização de grupos, é para toda a população. A única condição para que não haja casos e para que a epidemia esteja sob controle, é ter 100% das pessoas vacinadas, tanto na zona rural quanto na cidade — destaca.
Vacinação
Para se vacinar, é preciso apresentar o cartão de vacinas. Caso o cidadão já tenha se protegido, a reaplicação da dose é dispensável. Se o morador tiver perdido o documento, ele deve receber uma nova dose. A equipe técnica irá avaliar os casos. A imunização não é indicada a gestantes e mulheres que estejam amamentando, crianças menores de seis meses e idosos, acima dos 60 anos. Pessoas que têm doenças autoimunes também devem tomar cuidado.
Postos
A rigor, todas as pessoas que residem em Minas Gerais ou estão a caminho devem que ser vacinadas. O estado todo é considerado transmissor da febre. Mesmo sem campanha, a população tem buscado a imunização e Osmundo garantiu que a quantidade é suficiente para o número de habitantes.
— Pessoas que residem em zona rural, que fazem turismo ou quem vêm de fora têm de estar em dia. A vacina está disponível em todas as unidades. Não temos nenhum caso notificado, de acordo com a Superintendência Regional de Saúde (SRS), que monitora as 54 cidades — finalizou
Prioridade
Em discurso, Fernando Pimentel afirmou que o crescimento dos casos de febre amarela é sério, merece atenção e dedicação, mas ressaltou que não há motivo de alarme. De acordo com o governador, essa é a maior preocupação do governo.
— A febre amarela, que o Brasil julgava erradicada há 70 anos, se manifesta outra vez e mostra muita força desta vez. É uma preocupação muito grande que nós temos para evitar que essa situação, que hoje é de atenção, não vire de emergência. As providências já estão sendo tomadas, mas nós não podemos esmorecer e não podemos vacilar. Hoje, essa é a mais importante questão para o governo do Estado — afirmou.
Ainda de acordo com Pimentel, apesar do momento de dificuldades financeiras enfrentado pelo Estado, o Governo de Minas Gerais não vai poupar recursos no combate à doença.
— A febre é uma doença com alto grau de letalidade. Então, a melhor forma de enfrentar é a vacinação, que é o que estamos fazendo agora em massa nos municípios em que a doença foi detectada. Temos de redobrar os esforços, não poupar recursos, não poupar tempo nenhum. O desafio que está posto é muito grande. E para enfrentar e vencer, nós vamos precisar trabalhar muito, e é por isso que eu fiz questão de vir aqui pessoalmente— completou Pimentel.
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