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CPI apura renúncia de receita em contrato

Por Portal Agora
CPI apura renúncia de receita em contrato

 

Ricardo Welbert 

Divinópolis pode ter cometido renúncia de receita em um contrato firmado em 2012 com a Companhia de Saneamento (Copasa). A afirmação foi feita ontem pelo deputado estadual Fabiano Tolentino (PPS) durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta na Câmara para apurar denúncias de irregularidades nos serviços prestados pela empresa no município.

— Em 2012, ao passar o tratamento do esgoto à Copasa, o ex-prefeito Vladimir Azevedo [PSDB] recebeu R$ 27 milhões. Outros R$ 14 milhões ele abateu porque não cobrou da população. O prefeito não discutiu isso com a Câmara. Esse é um fato que pode, sim, ser considerado como renúncia de receita — disse o deputado.

O presidente da comissão, Sargento Elton (PEN), considera a denúncia feita pelo deputado como algo "bastante grave" e que deverá constar no relatório final.

—Vamos analisar essa denúncia a fundo. Ela deverá ser um dos assuntos a serem perguntados ao Vladimir quando ele vier depor à CPI — disse. A data para o depoimento do ex-prefeito ainda não foi marcada.

 Não apareceu 

Sargento Elton voltou a chamar de "descaso" o não comparecimento do representante da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento e Água e de Esgotamento Sanitário do Estado (Arsae) à audiência anterior. Insatisfação compartilhada por Tolentino, que apontou vínculo político na administração da entidade.

— A Arsae não faz seu papel de fiscalizar a Copasa. O diretor-geral da agência, Gustavo Gastão, foi prefeito de Prados pelo PT — afirmou.

 ETE invertida 

O deputado afirmou que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que está sendo construído no Candelária ainda não tem a tubulação para levar o esgoto até a ETE.

— A ETE vai ser construída, mas não haverá os canos que levam o esgoto a ela. Então, vai ficar uma ETE sem o esgoto chegar. Duvido que a obra esteja concluída em 2018, conforme a empresa promete porque a obra não está sendo feita como deveria — acrescentou o deputado.

 Direito do consumidor 

Também falou à audiência pública o advogado o advogado Eduardo Augusto Silva Teixeira, presidente da Comissão do Direito do Consumidor da Associação dos Advogados do Centro-Oeste de Minas (AACO).

Ele falou sobre uma ação que a entidade move na Justiça contra a Copasa, com base em depoimentos colhidos com centenas de moradores. São relatos de problemas na qualidade da água fornecida e até de internação hospitalar que teria sido gerada pelo consumo da água fornecida.

 Outro lado 

João Martins Neto, superintendente operacional da Copasa no Centro-Oeste, acompanhou a audiência. Porém, não teve direito a rebater as críticas porque não havia sido convidado para a rodada do dia.

Ao Agora ele fez uma ressalva sobre o que Fabiano Tolentino disse sobre a construção da ETE.

— Acho que houve um equívoco no entendimento dele. É exatamente o contrário do que ele disse. No dia 2 de outubro deste ano, as obras da ETE foram iniciadas e partiremos para a construção dos receptores exatamente do ponto em que eles chegam à ETE. Vamos começar a implantar esses interceptores lá na ETE e vir no sentido de montante ao rio Itapecerica, em uma condição na qual todo e qualquer lançamento de esgoto no rio já tenha condições de ser conectado e conduzido à ETE — explicou.

Em relação às demais reclamações contra a Copasa feitas durante a CPI, João Neto disse que a empresa ainda terá oportunidade de esclarecer questões colocadas durante as oitivas e se defender na CPI.

 

 

 

 

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