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Dr. Alberto Gigante

O afeto que cura

Por Bruno
O afeto que cura

Na edição do dia 01/04/25 escrevemos sobre o médico e filósofo Hipócrates (século V a.C.), conhecido como o pai da medicina ocidental. É através de um texto de sua autoria que os formandos de medicina juram exercer a profissão com ética e sabedoria. O assunto estimulou alguns leitores que – alegando dificuldades com os costumes da medicina de hoje – pediram para discorrer sobre a ética na medicina. Todos estes leitores afirmaram que os médicos de antigamente eram mais carinhosos.

Ao tocar neste assunto eu ficaria muito feliz se ele chegasse ao conhecimento de estudantes de medicina. Hoje os currículos das faculdades sofrem uma influência marcante da indústria ligada ao setor da saúde/doença e isto acabou demarcando um ensino essencialmente cientificista. Não podemos esquecer os avanços tecnológicos que tantos benefícios têm acarretado. Porém, existe um excesso de confiança na ciência, o que ofusca a visão para outros fatores ligados à preservação da saúde e ao diagnóstico da doença. Nossos recém formados, infelizmente, estão saindo das escolas convencidos que o mais importante na medicina não é o conhecimento que adquiriram durante o curso e sim o exame que vão pedir durante as consultas. E, quanto mais moderno o exame, melhor ele será avaliado. É aí que falta o carinho que os nossos leitores reivindicam.

Precisamos entender que a pessoa que procura um médico está, quase sempre, fragilizada. Ela está pedindo ajuda e a melhor forma de oferecê-la é através do carinho. O profissional que entende isto pode curar boa parte de seus pacientes com um acolhimento afetuoso e uma disposição para escutar aquele que demonstrou confiança nele. E, após fazer o exame clínico  necessário, oferecer um conselho que esteja recheado de amor. A isto damos o nome de arte na medicina = acolher com amor e humildade. O médico que age assim, por inúmeras vezes, já ouviu de seus pacientes: obrigado doutor, só de conversar com o senhor já me sinto melhor. 

Acolhimento afetuoso significa levantar-se de sua cadeira, ir à porta do consultório e chamar pelo nome. O nome é parte da nossa identidade e ninguém deve ser chamado simplesmente de “próximo”. Disposição para escutar é ter humildade de ouvir aqueles que têm dificuldade de expressar. A censura é algo condenável, principalmente contra alguém que tem algo importante a dizer. Conselho com amor é o sentimento espontâneo expresso pelo médico que está feliz por ter cumprido com êxito o dever de seu ofício. Este é o caminho mais seguro para o sucesso profissional e financeiro.

Ao escrever estas linhas me reporto ao ano de 1979. Prestes a me formar, fui acolhido em estágio no Hospital São João de Deus, por mestres que me ensinaram ética, ciência, técnica e arte médica. Estes ensinamentos procurei aplicar durante a minha vida profissional e tenho uma enorme gratidão aos doutores Sílvio Henrique, Alair Rodrigues e Marco Antônio Leão.

Na próxima edição vamos continuar com este assunto abordando direitos e deveres do médico e do paciente. Se achou interessante, acompanhe a nossa coluna aqui no Jornal Agora. Sempre nas 3ªs feiras, a cada 2 semanas.

Alberto Gigante Quadros

Médico / Pós graduado em Bioética pela Unesco

Graduando em Filosofia pela UFSJ

gigantequadros@gmail.com 

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