24 mil pessoas sofrem de obesidade em Divinópolis
Pesquisa aponta que o número de casos no Brasil triplicou nas últimas três décadas

Cerca de 24 mil pessoas vivem com obesidade em Divinópolis, enquanto aproximadamente 143 mil cidadãos estão dentro da faixa de peso considerada normal. Os números evidenciam a presença do excesso de peso entre a população do município e colocam em destaque um problema de saúde pública que também avança em todo o país. No Brasil, a prevalência da obesidade entre adultos mais que triplicou em pouco mais de três décadas, segundo estudo publicado neste mês na revista científica The Lancet.
Crescimento dos números
Os dados locais indicam que a maior parcela da população está dentro da faixa de peso considerada normal, mas milhares de moradores convivem com a obesidade. As demais pessoas estão abaixo do peso ou não possuem informação registrada nessa classificação. Os números apresentados, entretanto, não detalham a distribuição por faixa etária nem permitem identificar a proporção de adultos e crianças entre os grupos.
No cenário nacional, a pesquisa da série Carga Global de Doenças (GBD, na sigla em inglês) mostra que a prevalência da obesidade entre brasileiros com 25 anos ou mais passou de 7,8%, em 1990, para 27,7%, em 2023. O levantamento também aponta que o Brasil apresentou o maior crescimento do indicador entre os 17 países latino-americanos analisados.
O avanço do problema reforça a importância de ações de prevenção, acompanhamento de saúde e incentivo a hábitos alimentares mais saudáveis e à prática regular de atividades físicas.
Excesso de peso
Além da obesidade, o estudo analisou o excesso de peso, categoria que inclui tanto a obesidade quanto o sobrepeso. Nesse indicador, a prevalência entre os brasileiros com 25 anos ou mais aumentou de 40,3%, em 1990, para 66,8%, em 2023. Isso significa que aproximadamente dois em cada três adultos estavam acima do peso considerado normal para a altura no período mais recente analisado.
A diferença entre os indicadores é importante para compreender a dimensão do problema. Enquanto a obesidade corresponde a um grau mais elevado de excesso de peso, o sobrepeso representa uma condição intermediária. Ambos são avaliados a partir do Índice de Massa Corporal (IMC), calculado pela relação entre peso e altura.
De acordo com os critérios utilizados no estudo, o sobrepeso corresponde a um IMC entre 25 e 29,99. Já a obesidade é caracterizada por um índice igual ou superior a 30.
A pesquisa considera dados de 1990 a 2023 e aponta uma mudança expressiva no perfil nutricional da população brasileira ao longo de três décadas. O crescimento do excesso de peso também acompanha uma transformação observada em outros países da América Latina, embora o Brasil tenha registrado a maior elevação da obesidade entre as nações incluídas no levantamento.
Mudanças na alimentação
A elevação dos índices de obesidade está relacionada a mudanças nos hábitos alimentares e na prática de atividades físicas. A avaliação é da pesquisadora Deborah Carvalho Malta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que participou da elaboração do estudo.
Segundo a pesquisadora, o Brasil passou por uma transição nutricional nas últimas décadas. O acesso aos alimentos e as condições de vida melhoraram, contribuindo para a redução da desnutrição, mas a qualidade da alimentação também sofreu mudanças.
Um dos fatores apontados é a substituição de alimentos tradicionais e nutritivos por produtos ultraprocessados, que geralmente apresentam altos teores de açúcar, gordura e sódio. Esses produtos costumam ser mais acessíveis, têm preparo rápido e recebem forte investimento em publicidade, o que contribui para o aumento do consumo.
A redução do consumo de alimentos como o feijão também preocupa. A leguminosa é fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do organismo.
A pesquisadora defende políticas públicas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis, incluindo medidas tributárias que reduzam os preços de frutas, verduras, legumes e outros produtos nutritivos, além de ações que desestimulem o consumo excessivo de ultraprocessados.
Sedentarismo
Outro fator associado ao aumento da obesidade é a redução da prática de atividades físicas. A rotina cada vez mais marcada pelo uso de celulares, computadores e televisão contribui para o tempo prolongado em comportamento sedentário.
A combinação entre alimentação de baixa qualidade e pouca atividade física favorece o ganho de peso e o desenvolvimento de problemas de saúde associados ao excesso de gordura corporal.
A prevenção, nesse contexto, depende de mudanças que envolvem tanto as escolhas individuais quanto às condições oferecidas à população para manter uma rotina mais saudável. O acesso a espaços adequados para a prática de exercícios, a disponibilidade de alimentos nutritivos e a educação alimentar são aspectos que integram as estratégias de enfrentamento do problema.
A pesquisadora também destaca a importância de incentivar hábitos saudáveis desde a infância, com atenção à alimentação adequada, ao aleitamento materno e à oferta de refeições equilibradas nas escolas.
Risco de doenças
A obesidade está associada ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, entre elas problemas cardiovasculares, renais e osteomusculares, além de alguns tipos de câncer. A condição também pode afetar a saúde mental e a autoestima, o que reforça a importância de um atendimento que considere diferentes aspectos da saúde.
Na infância, a atenção é ainda mais importante. Segundo Deborah Malta, crianças com obesidade apresentam maior predisposição a manter a condição na vida adulta e a desenvolver doenças crônicas ao longo da vida.
Por isso, a prevenção precisa começar cedo, com acompanhamento adequado e estímulo a hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo. A abordagem deve considerar as particularidades de cada pessoa, sem reduzir a obesidade a uma questão exclusivamente individual.
(Com informações de Agência Brasil)
Leia também
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em setembro de 2026
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…











