Entra ano

A Câmara de Divinópolis começou o ano com o polêmico aumento do vale-refeição para os vereadores em quase 262% e também para os servidores comissionados. Os efetivos tiveram o benefício reajustado em cerca de 25%. Isso foi em 08/01/2025. O povo não aceitou, se uniu e cinco dias depois, houve a revogação do aumento. À época, a Mesa Diretora destacou que o recuo "tem como objetivo preservar a harmonia institucional e a integridade das atividades legislativas, além de priorizar o interesse público". Como disse o saudoso Ulisses Guimarães, “A sociedade sempre acaba vencendo, mesmo ante a inércia ou antagonismo do Estado.”
Fecha ano
Mas eis que a mesma Câmara se esqueceu do que disse no dia 13/01/2025 e em uma reunião relâmpago, na última terça-feira, aprovou aumento salarial de 42% e a ampliação do número de cadeiras do Legislativo, a partir de 2029 de 17 para 19. Segundo matéria do Agora, considerando os reajustes acumulados desde 2021, os salários dos parlamentares terão crescimento total de 88,85% em oito anos. Foram 14 votos favoráveis, a vereadora Kell Silva (PV) segue de licença materna e, por isso, não estava presente e o presidente da Casa, Israel da Farmácia (PP) se absteve, conforme prevê o regimento. O único voto contrário foi do vereador Vitor Costa (PT), mas não se iludam. Esta colunista foi ao seu perfil no Instagram @uaivittor e até o momento do fechamento da coluna não há nenhum vídeo repudiando as decisões que no final o beneficiam, caso candidato à vereança e reeleito. Ora, para que se queimar? Estratégico, não?
O momento permite?
Embora a economia brasileira não se apresente em uma crise generalizada, tem-se que enfrentar sérios desafios, como o risco de instabilidade fiscal e um cenário de desaceleração do crescimento. Há sinais de fragilidade, como o déficit público, a alta dívida e a vulnerabilidade das famílias. Para se ter uma ideia, em novembro último, o programa Bolsa Família atendeu aproximadamente 18,65 milhões de famílias em todo o Brasil. Em termos de indivíduos, esse número representa cerca de 55 milhões de pessoas beneficiárias. O cenário é preocupante e a situação pode se agravar caso não haja reformas e ajustes.
Rainha Elizabeth II
Durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1940, o Reino Unido decidiu pelo racionamento, tornando-se uma característica da vida britânica e seu fim marcou o retorno a uma maior normalidade no pós-guerra. O racionamento atingiu diversos gêneros alimentícios (pão, batata, carne, manteiga, chá, doces, açúcar, ovos, creme, manteiga, queijo, óleo de cozinha, e bacon), roupas, gasolina. A liberação somente começou em 1948, terminando em 1954 quando os últimos produtos foram liberados, a saber, manteiga, queijo, óleo de cozinha e, finalmente, carne e bacon, estes últimos liberados em 04 de julho de 1954. A realeza, incluindo a então Princesa Elizabeth (mais tarde Rainha Elizabeth II), também estava sujeita ao sistema de racionamento, que era um esforço nacional para garantir a distribuição equitativa de alimentos e outros bens escassos.
E o exemplo do mandatário-mor?
Enquanto mais e mais famílias dependem de programas sociais, o presidente Lula (PT) que fala que é só não comprar, sua residência oficial gasta milhões em reformas, vinhos internacionais premiadíssimos, carnes e pescados de altíssimo padrão e importados (nem valoriza o que produzimos). Só com polidores de sapatos foram mais de R$ 67 mil em 2025 e em 2023 mais de R$ 37 milhões em móveis e reformas. Sim, essa conta para nós é do chamado “Pai dos Pobres”. Pode isso?
E na ALMG?
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou em 2022, o Projeto de Lei 4.115/2022, que trata do aumento do salário dos deputados estaduais. A votação foi realizada em reunião extraordinária. O então deputado estadual Cleitinho Azevedo (à época do PSC, atualmente do Republicanos) foi contrário à aprovação do referido projeto. A partir do dia 1º de janeiro de 2023, os deputados passaram a receber o salário de R$ 29.469,99. Atualmente é de R$ 34.774,64, o que representa um aumento de 37% em relação ao salário quando da votação, que era R$ 25.322,25.
E o Congresso Nacional?
No dia 25 de junho de 2025, a Câmara Federal aprovou projeto que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais. Pasme! No mesmo dia, o Senado aprovou a ampliação. O projeto foi integralmente vetado pelo presidente Lula (PT). O veto se encontra em tramitação no Congresso Nacional e pode ser acompanhado pelo portal https://www.congressonacional.leg.br/materias/vetos//veto/detalhe/17409. O Congresso também derrubou um veto do Executivo para poder aumentar em quase R$ 165 milhões os recursos dos fundos partidários para esse ano e deve analisar um projeto de lei que autoriza parlamentares a acumularem a aposentadoria de ex-deputados federais com o salário de qualquer mandato eletivo.
Resumo da ópera
Para nossos representantes, com raras exceções, sejam eles municipais, estaduais ou federais, o que vigora é “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Nessa hora não existe direita, não existe esquerda e nem centrão. Existe o interesse próprio, única e exclusivamente, sendo o interesse público apenas parte de discurso bonito. Efetivamente, parafraseando o personagem de Chico Anysio, Justo Veríssimo, o povo que se exploda! Mobilização já! Afinal ainda com Ulisses Guimarães “A única coisa que mete medo em político é o povo na rua”. Bora?
E o motorista
Em Divinópolis, um motorista de ônibus para encerrar uma discussão iniciada por uma passageira, parou o veículo e desceu. Parabéns pela postura do condutor. Conforme destacado pela brilhante advogada Jéssica Fernandes, a saúde mental do trabalhador deve ser preservada. A Lei 14.831/24 e a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) tornaram obrigatórias a partir de maio de 2025 a gestão de riscos psicossociais (como estresse, burnout e assédio) e a implementação de programas de promoção do bem-estar, exigindo das empresas avaliação de riscos, apoio psicológico, combate ao assédio e equilíbrio vida-trabalho, sob pena de multas e ações judiciais, com o objetivo de criar um ambiente laboral mais saudável e seguro.
Nota 1000
A festa de encerramento do ano das mulheres B2M comprovou sua força. O grupo, idealizado e gerido pela CEO do Grupo Agora de Comunicação, a locomotiva Janiene Faria, em pouco tempo de existência, já fechou negócios que ultrapassam a casa de R$ 1 milhão. E isso é só começo.
Anistia Já!
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