De Cazeca a Boulos: a dança das cadeiras dos deputados acelera de olho nas eleições de 2026

Lucas Maciel
A Câmara dos Deputados vive um período de movimentações intensas e estratégicas que refletem os bastidores das articulações políticas para as eleições de 2026. Nas últimas semanas, suplentes assumiram cadeiras, titulares se licenciaram e partidos reorganizaram espaços de poder em Brasília, em um verdadeiro aquecimento para o próximo pleito.
Entre as mudanças, está a posse do empresário itapecericano, Fabiano Cazeca (PRD), que assumiu o mandato na quinta-feira, 30, no lugar de Pedro Aihara (PRD). O empresário ficará no cargo por quatro meses e deve usar o período para fortalecer o próprio nome para disputar novamente uma vaga na Câmara em 2026.
Estratégia
A posse de Cazeca foi possível após uma série de articulações internas do PRD, que se estruturou a partir da fusão do Patriota com o antigo PTB. Nas eleições de 2022, Cazeca obteve pouco mais de 15 mil votos e ficou com a quarta suplência da chapa do partido.
Antes de chegar à vaga, a linha sucessória incluía o ex-deputado Felipe Saliba, o bispo Bruno Santos e o vereador Irlan Melo, de Belo Horizonte.
Saliba abriu mão da cadeira em favor de Cazeca para colaborar com a estratégia do partido de dar visibilidade a nomes com maior experiência parlamentar, ainda que por períodos curtos. Já Irlan Melo, que migrou para o Republicanos, decidiu manter foco em seu mandato municipal e na pré-campanha de 2026.
Em nota, Felipe Saliba explicou as motivações para não aceitar o cargo.
— Foi um pedido do presidente da legenda, deputado federal Fred Costa (MG). Como já havia assumido anteriormente, pela mesma lógica de potencializar e dar visibilidade às lideranças do partido, era hora de retribuir e fortalecer outros nomes — explicou ao “O Fator”.
Articulação
O primeiro passo de Cazeca foi convencer Pedro Aihara a se licenciar do cargo por quatro meses, período mínimo para que o suplente possa exercer o mandato, conforme as regras do Congresso Nacional. Aihara aceitou, e o afastamento ocorre entre novembro e fevereiro.
Para Cazeca, a oportunidade representa não apenas visibilidade, mas também a possibilidade de consolidar a própria base eleitoral. Durante o mandato temporário, ele deverá acompanhar com atenção os projetos e votações em Brasília, usando a experiência para se preparar para a disputa de 2026.
Através das redes sociais, o empresário comemorou a posse e agradeceu.
— Lutei muito para chegar a esse momento, foram duas eleições disputadas, em 2018 e em 2022. Agradeço a Deus, meus familiares, amigos e a todos os milhares de votos que me permitiram estar aqui hoje, obrigado e gratidão — escreveu.
Reorganização nacional
As mudanças, contudo, não se limitam ao PRD. Em outras siglas, a dança das cadeiras também segue em ritmo acelerado. O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) deixou o cargo para assumir o comando da Secretaria-Geral da Presidência da República, em cerimônia realizada na última quarta-feira, 29, no Palácio do Planalto.
Com a nomeação, Boulos entra oficialmente na equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e abre espaço na bancada do PSOL.
Apesar de ser um dos nomes mais bem colocados nas pesquisas para o Senado, o novo ministro informou ao partido que não pretende disputar as eleições de 2026, atendendo a um pedido do próprio Lula para reforçar a articulação política do governo.
O cargo vago na Câmara será ocupado pelo cientista político Ricardo Galvão (Rede), primeiro suplente de Boulos. Até então, Galvão presidia o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e agora assume a cadeira de deputado federal, trazendo sua experiência em ciência e tecnologia para o Legislativo.
Nas eleições de 2022, ele recebeu 40.365 votos, insuficientes para se eleger, mas a entrada na Câmara permitirá que acompanhe de perto as discussões e votações em Brasília.
Novos espaços no Nordeste
Outro movimento relevante ocorreu no Nordeste: o deputado Júlio Arcoverde (Progressistas-PI) anunciou que deixará o mandato na Câmara dos Deputados para assumir a Secretaria de Articulação Institucional de Teresina, a convite do prefeito Silvio Mendes (União Brasil).
Arcoverde, que cumpre seu primeiro mandato federal, é conhecido por sua atuação em pautas de desenvolvimento regional e infraestrutura, especialmente voltadas ao Piauí, além de ter experiência em gestão pública municipal antes de ingressar no Congresso.
Com a saída de Arcoverde, a expectativa é que a vaga na Câmara seja ocupada pelo ex-prefeito de Teresina Elmano Férrer, segundo suplente do Progressistas. Férrer, que já comandou a capital piauiense e tem histórico de envolvimento em políticas de urbanismo e saúde, retorna ao cenário federal com ampla experiência administrativa.
A primeira suplente, Margarete Coelho, segue à frente da direção nacional do Sebrae e optou por não retornar ao Parlamento, abrindo caminho para a entrada de Férrer.
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