'Cegos políticos'

O fim de semana em Divinópolis foi daqueles. Movimentado como há muito não se via, e infelizmente, o que dá para tirar de positivo em meio a tudo isso, foram os anúncios feitos pelo presidente Lula (PT), em sua visita à cidade na sexta-feira, 20, para participar da cerimônia inauguração do Hospital Universitário. Não houve apenas o descerramento da placa, como muitos "cegos politicamente" incapazes aceitar a realidade, seguem falando, enchendo as redes sociais de asneiras e inverdades. A ampliação da BR-494, trecho urbano entre o posto da Polícia Militar Rodoviária e o trevo de acesso ao parque de exposições, palco de graves acidentes e mortes, que há anos vive apenas de promessas, agora é realidade. A amplificação da UFSJ, campus Divinópolis também. Por que se prender a essa história de quem é o "pai da obra". É isso que realmente importa"? Os políticos, o puxa-saquismo, a doença por pessoas e os cargos passam. Mas, as constantes necessidades da população, que deveria estar em primeiro lugar neste debate sem sentido, jamais.
'Nós contra eles'
Quando a divisão vira isso, cada lado passa a desconfiar de qualquer instituição associada ao outro. Na prática, instituições importantes para o país, como Supremo, Congresso, universidades, Forças Armadas, imprensa e até dados oficiais emitidos pelo IBGE e IPEA, por exemplo, perdem credibilidade para pelo menos, a metade do país. Sem confiança em um árbitro comum, fica difícil implementar política pública de longo prazo, aprovar reformas e manter estabilidade jurídica. Investidor trava, empresa segura contratação, e o custo dessa incerteza? Sobra para o bolso de todo mundo.
Impacto social
O algoritmo das redes mais bolha política, lamentavelmente, reduz assunto complexo a rótulo. Conversa vira ataque, e divergência vira traição. Isso gera efeitos negativos diretos: Família e trabalho: relações pessoais rompidas e ambiente profissional tenso reduzem cooperação. Políticas públicas: Temas técnicos como saúde, educação e segurança viram campo de batalha ideológica. A solução importa menos do que quem propôs. Radicalização: Grupos menores ganham espaço ao vender respostas simples para problemas complexos, aumentando risco de violência política e descrédito do voto como ferramenta de mudança. A divisão em si não é o problema. Democracia vive de disputa. O risco é quando a disputa troca argumento por inimigo. Aí, a briga culmina em apenas uma situação: o país gasta energia brigando com o espelho em vez de resolver o que está na frente.
'Fim da picada'
Termo feio, mas caminha-se para isso e resume bem a situação, caso a denúncia feita contra o vereador Flávio Marra, relacionando seu carro com o atropelamento e morte de um ciclista, tenha viés político. Absolutamente ninguém, com toda certeza, quer acreditar nisso. Porque se realmente for, chegamos "ao fim do poço". Pois aproveitar-se de situações de sofrimento do próximo para tirar alguma vantagem pessoal, pode ser tudo: como falta de caráter, oportunista, sem sentimento. Mas, um ser humano que pretende representar um povo tão sofrido, jamais. A torcida é para que não seja verdade, ao contrário, podemos definitivamente "jogar a toalha", em todos os sentidos.
Se repete
O anúncio da vereadora Kell Silva de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, confirma mais uma vez, o cenário visto em todas as eleições gerais em Divinópolis: muitos candidatos, divisão de votos e poucos eleitos. O resultado é que o município mais importante do Centro-Oeste mineiro nunca conseguiu passar de dois representantes na ALMG e na Câmara Federal. Em todas as disputas, o número nunca foi menor que dez, brigando por pouco mais de 160 mil votos, fora os que são destinados aos paraquedistas. Somente no Legislativo divinopolitano, são quatro nomes: Flávio Marra, Josafá Anderson, Vitor Costa e agora Kell. Os atuais Eduardo Azevedo, Lohanna França e mais quatro, que, com exceção de Gleide Andrade, não ocupam cargos políticos, ou indicados por algum deles. Ou seja: dez. Se não aparecerem novos nos próximos dias. Precisa disso tudo? Não seria melhor a união de simpatizantes do mesmo lado, e escolher entre todos, dois ou três? Quem entra na disputa, pode até levar alguma vantagem por um motivo ou outro. Mas, com toda certeza, o povo é que sai perdendo com o mínimo que consegue se eleger.
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