Crediário próprio ainda está em alta

Jorge Guimarães
O tradicional pagamento efetuado através de carnê foi uma ferramenta financeira muito utilizada pelos brasileiros antes de poder contar com empréstimos e cartões de crédito, de mais difícil acesso pelas camadas de poder aquisitivo mais baixo. Hoje, os carnês são menos populares, mas ainda existem e podem ser uma opção para financiar as compras e gastos.
Num passado recente, vários estabelecimentos comerciais se mantinham no formato de oferecer o pagamento por meio dos chamados “carnezinhos”. Algumas delas ainda mantêm esses crediários, como opção de pagamento para atrair o consumidor. Porém, no momento atual, eles estão sendo ultrapassados pelos cartões, o chamado “dinheiro de plástico”.
Vilão
O carnê já foi o grande vilão das finanças familiares. Hoje, esse título pertence aos cartões de crédito, mas, mesmo assim, o tradicional carnê não deixou de ser um importante fator no endividamento das famílias brasileiras. Pois, em se tratando de organização orçamentária, a maioria dos brasileiros não prioriza as finanças na hora de comprar algum item.
— A maior parte das compras que fazemos é por impulso e sem planejamento algum. Você pode confirmar isso, ao se lembrar quantas vezes você já não comprou um produto e se arrependeu, ou mesmo uma roupa e nunca a usou. Para que isso não acontece, lá em casa a gente conversa muito sobre o assunto — comentou o profissional liberal Cleber Miranda.
Caderneta
A mais antiga forma de fidelisar o cliente ainda é a velha caderneta, que é uma grande aliada de certos comerciantes, além de ser também uma prestação de serviço que os supermercados e hipermercados não têm condições de fornecer. Normalmente, são utilizadas em pequenos comércios, em sua grande maioria em bairros mais distantes dos grandes centros de compras. Seria o modelo mais antigo de crediário utilizado no país.
Divinópolis
Apesar das modernidades atualmente, o velho crediário ainda é uma forma de realizar boas vendas, em tempos difíceis. Em Divinópolis, em uma das mais tradicionais famílias do ramo calçadista, o crediário próprio ainda é uma das armas usadas para realização de boas vendas, dentro das empresas do grupo.
— Sempre usamos o crediário próprio, o que hoje representa 40% das nossas vendas, empatando tecnicamente com as vendas de cartões de crédito. Os outros 20% restantes, 15% são de vendas à vista e 5% em cheques. O grande trunfo do crediário próprio é que o nosso freguês vem à loja para quitar as prestações, quando fica sabendo das — avalia a empresária, Cláudia Silva.
Em uma das maiores redes de lojas de calçados para o varejo de Minas Gerais, foi constatado que o pagamento através do carnê é um ótimo atrativo.
— Em nosso relatório, englobando os três primeiros meses, obtivemos uma média em que se aponta que o cartão de crédito representa 32% das vendas. O crediário obteve 21%, enquanto o nosso cartão teve 6%, sendo que as vendas à vista representaram 31%, impulsionadas, principalmente com a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), onde atuamos com uma grande liquidação — disse a gerente de crédito e cobrança, Kelren Diniz Nascimento.
Leia também
- Calote cai, consumidor volta às compras e tira nome do SPC
Startup Day será realizado na UFSJ em Divinópolis- Seminário vai orientar empresários sobre fiscalização ambiental
Cemig amplia prazo para cliente negociar débitos
Indústria ganha fôlego em fevereiro na região
Lojistas apontam boas vendas na Páscoa
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em abril de 2017
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…








