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Saúde

"Etapa muito importante", diz Lohanna após aprovação da doação do Hospital Regional 

Por Bruno
"Etapa muito importante", diz Lohanna após aprovação da doação do Hospital Regional 

Lucas Maciel

O que parecia mais um capítulo da longa novela envolvendo o Hospital Regional de Divinópolis ganhou contornos importantes nesta terça-feira, 2, após as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) darem sinal verde ao Projeto de Lei 4.690/2025, de autoria da deputada estadual Lohanna França (PV), que autoriza o governo de Minas a doar o imóvel à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ.

A decisão destrava um dos principais entraves que impediam o funcionamento da unidade, cujas obras começaram há mais de uma década. Com a aprovação, o texto segue para votação em plenário. Se aprovado, o hospital poderá finalmente avançar para as etapas finais de estruturação, contratação e equipagem, abrindo caminho para atender milhares de pacientes da região.

Repercussão

A deputada Lohanna comemorou o resultado e classificou as aprovações como um momento decisivo para o futuro da saúde regional. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela destacou o esforço de articulação para destravar a pauta.

— Estamos trabalhando muito porque essa é uma etapa importantíssima para que o hospital salve vidas e dê esperança para toda a região do Centro-Oeste de Minas — afirmou.

O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), que também protocolou proposta semelhante, celebrou o avanço.

— Estamos trabalhando aqui para dar celeridade à aprovação desse projeto para que muito em breve ele esteja em plenário e nós possamos aprová-lo e colocar o hospital para funcionar, para atender a toda a população da região Centro-Oeste — disse.

Pressão por urgência

A aceleração da tramitação ocorre após um alerta contundente feito pelo reitor da UFSJ, Marcelo Andrade, em discurso na Câmara de Divinópolis em meados de novembro. Segundo ele, se o processo legislativo não fosse concluído ainda em 2025, a inauguração ficaria inviabilizada pelo calendário eleitoral de 2026, que costuma paralisar a administração pública.

O reitor afirmou que, apesar dos anúncios políticos, o hospital ainda não havia sido oficialmente transferido à universidade, condição essencial para que qualquer etapa prática pudesse avançar, incluindo aquisição de equipamentos, contratação da Ebserh e montagem das equipes.

Ele também chamou atenção para o risco de perda de investimentos já feitos. O governo federal repassou R$ 85 milhões para equipar a unidade, dos quais R$ 35 milhões já foram utilizados. Sem a doação, disse, os recursos poderiam ser destinados a outras regiões.

— Nós temos uma linha de tempo muito perigosa. Se passarmos para 2026, não vamos conseguir colocar o hospital para funcionar — alertou.

O reitor destacou ainda o impacto humanitário da demora.

— Nesse exato momento, tem um pai, uma mãe, um filho aguardando remoção para um leito em qualquer lugar de Minas. Muitos não sobrevivem porque não há atendimento especializado. Trazer esse hospital para Divinópolis é salvar vidas — enfatizou. 

Contexto e impasses

As aprovações ocorrem depois de meses de tensões entre Executivo, Assembleia e lideranças regionais. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) emitiu, na última quinta-feira, 27, parecer favorável à proposta, confirmando que o imóvel pertence integralmente ao Estado e que não há impedimentos jurídicos para a transferência.

O documento foi considerado decisivo para destravar a análise do relator na CCJ, deputado Dr. Jean Freire (PT). Segundo a Seplag, destinar o hospital ao funcionamento como Hospital Universitário está alinhado ao Pacto pela Saúde dos Mineiros e ao compromisso firmado entre Estado, UFSJ e Ebserh.

Nos últimos anos, o Hospital Regional se tornou palco de disputas políticas, denúncias de omissão, anúncios contraditórios e tentativas frustradas de avanço. A deputada Lohanna, em entrevista ao Agora, chegou a responsabilizar o governador Romeu Zema (Novo) e o vice-governador Mateus Simões (PSD) pela demora, relembrando episódios como a inclusão do terreno em uma lista de bens para abater dívidas estaduais com a União.

Próximos passos

Nos bastidores, parlamentares afirmam que a votação deve ocorrer ainda nesta semana, atendendo ao apelo feito pela universidade e pelas lideranças locais.

Caso o texto seja aprovado sem alterações, o governo estará autorizado a formalizar a doação e a UFSJ poderá iniciar, de imediato, as fases de contratação da Ebserh, aquisição de equipamentos e organização dos serviços. 

Assim, o hospital, fechado há mais de dez anos, poderá enfim se aproximar de sua inauguração. A expectativa é que o avanço desta terça-feira marque o início de uma etapa definitiva para resolver um dos maiores impasses da saúde pública de Minas Gerais.

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