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Economia

Economia de Minas entra em alerta com nova tarifa dos EUA

Por Bruno
Economia de Minas entra em alerta com nova tarifa dos EUA

Jorge Guimarães 

A imposição de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros deve produzir efeitos desiguais na economia de Minas Gerais e de Divinópolis. Enquanto alguns setores exportadores poderão enfrentar perda de competitividade no mercado norte-americano, outros devem sentir impactos indiretos ou até limitados, em razão da diversificação de mercados e da menor dependência das vendas para os Estados Unidos. Divinópolis deve sofrer reflexos, mas de forma mais indireta, pois possui uma economia fortemente ligada ao comércio. 

Impactos 

Em Minas Gerais, os principais impactos devem atingir setores exportadores, como siderurgia, metalurgia, mineração e parte do agronegócio. Com a perda de competitividade nos Estados Unidos, empresas podem rever investimentos e buscar novos mercados na Ásia, Europa e Oriente Médio.

Efeitos 

Segundo o economista, professor e coordenador da Una, campus Divinópolis, Wagner Almeida, a tarifa não representa apenas um aumento no preço final do produto. Seus efeitos podem atingir toda a operação financeira das empresas exportadoras. 

— Quando o produto perde competitividade, o comprador pode solicitar descontos, reduzir o volume contratado ou procurar outro fornecedor. Para preservar a relação comercial, a empresa mineira pode precisar absorver parte desse custo, o que reduz sua margem e altera o planejamento financeiro — analisa.

Maior exposição

Máquinas, equipamentos, autopeças, produtos químicos, açúcar e outros bens manufaturados estão entre os segmentos que tendem a sentir os efeitos mais diretamente. Como esses produtos passam a chegar mais caros aos Estados Unidos, empresas mineiras podem enfrentar dificuldades para manter preços, volumes e prazos negociados anteriormente.

Contratos de fornecimento de médio e longo prazo merecem atenção especial. Quando os valores já estão definidos, nem sempre é possível repassar imediatamente o custo adicional. 

Esse movimento, segundo especialistas, também pode pressionar o capital de giro. A redução do ritmo das vendas, explicam eles, tende a aumentar o tempo de permanência dos produtos em estoque, retardar o recebimento de receitas e elevar a necessidade de recursos para manter a produção, pagar fornecedores e cumprir compromissos trabalhistas.

— Uma empresa pode continuar produzindo, mas passar a receber mais tarde ou vender com uma margem menor. Isso cria uma necessidade adicional de financiamento justamente em um momento de maior incerteza. Quanto menor a estrutura financeira da organização, maior tende a ser a dificuldade para atravessar esse período — explica o especialista. 

Setores 

Enquanto segmentos estratégicos, como café e carne bovina, apresentam menor exposição graças à exclusão da nova cobrança, setores da indústria de transformação poderão enfrentar desafios mais significativos, especialmente aqueles ligados à exportação de bens manufaturados.

No caso do café, um dos principais produtos da pauta exportadora mineira, o impacto direto é considerado reduzido. A inclusão do grão entre as exceções da medida preserva a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano. Além disso, a forte demanda internacional, a liderança de Minas Gerais na produção nacional e a possibilidade de ampliar negócios com outros mercados reforçam a capacidade de resistência do setor.

Situação semelhante ocorre com a carne bovina, que também ficou de fora da nova tarifa. A manutenção das condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos reduz o risco imediato de perda de competitividade. Em Minas Gerais, os principais impactos devem atingir setores exportadores, como siderurgia, metalurgia, mineração e parte do agronegócio. Com a perda de competitividade nos Estados Unidos, empresas podem rever investimentos e buscar novos mercados na Ásia, Europa e Oriente Médio.

Em contrapartida, os segmentos de máquinas e equipamentos e autopeças aparecem entre os mais vulneráveis. O aumento dos custos para os compradores norte-americanos pode tornar os produtos mineiros menos competitivos, levando à renegociação de contratos, redução de pedidos e pressão sobre as margens das empresas. 

Os produtos químicos e manufaturados também figuram entre os mais expostos. A expectativa é de uma possível redução das exportações, aumento dos estoques e maior necessidade de capital de giro para as empresas. 

Na siderurgia, o cenário é considerado intermediário. Como parte dos produtos do setor já está sujeita a regras específicas de acesso ao mercado norte-americano, a nova política não representa necessariamente uma sobreposição de tarifas. Ainda assim, permanecem as incertezas quanto às condições futuras de exportação e à competitividade das empresas brasileiras.

Cadeias produtivas

Os impactos vão além das grandes exportadoras, atingindo toda a cadeia produtiva, como fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e municípios dependentes dessas atividades. Pequenas e médias empresas tendem a ser as mais vulneráveis, por dependerem de grandes indústrias, terem menor acesso ao crédito e enfrentar mais dificuldades para encontrar novos mercados e lidar com oscilações do comércio internacional.

— Uma tarifa aplicada a uma grande exportadora pode chegar a uma empresa menor que nunca vendeu diretamente para os Estados Unidos. Isso ocorre porque as cadeias produtivas são interligadas. Quando a empresa principal reduz sua produção, todo o conjunto de fornecedores e serviços ao redor dela pode sentir os efeitos — afirma o economista.

Diversificação na economia

No curto prazo, a incerteza pode levar empresas a adiar investimentos, rever planos de expansão e adotar maior cautela. Se a tarifa persistir, a diversificação de mercados será essencial, embora a conquista de novos compradores exija tempo, adaptações e investimentos.

Para Wagner Almeida, o principal risco está na combinação entre dependência comercial e baixa capacidade de adaptação. 

O economista destaca que os impactos serão diferentes entre os setores. Enquanto o agronegócio foi beneficiado por exceções, parte da indústria segue mais exposta. Segundo ele, preservar o caixa, renegociar contratos e diversificar mercados será fundamental para manter a competitividade, especialmente se a tarifa permanecer por mais tempo.

Divinópolis

No Município, os reflexos devem ocorrer de forma mais indireta. A cidade possui uma economia fortemente baseada no comércio, nos serviços, na indústria da confecção, no setor metalúrgico e na prestação de serviços às empresas da região. Embora poucas empresas locais exportem diretamente para os Estados Unidos, muitas integram cadeias de fornecimento para indústrias mineiras que atuam no mercado externo. Caso essas empresas reduzam produção ou investimentos, os efeitos podem chegar à cidade por meio da diminuição de encomendas, menor ritmo da atividade industrial e desaceleração na geração de empregos. O comércio local, conforme o economista Leandro Maia, também poderá sentir impactos caso a medida provoque desaceleração da economia brasileira. 

— Divinópolis possui uma economia bastante diversificada, sustentada pelo comércio, pela prestação de serviços, pela indústria metalúrgica, siderúrgica, de confecção e pelo setor de saúde. Mesmo que muitas empresas não exportem diretamente, elas fornecem produtos e serviços para indústrias que participam do mercado internacional —  avalia.

Segundo o profissional, uma eventual redução da atividade industrial pode repercutir em toda a cadeia econômica.

— Quando uma indústria exportadora reduz sua produção, toda a cadeia sente os efeitos. Isso pode significar menor demanda por transportadoras, fornecedores de matérias-primas, empresas de manutenção, logística e até serviços especializados. O impacto costuma ser indireto, mas pode alcançar diversos segmentos — alerta.

Apesar das incertezas, Maia acredita que o município reúne condições para enfrentar o momento com maior segurança.

— Divinópolis possui um mercado interno bastante dinâmico, um comércio consolidado e um setor de serviços forte. Esses fatores ajudam a amortecer oscilações externas. Além disso, muitas empresas locais vêm ampliando sua atuação em diferentes regiões do país, reduzindo a dependência de um único mercado — pontua. 

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