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Dr. Alberto Gigante

É causa ou consequência?

Por Bruno
É causa ou consequência?

Fui abordado por uma leitora da coluna que me relatou um fato e pediu a minha opinião. Estarrecido com o seu relato, fui verificar a veracidade e a encontrei no “Jornal O Tempo”. Em resumo este é o fato: “Uma mulher de 30 anos de idade foi presa no dia 09/04/24, em Contagem. Ela é acusada de filmar e comercializar vídeos com conteúdo de sexo explícito entre ela e o próprio filho, de 12 anos... Os vídeos eram oferecidos pela internet por valores que variavam entre R$ 10 e R$ 50... A mulher foi detida em casa, não resistiu e nem negou o crime. Disse que comercializava os vídeos para sustentar o vício em cocaína.”

Como ré confessa foi presa. Seu filho foi encaminhado a uma instituição onde terá acompanhamento psicológico para apagar o trauma. Parece que o problema foi resolvido. Será? É óbvio que não!

Aristóteles, há cerca de 2.500 anos, escreveu “que para tudo o que acontece no mundo (efeito), existe um evento anterior que teria dado origem a ele (causa)” 1. É a equação da causa x  consequência e, pela dedução do filósofo, sem estudar a causa é muito difícil dominar a consequência. E este é um dilema que acompanha a humanidade. Há séculos os governos enfrentam problemas (conseqüências) sem combater as causas. Os exemplos são inúmeros, mas vou lembrar um que, segundo os estudiosos do assunto, pode levar a humanidade ao autoextermínio: aquecimento global e desastres ambientais. Não se combate a causa, pois ela interfere nos dólares dos poderosos. Tentam apenas corrigir os estragos feitos pelas consequências do aquecimento global, que penalizam a vida da natureza e da população de baixa renda. A cada ano que passa a situação é mais grave. O povo gaúcho que nos diga, infelizmente.

Mas voltemos ao fato. A atitude desta mãe é perversa e ela deve responder por isso. No entanto, o problema não termina aí. Sua punição não interfere em nada no mundo das drogas e tão pouco na imoralidade que virou a internet. Milhões de crianças continuarão sendo vítimas de tudo isto e arrastadas para o crime assistindo os maus exemplos vindos da sociedade. O mundo nunca puniu tanto e a criminalidade só cresce. Está claro que não vamos salvar o mundo usando a vara, a palmatória, a camisa-de-força, o choque elétrico, a prisão perpétua e a pena de morte. Chega de tapar o sol com a peneira. É hora de ir às causas.

Então, o que leva uma mãe a tomar uma atitude desta? A filosofia já alertou que o desejo humano de usar substâncias alucinógenas é tão velho quanto à própria sociedade. Também são velhas as inúmeras tentativas de regulamentar o uso de drogas, que não solucionaram o problema. Precisamos perguntar: será que existe um consenso entre as autoridades mundiais sobre enfrentar o uso ilegal de drogas? Ou será que existem autoridades envolvidas neste comércio fabulo$o?

No momento não vejo solução para este problema. Mas este triste fato precisa nos ensinar algo. Toda vez que “acionamos a tecla” e tomamos uma iniciativa nossa ação trará, infalivelmente, uma consequência. Por isso, não podemos agir por mero instinto. Por sermos racionais, precisamos usar este dom maior que Deus nos deu e escolher atitudes que propagam o bem. É o que podemos fazer para salvar o mundo. Se você achou interessante, acompanhe a nossa coluna aqui no Jornal Agora. Sempre nas 3ª feiras, a cada 2 semanas. Na próxima edição o assunto será: “O livre arbítrio”.

1. ARISTÓTELES, Metafísica, Editora Globo, 1969, São Paulo. 

Alberto Gigante Quadros

Médico / pós-graduado em Bioética pela Unesco

Graduando em Filosofia pela UFSJ  

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