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Economia

Desabastecimento encarece produtos em Divinópolis

Por Portal Agora
Desabastecimento encarece produtos em Divinópolis

 

Gisele Souto

 Diversas cidades brasileiras ainda enfrentam situações adversas por causa do protesto dos caminhoneiros. Empresários de diversos segmentos e a população tentam voltar à rotina depois de dias de desabastecimento, principalmente de combustíveis e alimentos. Em Divinópolis, não é diferente. Longas filas são vistas nos postos para abastecimento, alguns produtos ainda não chegaram aos supermercados e estão em falta nos fornecedores e preços mais altos.

Assim tem sido na cidade nos últimos dias. Cenário que não havia mudado até o fim da tarde de ontem. A reportagem fez um levantamento junto aos segmentos que enfrentaram mais problemas durante e depois da paralisação. Confira a seguir.

 Combustíveis 

Foram registradas, durante o fim de semana e até ontem, longas filas nos postos em diversos pontos da cidade. Uns continuam fechados; em outros, falta um dos combustíveis, como gasolina, por exemplo.

O presidente na Minaspreto Regional, Roberto Rocha, explica que o fornecimento ocorre de forma gradativa em Divinópolis e região. Atribui, inclusive, as filas enormes, a esta logística de chegada dos produtos às cidades que ainda é lenta, além dos rumores que teriam outros protestos nesta segunda-feira. Outro empecilho, segundo ele, é a falta de do álcool anidro nas distribuidoras.

— Para que a gasolina esteja apta a ser vendida, é preciso a mistura de 27% de álcool anidro em sua composição. Com a parada dos caminhoneiros, as carretas contendo os produtos não chegaram ao seu destino. Tudo ainda é reflexo da paralisação — completa.

 Alimentação

 Nos supermercados, o clima já é de normalidade. Nos setores mais prejudicados, hortifrutigranjeiros, açougue e padaria, produtos de vida útil muito curta, estão quase normalizados em termos de abastecimento. Porém, outros itens como leite, açúcar e carnes de frangos devem demorar ainda de 2 a 3 meses para serem vistos nas gôndolas de forma totalmente regular e com preço mais em conta.

Quem informa é o vice-presidente da Associação Mineira dos Supermercados na região, Gilson Amaral. Ele revela que esses produtos subiram de preço junto aos fornecedores e os supermercadistas tentam negociar da forma que dá para que a alta não chegue ao consumidor.

— A gente faz o que pode. Porém, produtos como frango, que houve uma mortandade grande, e o leite, que foi jogado fora em quantidade significativa, não tem jeito. Assim como o açúcar, que não chegou às distribuidoras. Não tendo disponibilidade, o preço é maior, processo natural de mercado — argumenta.

 Gás

 Como ocorre com o combustível, os botijões de gás também não chegam às revendedoras na cidade. Quando vem um ou dois carregamentos, não é suficiente, acaba em pouco tempo. Algumas pessoas ainda estão sem o produto e estão se virando com as panelas elétricas. Nos bairros Alvorada, Bom Pastor e Santa Clara, por exemplo, muitas revendas estão ainda de portas fechadas. Em uma na avenida Autorama, ouvida no meio da tarde de ontem pela reportagem, o gás estava em falta. Um dos funcionários informou que chegar, chega, mas não dá para a demanda. Segundo as informações, ontem não havia e também não tinha previsão se chegaria no início da noite ou hoje pela manhã.

 Saúde 

Sobre a situação da saúde na região, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) informou que ainda se faz necessária a atenção especial quanto à rotina de funcionamento dos serviços de Saúde Pública para evitar a descontinuidade desses trabalhos.

Assim, segundo a Regional, com o objetivo de garantir a assistência e os atendimentos de forma resolutiva, eficaz e segura, evitando a evolução de quadros graves no Estado, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) tem atuado para assegurar a continuidade dos serviços:

- Avaliação, junto à Central de Regulação de Leitos, sobre a real necessidade do transporte de passageiros, sendo priorizado o atendimento de suporte avançado à vida (pacientes que correm risco de morte) e as situações de urgência e emergência;

- Apoio ao abastecimento de combustível dos veículos que atendem à urgência e emergência;

- Apoio logístico para insumos e equipamentos dos hospitais;

- Recomendação para que as demandas eletivas e serviços administrativos não sejam priorizados, mas sim a urgência e emergência, hemodiálise, oncologia e serviços de suporte à vida.

Em relação às vacinas, segundo a SRE, a rede de saúde pública está devidamente abastecida, inclusive, da vacina contra a gripe, cujo período de vacinação irá se estender até 15 de junho. Afirma que não houve nenhuma ocorrência negativa desde o início da paralisação dos caminhoneiros.

 Sangue 

O Hemoninas em Divinópolis ainda registra uma queda no comparecimento de doadores, mas, aos poucos, a situação se normaliza. As cirurgias eletivas, que estavam suspensas por causa da falta de alguns fatores, voltaram a ser realizadas ontem pela manhã. Porém, a relações públicas da unidade, Shirley Alves de Souza, faz um chamado para os doadores continuarem comparecendo, tendo em vista a proximidade da Copa do Mundo. Isso porque ainda não se sabe como será a escala de trabalho nos dias de jogos.

A doação pode ser agendada pelo número 155, opção 1. O horário é das 7h às 11h e há um limite por dia, entre 80 e 100 pessoas.

 Educação 

Depois de quatro dias sem aula, atendendo a decreto do Governo do Estado, a rede estadual de educação voltou ao normal ontem. Por enquanto, previsão de parada, somente com uma nova greve que pode ser decretada ainda esta semana.

 Transporte 

Com a redução dos impactos da greve dos caminhoneiros, o transporte coletivo retomou a normalidade em Divinópolis. Segundo o Consórcio TransOeste, desde ontem, as linhas voltaram a funcionar com os horários normais de segunda a sexta.

 

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