Debate sobre saúde de crianças atípicas terá destaque na Câmara

Da Redação
Em um mundo que está se tornando cada vez mais inclusivo, a luta pelos direitos das pessoas autistas é um tema sempre em pauta entre entidades, familiares, políticos e a população. Com as iniciativas em andamento e os desafios enfrentados diariamente, a busca por qualidade de vida é recorrente.
Com a iniciativa liderada por mães atípicas, uma reunião será realizada na próxima segunda-feira, 25, na Câmara de Divinópolis para tratar a negação de tratamentos adequados para crianças autistas por parte de convênios específicos. Mais de 176 crianças estão sendo direcionadas para clínicas sem especialização nas terapias baseadas na ciência ABA, reconhecidas por sua eficácia no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A situação
Por meio de reivindicações de mães e famílias atípicas foi organizada uma reunião pública para debater melhorias em certos convênios de saúde que têm negligenciado o tratamento da terapia ABA em crianças com espectro.
Segundo relato da Flávia Castro, mãe atípica e organizadora da reunião, mais de 176 crianças estão sendo redirecionadas para clínicas que não utilizam terapias baseadas na ciência ABA, considerada uma das mais eficazes para o desenvolvimento de crianças autistas.
— Eu sou mãe atípica e eu recebi uma solicitação das demais mães que têm um convênio de saúde específico. São mais de 176 crianças que estão tendo seus tratamentos negados pelo plano de saúde. Eles estão sendo remanejados para algumas clínicas que não são especialistas na terapia com a ciência ABA. E a gente sabe, né, através de estudos, até mesmo de prescrição médica que as terapias para as crianças autistas que dão resultados são essas — reforça Flávia.
A falta desses atendimentos médicos em clínicas especializadas está prejudicando seu progresso e deixando as famílias em uma posição vulnerável. Com a proposta de incluir judicializar o caso por meio de uma ação coletiva, já que muitas famílias não têm condições financeiras de contratar advogados particulares.
Essa ação coletiva tem o objetivo de reunir todas as famílias que estão sendo lesadas pelo plano de saúde, garantindo que seus direitos sejam assegurados de forma igualitária. Além disso, a reunião contará com a presença de autoridades jurídicas, ONGs e especialistas para discutir a importância das terapias adequadas e buscar soluções que atendam à realidade crescente de crianças diagnosticadas com TEA e outros transtornos mentais.
A mobilização busca não apenas resolver a questão imediata dos tratamentos negados, mas também unir forças para promover mudanças que garantam os direitos das famílias atípicas e o acesso das crianças às terapias de que necessitam.
Terapia ABA
É um método terapêutico baseado em princípios científicos do comportamento. Ela se concentra em analisar e modificar comportamentos, promovendo a aprendizagem e a autonomia da criança.
Uma das maiores vantagens da terapia é a sua capacidade de ser personalizada para atender às necessidades individuais da criança. Assim cada sessão deve ser adaptada para o desenvolvimento de cada paciente, variando conforme as características do indivíduo.
O método busca promover o desenvolvimento em áreas-chave, como linguagem, habilidades sociais, autonomia pessoal e comportamentos adaptativos. Além disso, busca reduzir comportamentos problemáticos, como agressão, estereotipias e autolesões.
Autismo
O autismo é uma condição neurológica que influencia como uma pessoa percebe o mundo e se relaciona com os outros. As pessoas neurotípicas podem enfrentar desafios em comunicação, interação social e apresentar padrões de comportamento repetitivos. Contudo, o autismo é uma característica intrínseca da identidade de cada indivíduo, e a neurodiversidade contribui significativamente para enriquecer nossa sociedade.
Segundo a Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas, 1 em cada 36 crianças é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com uma população estimada em 203.080.756 se tem cerca de 5.641.132 autistas no Brasil. Com um número tão alto, promover a inclusão é mais do que necessário, conforme especialistas na área é um compromisso com a dignidade e o respeito. Além disso, garantir oportunidades iguais envolve a implementação de políticas e práticas que valorizem as diferenças e acolham a diversidade em todos os contextos sociais, educacionais e profissionais.
No entanto, conforme famílias que enfrentam a situação, apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos que precisam ser superados para garantir que os autistas tenham acesso a oportunidades e apoio adequados. Como o caso da terapia especializada, denominada como Análise do Comportamento Aplicada (ABA), é um método de tratamento que visa ajudar pessoas a desenvolver comportamentos desejáveis e úteis, e reduzir comportamentos indesejados.
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