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Saúde

Anvisa autoriza produção nacional de vacina contra chikungunya 

Por Bruno
Anvisa autoriza produção nacional de vacina contra chikungunya 

Da Redação

A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a fabricação da vacina contra chikungunya no Brasil representa um novo avanço no enfrentamento às arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira, 4, e permite que o imunizante XCHIQ, desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, passe a ser produzido em território nacional.

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. A doença pode provocar febre alta, dores intensas nas articulações, dores musculares, manchas vermelhas na pele e, em alguns casos, deixar sequelas crônicas que podem durar anos.

Em Divinópolis, os dados mais recentes da Secretaria Municipal de Saúde mostram que o município também segue em alerta para as doenças transmitidas pelo mosquito. Até o momento, a cidade contabiliza 2.277 casos notificados de dengue, sendo 814 confirmações e 168 hospitalizações desde o início do ano. 

Em relação à chikungunya, são 18 casos notificados, com dois confirmados, sete descartados e nove em aberto. O município ainda registra cinco hospitalizações relacionadas à doença e nenhum óbito confirmado. Já os casos de zika vírus permanecem zerados, sem notificações, confirmações ou hospitalizações.

Produção nacional

A vacina XCHIQ já havia sido aprovada pela Anvisa em abril de 2025, com produção inicialmente registrada nas fábricas da Valneva. Com a nova autorização, o Instituto Butantan passa a ser oficialmente reconhecido como local de fabricação do imunizante, podendo realizar parte do processo produtivo em suas unidades no Brasil.

Segundo a Anvisa, trata-se da mesma vacina já aprovada anteriormente, mas agora formulada e envasada no país, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia. A expectativa é que a produção nacional facilite a disponibilização da vacina futuramente no Sistema Único de Saúde (SUS).

O pedido de registro definitivo do imunizante foi enviado à Anvisa em dezembro de 2023. Ainda naquele ano, a vacina também recebeu aprovação da agência reguladora norte-americana Food and Drug Administration (FDA).

Como funciona

A XCHIQ foi a primeira vacina registrada no mundo contra a chikungunya. O imunizante é indicado para pessoas entre 18 e 59 anos que apresentem risco aumentado de exposição ao vírus. O uso da vacina é contraindicado para gestantes, pessoas imunodeficientes e imunossuprimidas.

No estudo clínico de fase 3 realizado com adolescentes brasileiros, publicado em setembro de 2024 na revista científica The Lancet Infectious Diseases, foi observada a presença de anticorpos neutralizantes em 100% dos voluntários que já haviam tido contato prévio com o vírus e em 98,8% daqueles sem infecção anterior.

A pesquisa também apontou que a proteção foi mantida em 99,1% dos participantes após seis meses da aplicação da dose. Entre os eventos adversos mais relatados estavam dor de cabeça, dores no corpo, fadiga e febre, classificados em sua maioria como leves ou moderados.

Cenário da doença

O vírus chikungunya foi introduzido no continente americano em 2013, causando epidemias em países da América Central e do Caribe. Atualmente, Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia estão entre os países com maior número de casos registrados.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde apontam que cerca de 620 mil pessoas foram infectadas pela doença em todo o mundo em 2025. No Brasil, o Ministério da Saúde notificou mais de 127 mil casos e 125 mortes no mesmo período.

Além da chikungunya, a dengue também segue como preocupação em diversas cidades brasileiras devido ao aumento de casos. Em Divinópolis, a situação mantém as autoridades em alerta, principalmente diante da continuidade da circulação do mosquito transmissor.

Mutirão contra o mosquito

O combate aos criadouros do Aedes aegypti segue sendo uma das principais estratégias de prevenção adotadas pelo município. A Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), realizará neste sábado, 9, das 8h às 12h, a 11ª edição do Mutirão de Limpeza contra a Dengue.

A ação será coordenada pela Vigilância em Saúde Ambiental e atenderá bairros das regiões Nordeste e Sudeste da cidade. Na região Nordeste, serão contemplados os bairros Halim Souki, São Lucas, São Geraldo, Jardim Primavera e Del Rey. Já na região Sudeste, a mobilização chegará aos bairros Nações, Sagrada Família, Ponte Funda, Santa Bárbara, Maria Helena e Mangabeiras.

Durante o mutirão, serão recolhidos materiais que possam acumular água, como pneus, latas, garrafas, recipientes plásticos e outros objetos sem utilidade que favorecem a proliferação do mosquito.

A Prefeitura orienta os moradores a deixarem os materiais descartados nas calçadas, em frente às residências, para facilitar o recolhimento pelas equipes responsáveis.

Na edição anterior do mutirão, realizada em 25 de abril, foram recolhidos móveis velhos, recicláveis, resíduos diversos e pneus em bairros das regiões Oeste e Sudoeste. Somente nos bairros Realengo, Belvedere, Belvedere I e Belvedere II, foram recolhidos dois caminhões e uma pick-up de móveis velhos, um caminhão de recicláveis e 142 pneus.

A administração municipal também alerta que o acúmulo de materiais, além de favorecer a proliferação do mosquito, pode servir de abrigo para animais peçonhentos e outros vetores, aumentando os riscos à saúde pública.

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