Divinópolis registra 162 casos de sífilis em 2026, com 19 ocorrências em bebês
Município contabilizou 54 casos em gestantes; diagnóstico precoce e tratamento são fundamentais para conter a infecção

Divinópolis registrou 162 casos de sífilis em 2026, sendo 89 de sífilis adquirida, 54 em gestantes e 19 de sífilis congênita. A forma adquirida é aquela contraída ao longo da vida, principalmente por meio de relações sexuais sem preservativo, enquanto a sífilis em gestantes corresponde aos casos identificados durante a gravidez. Já a sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Os dados, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento para interromper a transmissão da doença.
Entre os casos de sífilis adquirida, a maior concentração está na faixa etária de 20 a 39 anos, com 57 registros. A infecção é sexualmente transmissível, tem cura e pode ser tratada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A principal forma de transmissão é por meio de relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada. A doença também pode ser transmitida da gestante para o bebê, o que exige atenção especial durante o pré-natal.
Transmissão na gestação
Os dados relacionados à sífilis em gestantes mostram que parte dos diagnósticos ocorreu apenas nos últimos meses da gravidez. Dos 54 casos registrados neste ano, 18 foram identificados no primeiro trimestre, dez no segundo e 26 no terceiro. O diagnóstico tardio reduz o tempo disponível para a realização do tratamento e o acompanhamento adequado antes do parto, aumentando os riscos para a mãe e o bebê.
A sífilis congênita pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer, óbito fetal ou neonatal, além de complicações de saúde para a criança. Dos 19 casos registrados em Divinópolis em 2026, 18 ocorreram em situações nas quais havia registro de acompanhamento pré-natal.
O dado evidencia a importância de realizar os exames nos períodos recomendados e garantir o tratamento adequado, mesmo quando a gestante já está sendo acompanhada por uma equipe de saúde. A recomendação é que o teste seja feito na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, repetido no terceiro trimestre e realizado novamente no momento do parto.
A Semusa também orienta que as parcerias sexuais sejam testadas e tratadas quando necessário, já que a reinfecção pode ocorrer durante a gestação. No município, o acompanhamento das gestantes diagnosticadas é realizado por meio da linha de cuidado materno-infantil Bem Nascer, com tratamento iniciado o mais cedo possível, exames mensais e monitoramento pela Vigilância Epidemiológica, pela navegação e pelo Comitê de Prevenção da Transmissão Vertical.
Sintomas
A sífilis pode permanecer sem sintomas, o que dificulta a identificação da infecção. Na fase inicial, pode surgir uma pequena ferida, geralmente indolor, nos órgãos genitais, na boca ou no ânus. Mesmo que desapareça espontaneamente, a infecção continua no organismo quando não há tratamento.
Em uma fase posterior, podem aparecer manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, além de febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas. A doença também pode passar por um período sem manifestações aparentes e, sem tratamento, evoluir anos depois para formas mais graves, com comprometimento do coração, dos ossos e do sistema nervoso.
A orientação é que pessoas sexualmente ativas realizem o teste pelo menos uma vez por ano e sempre que houver uma possível exposição, como uma relação sexual sem preservativo ou o diagnóstico de uma infecção sexualmente transmissível no parceiro ou na parceira.
Testes e tratamento
O teste rápido para sífilis está disponível gratuitamente nas unidades de saúde de Divinópolis e no Serviço de Atendimento Especializado/Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA). Não é necessário apresentar pedido médico, fazer jejum ou realizar qualquer preparação. O exame é feito a partir de uma pequena gota de sangue retirada da ponta do dedo, e o resultado fica pronto em cerca de 30 minutos, com sigilo.
Quando o resultado é reagente, a pessoa recebe orientações para dar continuidade à investigação e iniciar o tratamento, quando indicado. A medicação é oferecida gratuitamente pelo SUS, e o esquema terapêutico varia de acordo com a fase da infecção. Após o tratamento, é necessário manter o acompanhamento para verificar a resposta e identificar possíveis reinfecções.
A prevenção inclui o uso de preservativos masculinos e femininos, disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde e no SAE/CTA, além de ações e eventos promovidos pela rede municipal. A testagem e o tratamento das parcerias sexuais também são medidas importantes para evitar novas transmissões.
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