Domingos revela conversa Zema sobre Hospital Regional: Está demorando

Matheus Augusto
Desde a assinatura da Ordem de Serviço para a retomada do Hospital Regional em Divinópolis, em 10 de fevereiro, a obra ainda segue intacta. A situação tem gerado incômodo e críticas de quem espera ver a movimentação imediata de trabalhadores no local. Ao Agora, o deputado federal Domingos Sávio (PL) explicou a situação e citou a conversa que teve com o governador Romeu Zema (Novo), na qual lhe foi assegurado estar tudo dentro do planejamento.
Contexto
A conclusão do hospital será executada pela empresa EF Construtora Ltda, vencedora da licitação pelo valor de R$ 39,5 milhões. No entanto, a retomada acontece em duas etapas. Na primeira, com prazo de 360 dias, é prevista a elaboração e revisão de projetos. Na segunda e última, em até 540 dias, será realizada a execução e conclusão da obra, até fevereiro de 2025.
Cobrança
O deputado Domingos Sávio afirmou que, apesar da situação estar dentro da normalidade, são legítimas as cobranças por mais celeridade.
— Foi dito [na assinatura da Ordem de Serviço], eu me lembro claramente disso, que a empresa foi contratada não apenas para fazer a obra, mas uma parte do edital diz claramente que ela tem que fazer a atualização dos projetos e algumas revisões no projeto — citou.
O parlamentar ainda elogiou as gestões municipais por terem preservado ao máximo a estrutura, paralisada desde 2016.
— Uma obra que ficou parada por muito tempo acaba tendo o comprometimento de alguma coisa que já foi feita, embora a Prefeitura tenha cumprido bem o seu papel de manter a vigilância e ter conservado a obra, ao contrário de outras cidades, em que houve vandalismo, destruíram muita coisa — detalhou
Durante a assinatura da Ordem de Serviço, em 10 de fevereiro, o subsecretário de Obras e Infraestrutura do Estado, Breno Longobucco, comentou sobre a importância de readequar o projeto original, elaborado em 2009, com a realidade atual - desde materiais de construção obsoletos à novas exigências da Vigilância Sanitária. Usualmente, o Estado abriria uma licitação para definir a revisão do projeto arquitetônico e, posteriormente, um novo processo para a execução e conclusão da obra. Para agilizar, as etapas foram unificadas. Com isso, no caso do Hospital Regional de Divinópolis, a mesma empresa revisará o projeto original e executará a obra.
Entre as mudanças, antecipou Domingos, passam por reavaliação o acesso e a porta principal de entrada de ambulância e pacientes. O deputado disse compreender essa necessidade, mas pede mais agilidade.
— Foi anunciado que, primeiro, a empresa concluiria esses projetos para depois começar a obra. Mas está demorando — avalia.
Ciente da situação, Domingos procurou o governador.
— Ao invés de simplesmente xingar e criticar o governador, eu liguei para ele e conversei, falei da minha preocupação, de todos nós, da necessidade de quanto mais rápido possível essa obra começar. Disse a ele que compreendia, sim, a necessidade de atualização dos projetos, mas que isso não poderia demorar tanto.
Na conversa, Zema se comprometeu a pedir celeridade no processo.
— Ele me respondeu com clareza que iria pessoalmente cobrar de sua equipe agilidade nessa parte de projetos para que pudéssemos ter efetivamente o início das obra
Em Brasília…
Na capital dos brasileiros, o único deputado federal representante de Divinópolis já articula recursos para viabilizar o funcionamento do hospital.
— Inclusive, eu estou trabalhando para garantir o dinheiro para o funcionamento. Eu já pedi uma audiência à ministra da Saúde, estou me empenhando para que a gente possa preparar as condições para que tenhamos os recursos — acrescentou.
Neste processo, uma dos pontos principais é assegurar verbas para a unidade através do Orçamento para 2024.
— Vou estar atento, porque vamos votar o orçamento federal para o ano que vem, para que a gente possa garantir recursos, tanto federais quanto para os diversos municípios aqui da região — citou.
No âmbito estadual, o governo já anunciou em mais de uma oportunidade o financiamento para início do funcionamento, especialmente para a estrutura conseguir reunir dados suficientes para comprovar a prestação dos serviços e se habilitar a programas do Ministério da Saúde.
— O custeio está garantido já por uma resolução do governo do Estado de 2021, que pagamos por leito aberto pelo SUS [Sistema Único de Saúde], tanto de enfermaria quanto de CIT, além da contribuição do governo federal e do município, que é natural — explicou o secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti, em fevereiro.
O deputado federal, cargo que exerce desde 2011, acompanha a situação desde o anúncio da obra.
— Todos sabem que aquele hospital começou com uma luta nossa, ainda com o ex-prefeito Vladimir. Juntos, conseguimos com o governo do Estado à época o convênio — completou.
Sem dinheiro
A obra começou em 2010, mas foi paralisada em 2016 após o governo estadual interromper os repasses. Após mais de seis anos com as obras paralisadas, o parlamentar espera finalmente ver a obra concluída, a qual continuará cobrando para não haver entraves e atrasos.
— Ele [Zema] inclusive deixou claro que a previsão é para 2024, a inauguração. E que está dentro do cronograma. (...) Mas é importante que a gente exerça esse papel de cobrança, tanto eu, na posição de deputado federal, os deputados estaduais, os vereadores, a imprensa, É legítima essa cobrança. agora eu tenho uma maneira de fazer isso. Acho que a melhor maneira de fazer essa cobrança é no diálogo, de forma respeitosa — conclui.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), cerca de 61% das obras haviam sido concluídas antes da interrupção, entre 2010 a 2016.
Prazos
À reportagem, a SES confirmou que não há, até o momento, qualquer entrave na obra, apesar da ausência de trabalhadores no local.
— Desde então, a empresa EF Construtora, vencedora da licitação, segue conduzindo as intervenções necessárias no local. (...) No entanto, à época, a edificação não foi concluída. Além disso, devido ao abandono e descaso do governo anterior, parte da construção erguida à época acabou degradada ao longo dos anos — explicou.
As previsões contratuais também estão dentro do previsto.
— Atualmente, o prazo contratual para execução completa da obra do Hospital Regional de Divinópolis é de 900 dias, a contar da data de assinatura da ordem de serviço. Neste período, são previstos 360 dias para a conclusão da Fase I, referente à elaboração de projetos e análise da viabilidade da estrutura já existente no terreno da obra; e 540 dias para a Fase II, relacionada à execução e conclusão da obra. Neste momento, cumprindo os prazos contratuais, a empresa EF Construtora está executando a Fase I — finalizou.
Leia também
- Ministério Público encerra denúncia sobre suposta promoção pessoal de agentes políticos, informa Prefeitura
Audiência Pública debaterá soluções para segurança nas escolas de Divinópolis
Convocada primeira reunião de CPI que investiga troca de lotes- Eduardo Print Júnior aprova lei que facilita crescimento de empresas de bairro em Divinópolis
Câmara tem três projetos em pauta- Deputado critica nova usina em Cajuru: péssimo para o turismo
Mais recentes
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




