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“Divinópolis, me leve até lá”: canção  ganha versão em Libras no aniversário da cidade

“Divinópolis, me leve até lá”: canção  ganha versão em Libras no aniversário da cidade

Da Redação

Divinópolis completa 113 anos de história em 2025, consolidada como uma das principais cidades do Centro-Oeste mineiro. Conhecido como a “Princesinha do Oeste”, o município se destaca pelo desenvolvimento econômico, pela indústria e também por um cenário cultural que tem se fortalecido nos últimos anos, com projetos que valorizam tanto a tradição quanto a inclusão.

Entre as ações que marcam este aniversário está o projeto “Divinópolis em Voz e Gesto”, que resultou em um clipe bilíngue — cantado e interpretado em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. O vídeo foi lançado exatamente no dia do aniversário da cidade, como parte das comemorações dos 113 anos. A iniciativa foi criada pelo artista Ailton Castro Alves da Costa, em parceria com a escola AAvida, que atende pessoas com deficiência auditiva no município. A proposta é tornar a homenagem à cidade acessível, levando a música também para essa comunidade.

“Divinópolis, me leve até lá” não é inédita. Ela foi composta em 2021, em homenagem aos 109 anos da cidade, e contou na época com a participação de Tia Elza e João Batista, dois nomes conhecidos na cena local. Naquele momento, foi produzido um clipe, mas sem tradução em Libras. A versão atual atualiza o projeto, agora com acessibilidade, incluindo interpretação feita pelos próprios alunos da AAvida.

Trajetória

Ailton Costa é um artista de múltiplas funções. Nascido em São Paulo e morando em Divinópolis, iniciou sua trajetória artística no teatro, aos 16 anos, atuando como ator, iluminador e contrarregra. É fundador da Top Kemp Produções Culturais e também da banda Esfera do Ser, responsável por mais de 21 videoclipes e pelo álbum autoral “Xícaras”, com 14 faixas.

O artista já desenvolveu projetos apoiados por leis de incentivo, realizou produções para empresas, festivais e escolas, além de atuar em comerciais, documentários e espetáculos. Seu trabalho tem forte conexão com temas sociais, como no projeto “Camilah de Maquiagem”, que aborda a violência doméstica e foi premiado pela Secult-MG.

Outra iniciativa marcante foi “Rock para Surdos”, um videoclipe que também utiliza Libras para ampliar o acesso da comunidade surda à música.

“Divinópolis, me leve até lá”

O clipe lançado em comemoração aos 113 anos de Divinópolis traz alunos da AAvida interpretando a música em Libras. A proposta é simples, mas de grande impacto: transformar a canção em um produto cultural acessível. Além de promover o amor pela cidade, o projeto reforça a importância da inclusão no meio artístico e cultural.

Segundo Ailton, a ideia da música surgiu do desejo de homenagear Divinópolis de uma forma afetiva e poética, criando um elo de pertencimento com a cidade. 

— Quis transformar os pontos marcantes, as memórias e a alma da cidade em música, para que cada morador pudesse se reconhecer na canção e se emocionar ao ouvir. A intenção foi valorizar Divinópolis, mostrar sua beleza e importância através da arte, despertando orgulho e identidade em quem vive aqui— pontuou 

A ideia de transformar a música em Libras surgiu após perceber a necessidade de tornar seus projetos acessíveis. Ele já vinha desenvolvendo ações nesse sentido em trabalhos anteriores.

— Um dos projetos mais marcantes foi o Rock para Surdos, um projeto inédito que nasceu inspirado na história de Ludwig van Beethoven, que chegou a cortar os pés do piano e colocá-lo no chão para sentir a vibração do som. Isso me inspirou a explorar a música como vibração, como sensação. Pode parecer loucura fazer uma música para surdos, mas foi uma experiência transformadora. O som é uma onda que vibra no ar, nos ossos e nas membranas do ouvido — e mesmo quem não ouve da forma convencional pode sentir essas vibrações — reforçou

O videoclipe desse projeto foi interpretado em Libras pelo grupo Sinalize. A gravação envolveu oficinas, ensaios e participação direta dos alunos, que não apenas interpretaram, mas também colaboraram com ideias. O trabalho teve apoio da intérprete Graciele Kerlen, doutora em Linguística e especialista em Libras, que acompanhou toda a produção. Ela destaca que projetos como este não apenas visibilizam a comunidade surda, mas também fortalecem o senso de pertencimento dos participantes.

— O clipe ficou lindo. A música retrata muito bem a cidade, nos dá uma sensação de pertencimento— afirmou Graciele.

Disponível

O vídeo está disponível no canal Esfera do Ser, no YouTube, e pode ser acessado gratuitamente. Para Ailton, o projeto é mais um passo em uma caminhada que busca unir arte, cultura e inclusão.

— Ao traduzir a música para Libras, eu não estou apenas “adaptando” algo, estou ampliando horizontes e dizendo: “vocês também pertencem a esse espaço”. A inclusão começa na intenção e se concretiza na ação. Por isso, transformar essa canção em Libras foi uma escolha natural e necessária para mim — concluiu. 

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