Privatização é a salvação?

A aprovação, em definitivo, do projeto que autoriza a privatização da Copasa pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais não encerra o debate — ao contrário, escancara a sua complexidade. A água que chega à torneira do mineiro não é apenas um serviço: é um direito essencial. A experiência recente de São Paulo com a Enel é um alerta impossível de ignorar. Apagões prolongados, respostas lentas, consumidores desassistidos e um sentimento generalizado de abandono expuseram o risco de se transferir um serviço estratégico ao setor privado sem garantias rígidas de qualidade, investimento e fiscalização. A privatização, por si só, não é sinônimo de eficiência. Quando mal desenhada, vira apenas um bom negócio — para poucos. Exemplos não faltam. E é o que parece caminhar mais um.
Cúmplice
Diante dessas alegações, o debate sobre precisa ir além do discurso fácil do “Estado inchado” versus “mercado salvador”. Se concretizar a venda, ela precisa priorizar a qualidade do serviço, a universalização do acesso, a modicidade tarifária e mecanismos de controle que não sejam meramente decorativos. Caso contrário, o risco é trocar um problema conhecido por um caos privatizado. O Parlamento mineiro, representado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, tinha a responsabilidade histórica de não repetir erros já cometidos em outros estados, mas infelizmente sacramentou o desejo do governador. Passa agora, a cúmplice do que vem pela frente.
Todos querem saber
Nos bastidores da política, circulou nesta semana a informação do jornal O Fator de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria pedido ao também senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) que recuasse em sua intenção de disputar o governo de Minas para apoiar o vice-governador Mateus Simões (PSD) como sucessor de Romeu Zema (Novo). A este PB, Cleitinho negou a informação. O objetivo dessa possível articulação política, no entanto, parece óbvia: se Cleitinho confirmar sua candidatura, torna-se imediatamente o nome a ser batido. Popular e com forte apelo eleitoral, ele representa uma pedra desconfortável no sapato de qualquer projeto de unificação da centro-direita. Simões, por sua vez, tenta construir um caminho mais institucional, apostando no discurso da continuidade administrativa e na costura política. À esquerda, o cenário é ainda mais nebuloso. Falta nome, sobra resistência, e os convites têm sido respondidos com sucessivos “nãos”, de políticos interessados não no assento da Cidade Administrativa, mas nos do Congresso.
Mais dois fora
Não é que a Câmara dos Deputados resolveu trabalhar sério? A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados aprovou a cassação dos mandatos dos deputados Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 18, de forma administrativa e oficializa a perda de mandato dos dois parlamentares ligados ao ex-presidente Bolsonaro. Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência, perdeu o mandato após condenação pelo Supremo Tribunal Federal por participação na trama golpista investigada após as eleições de 2022. Já Eduardo Bolsonaro perdeu a cadeira por ultrapassar o número de faltas permitido pela legislação interna da Câmara. Antes dos dois, Carla Zambelli, que antes recebeu a bonificação de ficar no cargo, pela maioria dos colegas, pediu para sair no último dia 14, pois teria o mesmo destino. Agora, sim, a Casa pode dizer que cumpriu, pelo menos, parte do seu dever em 2025.
Instrumento político? Pelo menos é que acha o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, em uma das reações imediatas da oposição. A alegação para a afirmação é ter sido comunicado diretamente pelo presidente da Casa, Hugo Motta, sobre a deliberação da Mesa, somente às 16h40, por meio de ligação. Na sua opinião, trata-se de uma decisão grave, que lamenta profundamente e que representa mais um passo no esvaziamento da soberania do Parlamento, já que defende a votação. O problema é que chega quinta-feira, Brasília fica vazia de políticos de outros estados. A esta hora da reclamação, certamente, já estava em casa. Além disso, por que não fizeram anteriormente? Não por falta de pedido do STF. Reclamar já no recesso é tarde demais.
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