Divinópolis realiza novo mutirão contra a dengue neste sábado

Jonny Reisle
Divinópolis receberá mais um mutirão de combate à Dengue neste sábado, 25, em meio a um cenário que ainda inspira atenção das autoridades de saúde. A 10ª edição no ano da mobilização será realizada das 8h às 12h e terá como foco a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor também responsável pela transmissão da Zika e da Chikungunya.
A ação é coordenada pela Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), e integra uma série de medidas voltadas à prevenção e ao controle das arboviroses no município.
Quais regiões serão atendidas?
As equipes da Vigilância em Saúde Ambiental estarão mobilizadas em bairros das regiões oeste e sudoeste da cidade. Na região oeste, o mutirão contemplará Santo Antônio dos Campos, Primavera II e Santa Cruz. Já na região sudoeste, os trabalhos se concentram nos bairros Realengo, Jardim Belvedere, Belvedere I e Belvedere II.
Durante a ação, caminhões e veículos de apoio percorrerão as ruas para recolher materiais que possam acumular água, como pneus, latas, garrafas, recipientes plásticos, móveis inutilizados e outros objetos descartados de forma irregular.
Apoio da população
A orientação é para que os moradores deixem esses itens nas calçadas com antecedência, facilitando o trabalho das equipes e ampliando a efetividade da ação.
Além disso, o município reforça a necessidade de cuidados permanentes dentro das residências, como manter caixas d’água bem vedadas, limpar calhas, evitar o acúmulo de água em pratos de plantas e descartar corretamente qualquer material que possa servir de criadouro para o mosquito.
A participação da população é considerada essencial para o sucesso da iniciativa, uma vez que grande parte dos focos do mosquito está dentro de propriedades particulares.
Contribuição para a prevenção
Os resultados das edições anteriores demonstram o impacto direto do mutirão no enfrentamento à doença. Na ação realizada no último sábado, 18, foram retirados diversos materiais com potencial para acúmulo de água. Nas regiões nordeste, bairros como Manoel Valinhas, Doutor José Thomás, Cidade da Luz, Universitário e Vila Rica registraram a remoção de um caminhão de móveis, um caminhão de recicláveis, duas pick-ups de resíduos diversos 16 pneus.
Já na região sudeste, incluindo Santa Rosa, Dona Rosa, Mariza Conceição Pardini, Novo Paraíso, Davanuze e Vale do Sol, foram recolhidos dois caminhões e três pick-ups de móveis, além de um caminhão de recicláveis, uma pick-up de resíduos diversos e 23 pneus.
Números assustam
Mesmo com as ações contínuas, o boletim epidemiológico mais recente reforça o cenário de alerta em Divinópolis. Até o dia 16 de abril, data de divulgação do último balanço, foram registradas 1.735 notificações de dengue, das quais 548 foram confirmadas. O número de hospitalizações chegou a 138, evidenciando a pressão sobre o sistema de saúde. Há ainda dois óbitos em investigação e uma morte confirmada pela doença neste ano, o que reforça a gravidade da situação.
A análise por faixa etária mostra que a doença atinge todas as idades, com maior concentração entre adultos jovens e de meia-idade, especialmente nas faixas de 20 a 39 anos. No entanto, também há registros relevantes entre idosos, grupo que exige atenção especial devido ao maior risco de complicações. Em relação à classificação dos casos, 535 foram considerados dengue clássica e 13 apresentaram sinais de alarme, sem registros de dengue grave até o momento.
Os dados também apontam uma distribuição relativamente equilibrada entre os sexos, com leve predominância de casos entre mulheres (54,87%), enquanto os homens representam 45,13% das notificações. Entre os bairros com maior número de casos estão São José, Centro, São Roque, Catalão e Planalto, o que indica uma disseminação ampla do vírus em diferentes regiões da cidade, sem concentração exclusiva em uma única área.
No que diz respeito aos exames laboratoriais, os resultados evidenciam a circulação ativa do vírus, com registros positivos tanto em sorologia quanto na pesquisa de antígeno NS1. Já em relação a outras arboviroses, o município contabiliza oito notificações de chikungunya, com quatro hospitalizações, mas sem confirmações da doença até o momento. Não há registros de casos de zika vírus em 2026.
Faça sua parte!
Além dos riscos associados às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, o acúmulo de lixo e materiais descartados de forma inadequada também pode favorecer a presença de animais peçonhentos e outros vetores, ampliando os problemas de saúde pública. Por isso, a limpeza urbana e a eliminação de focos são consideradas medidas fundamentais no controle dessas doenças.
Diante desse cenário, o mutirão deste sábado surge como mais uma estratégia para conter o avanço da dengue em Divinópolis. No entanto, as autoridades reforçam que ações pontuais, embora importantes, não substituem a necessidade de cuidados contínuos por parte da população. A eliminação de água parada, a destinação correta de resíduos e a manutenção de ambientes limpos são atitudes simples, mas que fazem diferença significativa na redução dos casos.
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