Carregando clima…
Política

Deputada acusa governo de usar reajuste da Copasa para atrair investidores e favorecer privatização

Deputada acusa governo de usar reajuste da Copasa para atrair investidores e favorecer privatização

Da redação

A deputada estadual Lohanna França (PV) afirmou que o governo de Minas Gerais estaria criando condições para um aumento de tarifas da Copasa acima da média nacional em 2026, com o objetivo de valorizar a empresa no mercado financeiro e atrair investidores interessados em sua privatização.

Afirmações

De acordo com a parlamentar, a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae-MG), vinculada ao próprio governo estadual, alterou parâmetros técnicos de cálculo tarifário, o que deve impactar o preço cobrado dos consumidores nos próximos anos.

— Os analistas estabeleceram bons critérios para o reajuste, entre eles o aumento do custo médio de capital, válido até 2029, que ficou em 9,42%. O valor está acima do que foi adotado na Sabesp e na Sanepar — disse Lohanna. 

— Sabe o que é isso? Eles estão comemorando que a tarifa vai ficar mais cara — criticou.

Segundo análises de mercado citadas pela deputada, o custo médio de capital é um dos fatores que determinam o reajuste anual das tarifas de água e esgoto. Em São Paulo, por exemplo, o índice foi fixado em patamar inferior. 

— Isso mostra claramente uma tentativa de inflar artificialmente o potencial de lucro da Copasa, gerando uma valorização para quem planeja comprá-la no futuro — completou.

Mercado e expectativa de valorização

A Copasa e a Arsae-MG ainda não divulgaram o percentual final do reajuste tarifário para o próximo ano, mas estimativas preliminares indicam um aumento em torno de 5,5%. A título de comparação, em São Paulo, a Sabesp, recentemente privatizada, deve aplicar um reajuste entre 3% e 12%, conforme projeções de analistas.

Enquanto o governo argumenta que a privatização visa quitar dívidas com a União e acelerar a universalização dos serviços, a oposição acredita que o verdadeiro objetivo é atender interesses do mercado financeiro. 

— Há uma estratégia deliberada para valorizar a empresa antes da venda. Isso onera o consumidor e beneficia especuladores — avalia Lohanna.

Dados da Bolsa de Valores reforçam a percepção de valorização. Até outubro, as ações da Copasa acumularam alta de 67,9%, o melhor desempenho entre as companhias de saneamento do país. Grandes bancos, como BTG Pactual e Itaú BBA, têm recomendado a compra dos papéis, destacando o “potencial de valorização” diante de uma possível privatização.

Fontes de mercado ouvidas por veículos especializados apontam que, mesmo com a recente alta, as ações da Copasa ainda estariam subvalorizadas em relação às concorrentes, o que tem estimulado novos investidores.

PEC da privatização entra na pauta

A tensão em torno do futuro da estatal mineira deve se intensificar nesta semana na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

A base do governo apostava, até o fechamento desta matéria ontem, em aprovar o texto em primeiro turno ainda nesta semana, enquanto a oposição promete obstruir a pauta e denunciar o que chama de “entreguismo” do patrimônio público.

— Querem transformar um serviço essencial em ativo de mercado. Água não é mercadoria. A privatização vai aumentar tarifas e reduzir o alcance social do saneamento — afirmou a deputada.

Cenário político e fala da parlamentar

Lohanna, que integra a Frente Parlamentar em Defesa do Saneamento Público, tem se destacado como uma das vozes mais críticas à gestão de Romeu Zema (Novo). Ela afirma que a política tarifária da Copasa e o avanço da PEC fazem parte de uma mesma lógica.

— A conta vai sobrar para o povo. Primeiro, aumentam o preço. Depois, vendem a empresa valorizada. É o mesmo roteiro que vimos com a Cemig e a Sabesp — disse.

Reação do governo e expectativa

Procuradas, a Copasa e a Arsae ainda não se manifestaram sobre as críticas. Nos bastidores, técnicos da agência afirmam que o cálculo tarifário segue normas federais e que eventuais diferenças regionais refletem custos operacionais e riscos de investimento específicos do estado.

Enquanto isso, o tema divide opiniões na ALMG e no mercado. Economistas ligados ao governo defendem que a privatização poderia atrair até R$ 5 bilhões em investimentos e universalizar o saneamento até 2033, conforme o novo marco legal do setor.

Já a oposição promete intensificar a mobilização nas ruas e nas redes. 

— A Copasa é rentável, pública e eficiente. O que querem é entregar o lucro para poucos e deixar o prejuízo para a população — concluiu Lohanna.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…