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Política

É realidade

É realidade

O Hospital Regional Universitário de Divinópolis finalmente abriu suas portas e começou a cumprir a missão para a qual foi concebido. Recebeu nesta terça-feira, as primeiras ambulâncias com pacientes, marcando um momento histórico para toda a região Centro-Oeste de Minas. A cena, aguardada por tantos anos, parecia improvável para muitos que acompanharam as interrupções, incertezas e dificuldades enfrentadas pela obra ao longo de sua trajetória. Entre paralisações, disputas burocráticas e promessas não cumpridas, houve momentos em que o empreendimento se transformou no símbolo de tudo aquilo que a população mais rejeita na gestão pública: obras inacabadas, desperdício de recursos e ausência de planejamento. Felizmente, a história teve um desfecho diferente. Começa a fazer o seu papel tão esperado: salvar vidas.

Conquista coletiva

O sonho começou ainda na administração do ex-prefeito Vladimir Azevedo, responsável pela aquisição do terreno, e isso precisa ser dito. Saiu do papel, atravessou governos e gestões distintas e, finalmente, tornou-se realidade. O hospital deixa para trás o estigma de elefante branco para assumir o papel que sempre lhe pertenceu: oferecer atendimento, ampliar a estrutura de saúde e garantir mais dignidade a milhares de cidadãos que dependem do Sistema Único de Saúde. Trata-se de uma conquista coletiva, construída por diversas mãos, fruto da mobilização de lideranças políticas, instituições e da própria sociedade, que nunca deixou de cobrar a conclusão da obra. É, sem dúvida, um marco para a história de Divinópolis e um legado que beneficiará gerações.

Deixa lições

O momento é, sim, de comemoração. É a celebração de uma luta que resistiu ao tempo e que agora começa a apresentar seus primeiros resultados concretos. Que os profissionais da saúde, professores, pesquisadores e estudantes que passarão por seus corredores encontrem ali a oportunidade de transformar vidas e fortalecer a assistência digna ao cidadão. Mas, passada a euforia da inauguração, é impossível ignorar as lições que essa longa espera deixa. Uma obra de tamanha relevância social jamais deveria ter permanecido abandonada por tantos anos em razão da falta de repasses e da incapacidade de governos em estabelecer prioridades compatíveis com as necessidades da população. Ao contrário, ao invés de cobranças incisivas junto aos responsáveis, foi usado muitas vezes para promoção pessoal e intenções políticas. Situação inadmissível que precisa servir de lição.

Reflexão amarga

Muito grave ainda é constatar que sua retomada só se tornou possível graças aos recursos oriundos de uma das maiores tragédias socioambientais da história do país: o rompimento da barragem de Brumadinho. É uma reflexão amarga, mas necessária. Também cabe uma pergunta que permanece sem resposta definitiva: se o governo federal, por meio da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), não tivesse assumido a gestão da unidade, o Estado teria condições financeiras de manter uma estrutura desse porte funcionando em sua plena capacidade? A dúvida é legítima e revela um problema recorrente da administração pública brasileira: inaugurar é importante, mas garantir a sustentabilidade dos serviços é fundamental.

Não só aplausos

O HU chega com atraso. Um atraso que custou anos de sofrimento para pacientes e famílias que aguardavam por mais leitos, mais especialidades e mais acesso à saúde. Um atraso que teria feito enorme diferença durante a pandemia da Covid-19, quando a região enfrentou momentos dramáticos de superlotação e escassez de estrutura hospitalar. A inauguração merece aplausos, mas a demora merece críticas. Afinal, quando obras essenciais levam anos para serem concluídas, fica evidente que a máquina pública continua, muitas vezes, priorizando interesses políticos e disputas de poder em detrimento das necessidades reais da população. E essa é uma realidade que não pode ser celebrada.

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