Com alta nas notificações, Saúde se reúne para tratar da febre maculosa

Lucas Maciel
Minas Gerais vive um momento de alerta com o avanço da febre maculosa, doença infecciosa transmitida por carrapatos infectados. Só em 2025, o estado já confirmou quatro mortes e 29 casos da doença, além de outros 13 ainda em investigação. A situação mais crítica foi registrada em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde duas pessoas morreram no último mês e as aulas da rede pública foram suspensas para dedetização das escolas.
Diante do cenário, profissionais da Atenção Primária e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) se reuniram em Divinópolis nesta segunda-feira, 29, para uma capacitação promovida pela Superintendência Regional de Saúde (SRS). Entre janeiro de 2022 e agosto de 2025, a cidade e outros municípios da sua macrorregião notificaram quase 300 casos suspeitos da doença.
A febre maculosa é uma doença febril aguda, de rápida evolução e alta letalidade, cujo tratamento precoce pode ser decisivo para a sobrevivência dos pacientes.
Encontro
Como parte das ações de enfrentamento à doença na macrorregião Oeste, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis promoveu, no auditório da instituição, um encontro voltado a reforçar orientações sobre vigilância epidemiológica e manejo clínico da doença.
A iniciativa foi coordenada pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) da SRS e reuniu profissionais de saúde de diversos municípios da região. Durante a capacitação, foram abordadas as formas de transmissão, os sinais clínicos da febre maculosa e a importância do diagnóstico precoce para evitar a evolução para quadros graves, com alta taxa de letalidade.
A referência técnica em Doenças Febris Hemorrágicas do Nuvepi, Renata Fiúza Damasceno, destacou que a febre maculosa pode se apresentar de forma leve e atípica, o que exige atenção redobrada dos profissionais. Segundo ela, a rápida suspeição clínica é um dos principais fatores para reduzir a letalidade.
— Vale pontuar que a maioria dos pacientes infectados teve contato com o carrapato em locais com vegetação, como mata e nas proximidades de rios e cachoeiras. Para transmissão da febre maculosa, é necessário que o carrapato infectado esteja fixado ao corpo humano por pelo menos quatro horas — explicou.
Já o médico Fagner Lúcio de Toledo, da Força Estadual do SUS, chamou a atenção para o papel da escuta clínica e da investigação epidemiológica no atendimento aos pacientes. Segundo ele, o contexto de exposição do paciente é determinante para a suspeição do diagnóstico.
— É relevante entender o contexto em que o paciente vive e trabalha, pois o conhecimento sobre a área de origem e os ambientes em que o paciente esteve pode fornecer informações cruciais para o diagnóstico da febre maculosa — afirmou.
Divinópolis
Na avaliação local, Divinópolis mantém o alerta ligado para a febre maculosa, embora não tenha registrado confirmações em 2025 até o dia 11 de agosto, quando o último balanço da doença foi atualizado. De acordo com dados oficiais, oito casos foram descartados e dois permanecem em análise neste período.
Ainda assim, o histórico recente da cidade acende um sinal de atenção. Em 2024, por exemplo, foram 49 notificações no município, com nove confirmações e um óbito registrado. Uma das medidas adotadas, na época, foi a interdição temporária do Parque da Ilha após a identificação de carrapatos no local.
O histórico de interdições na área verde não é recente. Em 2018, ano em que Divinópolis registrou quatro mortes pela doença, o Parque da Ilha também foi fechado por risco de contaminação e só foi reaberto meses depois, em janeiro de 2019, após ações de controle e monitoramento.
Minas Gerais
Em nível estadual, os dados mais recentes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), divulgados em 1º de outubro, confirmam 29 casos de febre maculosa em 2025, com quatro mortes. Outros 13 casos ainda estão sob investigação.
As mortes confirmadas ocorreram nos municípios de Caeté (2), Matozinhos (1) e Pedro Leopoldo (1), todos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A taxa de letalidade neste ano chega a 13,7%.
Segundo a SES-MG, como forma de enfrentamento à doença, o Estado realiza o monitoramento contínuo dos casos suspeitos e confirmados, além de promover capacitações periódicas, divulgar materiais técnicos e apoiar as ações de vigilância e educação em saúde nos municípios.
Situação crítica
Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, enfrenta uma das situações mais preocupantes do estado. Após a confirmação de duas mortes por febre maculosa no último mês, a prefeitura decidiu suspender temporariamente as aulas da rede pública para realizar a dedetização de 23 instituições de ensino.
A interrupção do calendário letivo começou em 29 de setembro, um sábado letivo, e deve se estender até este domingo, 5, para a aplicação do inseticida. Na segunda-feira, 6, está prevista a limpeza dos espaços escolares e, na terça, 7, o retorno dos mais de 3.200 alunos às salas de aula. A Secretaria Municipal de Educação informou que não há casos confirmados entre os estudantes até o momento, mas investiga situações suspeitas que seguem em análise.
Segundo o boletim epidemiológico mais recente divulgado pela Prefeitura, Caeté já soma 54 notificações da doença. Foram confirmados dois casos — ambos com óbito —, seis foram descartados e 46 seguem em investigação. Paralelamente, a rede estadual de ensino também anunciou o reforço das ações de dedetização em suas unidades, mantendo os cuidados para que o calendário escolar não seja afetado.
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