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Saúde

MG registra primeira morte por hantavírus no país em 2026 e doença entra em alerta 

Por Bruno
MG registra primeira morte por hantavírus no país em 2026 e doença entra em alerta 

Jonny Reisle

A confirmação da primeira morte por hantavírus no Brasil em 2026, em Minas Gerais, somada ao surto registrado em um cruzeiro internacional no Oceano Atlântico, colocou novamente em evidência uma doença rara, grave e ainda pouco conhecida da população. 

O caso mineiro envolveu um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que morreu após contato com roedores silvestres em área rural. Já no exterior, ao menos sete casos confirmados da variante andina do hantavírus foram identificados entre passageiros do navio MV Hondius, com três mortes registradas até o momento.

Em solo brasileiro

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o homem infectado em Minas havia tido exposição frequente a áreas de lavoura e ambientes rurais com presença de ratos silvestres, considerados os principais transmissores da doença. O caso foi confirmado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e é tratado como isolado, sem relação com os registros internacionais ocorridos no cruzeiro que partiu da Argentina.

Sintomas e contaminação

A hantavirose é uma zoonose viral transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. O contágio costuma ocorrer quando pessoas entram em contato com poeira contaminada em locais fechados, como celeiros, depósitos, silos, galpões, paióis e casas abandonadas. No Brasil, a doença costuma se manifestar na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), considerada grave e potencialmente fatal.

Os primeiros sintomas podem ser confundidos com uma gripe comum. Febre alta, dores musculares intensas, cansaço, dor de cabeça, tontura, náuseas e mal-estar geralmente aparecem nos primeiros dias da infecção. Com a evolução do quadro, porém, a doença pode atingir rapidamente os pulmões e o coração, provocando tosse seca, dificuldade respiratória severa, queda de pressão arterial e insuficiência cardiopulmonar. Em muitos casos, os pacientes precisam ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

Grupo de risco

Especialistas alertam que trabalhadores rurais, agricultores, pessoas que fazem limpeza de galpões ou frequentam áreas de mata estão entre os grupos mais vulneráveis. Isso porque o vírus pode permanecer ativo em partículas suspensas no ar, especialmente em ambientes fechados e sem ventilação adequada. A recomendação é evitar varrer locais com sinais de infestação de roedores sem proteção adequada. O indicado é abrir portas e janelas antes da limpeza, umedecer o ambiente para evitar poeira e utilizar máscaras, luvas e botas.

Em águas internacionais

Além do caso brasileiro, o surto registrado no navio MV Hondius chamou atenção das autoridades sanitárias internacionais por envolver a cepa Andes do hantavírus. Diferentemente das variantes mais comuns da doença, transmitidas exclusivamente por roedores, essa cepa é a única conhecida capaz de apresentar transmissão entre humanos. Mesmo assim, os especialistas reforçam que esse tipo de transmissão é raro e depende de contato próximo e prolongado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o navio partiu da Argentina e registrou inicialmente passageiros com sintomas respiratórios graves durante a viagem. Até a finalização desta matéria, às 11h desta segunda-feira, 11, nove casos haviam sido notificados, sendo sete confirmados e dois considerados suspeitos. Entre eles está uma pessoa que morreu antes mesmo de realizar o exame laboratorial. Ao todo, três mortes já foram associadas ao surto.

Comparações com o coronavírus

A médica-infectologista Luana Araújo afirmou que o hantavírus não apresenta o mesmo potencial de disseminação observado em doenças respiratórias como a covid-19. 

— O risco é baixo, isso é muito importante que as pessoas entendam. Ele é relevante ali para aquelas pessoas expostas dentro do contexto do navio, mas em termos de saúde pública ou de saúde global, ele é um risco baixo — explicou.

A especialista também destacou que a transmissão entre humanos ocorre apenas na cepa Andes e mesmo assim de maneira limitada. 

— Não é tão simples assim dele sair, não é tão simples de chegar a outras pessoas. A transmissão é muito mais difícil e muito menos efetiva do que acontece com outras doenças respiratórias — afirmou.

Atenção

O hantavírus é conhecido pela ciência desde a década de 1950 e possui diferentes variantes espalhadas pelas Américas, Europa e Ásia. Atualmente, não existe tratamento antiviral específico para a doença. Por isso, o diagnóstico precoce e o suporte intensivo ao paciente são fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência. 

As autoridades de saúde recomendam medidas simples de prevenção, como manter alimentos armazenados corretamente, evitar acúmulo de lixo e entulho, vedar frestas em residências e controlar a presença de roedores em propriedades rurais. 

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