Em meio a baixaria entre vereadores, Câmara estica abertura de créditos

Ricardo Welbert
Em mais uma sessão marcada por trocas de ofensas pessoais entre vereadores, a Câmara de Divinópolis aprovou ontem o projeto de lei 034/17, elaborado pelo prefeito Galileu (PMDB) e que sobe de 8 para 20 o percentual permitido para abertura de créditos adicionais suplementares contemplados na Lei Orçamentária (LOA) para 2018. Isso dá mais liberdade ao prefeito para alterar o orçamento sem autorização legislativa.
Segundo o governo, o objetivo é adequar as despesas e as receitas para o cumprimento de metas e continuar atividades em setores considerados como essenciais.
— Para que a gestão de recursos seja feita nos mesmos moldes do que já fazem as principais cidades mineiras, onde a média de limite é de 20% — diz Galileu.
Discussão
Como tem sido praxe na Câmara de Divinópolis, a análise desta pauta também foi marcada por ofensas pessoais trocadas por vereadores.
Dr. Delano (PMDB) se disse contra a proposta do colega de partido. Ele criticou o fato de o texto ter entrado na pauta sob regime de urgência.
— Não me foi comunicado que entraria na pauta do dia e o líder, como vereador mais votado do PMDB, sou eu. Urgência? Agora até decreto urgência? Urgência é a saúde. É preciso começar a questionar isso — afirmou.
O médico também fez críticas aos vereadores que “sobem a Paraná” para “tomar um chá” com o prefeito, sugerindo a ocorrência de negociações entre representantes do Legislativo com o do Executivo.
Quando terminou de falar, Delano viu o direto à palavra ser passado a Adair Otaviano (PMDB), colega de partido que, sabia, rebateria suas críticas. Neste momento, Delano se levantou e saiu do plenário.
— Quero me dirigir aos vereadores educados, porque uma boa parte deles não tem um pingo de educação. Vereador que fala e não espera para ouvir o colega é sem educação. Queremos discutir o projeto, mas o vereador pega o direito de palavra w o utiliza por meia hora, para cercear o direito dos outros vereadores usarem a palavra e também aparecerem para o cidadão que está em casa [assistindo à transmissão via TV Candidés, que ocorre só até as 18h]. Vereador sem educação, que não tem respeito de ficar sentado, da mesma forma como nós ficamos enquanto o ouvíamos. Vereador cara de pau — afirmou Adair Otaviano.
Ainda segundo o presidente da Câmara, Delano não sabe o que é suplementação orçamentária.
— Um dia desses nós tínhamos um projeto de suplementação para votar nessa casa para autorizar o prefeito a movimentar dinheiro na saúde e o vereador teve coragem de votar contra. E agora fica perguntando “cadê o dinheiro da saúde”? Rubrica e dotação são previsão orçamentária. Se formos discutir, ele não sabe o que é uma suplementação. Suplementação é previsão orçamentária. Não quer dizer que o prefeito tem o direito pra gastar — afirmou.
E acrescentou:
— Ele [o prefeito] precisa arrecadar primeiro para poder gastar naquela rubrica. Mas, tem vereador que não sabe o que é dotação orçamentária. Fala, fala, fala, mas não conhece nada de legislar e nem de fiscalizar. Não conhece nada — disse Adair.
Enquanto o presidente dizia isso, Kaboja (PSD), que há poucos dias disse o mesmo a respeito de Delano, ria intensamente.
— Se formos escutar vereador que briga porque tem picuinha particular com todos os secretários, vai chegar dinheiro via mudança de dotação orçamentária para a pasta da saúde e ele não vai votar porque não gosta do secretário Rogério Barbieri. Vai chegar para obras e não vai votar porque não gosta da Cláudia [Machado, secretária] — continuou Adair.
Em outro momento de sua fala, o presidente insinuou que o vereador “mama nas tetas da Prefeitura” e depois “cospe na cara do prefeito”.
— Eu não mamo nas tetas da Prefeitura e depois chego aqui e cuspo na cara do prefeito. Mamar e fazer o que está fazendo aqui como prefeito Galileu. Isso é que é vergonhoso. Não bato nos outros pelas costas. Para mim, discussão é frente a frente. Coisa que alguns não têm coragem de fazer. Tinham que entregar todos os cargos comissionados que têm, sem fossem homens de caráter — concluiu Adair.
Quando o pronunciamento dele terminou, Delano entrou novamente no plenário. Eduardo Print Júnior (PMDB) criticou a afirmação feita por Adair de que tem alguém que “mama nas tetas do governo e depois bate”. Em seguida Adair disse que ao discursar, se referia a “alguns vereadores”, mas, caso a carapuça tenha servido a outros, paciência. Não tinha sido a intenção.
Ordem na casa
Janete Aparecida (PSD) fez novamente o papel de mãe ao pedir ordem.
— Fico entender essa casa. Não sei se eu rio ou se eu choro. É uma dificuldade enorme entender os ânimos aqui. Discussões que deveriam vir em linha reta se desviam para questões pessoais e quem nos assiste fica sem entender nada. O que estamos discutindo aqui é algo extremamente simples, que é um aumento ou não. É só cada um votar segundo a própria consciência e acabou. Não precisa ficar discursando por meia hora e fazendo ofensas pessoais pra tentar mudar os votos dos colegas — disparou.
Placar final
Após tanta discussão fora de contexto, o projeto foi aprovado por 9 votos a 7 às 18h25.
Votaram a favor: Ademir Silva (PSD), César Tarzan (PP), Josafá (PPS), Kaboja (PSD), Marcos Vinícius (Pros), Nego do Buritis (PEN), Raimundo Nonato (PDT), Renato Ferreira (PSD) e Roger Viegas (Pros).
Votaram contra: Cleitinho Azevedo (PPS), Delano (PMDB), Edson Sousa (PMDB), Eduardo Print Júnior (SDD), Janete Aparecida (PSD), Sargento Elton (PEN) e Zé Luis da Farmácia (PMN).
Leia também
Rogério Barbieri deixa cargo à disposição de Galileu
Prefeitura não confirma saída de Barbieri, mas especulações sobre substituto ganham força
Presidente da Câmara de Iguatama, assessor e ex-vereador são presos
Secretário de Saúde confirma disposição de cargo, muda de ideia e segue até decisão do prefeito
Modelo de aterro controlado usado em Itaúna pode inspirar adaptação em Divinópolis
Câmara prevê economia de R$ 60 mil por ano com fim de estacionamento privado
Mais recentes
Do nosso arquivo
Domingos Sávio não crava que PL definiu candidato ao Senado
Com presença de 31 municípios, Câmara promove encontro de mesas diretoras
Câmara aprova projeto que obriga identificação de pontos cegos em ônibus de Divinópolis
Impasse segue e deputados mineiros voltam a discutir crise no Samu em audiência pública
Veja tudo o que publicamos em outubro de 2017
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




